O Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad) alerta para o aumento de casos de doenças respiratórias em crianças e adolescentes após o Carnaval. A tendência é que o número de atendimentos cresça no período pós-folia, em razão das aglomerações e da maior circulação de vírus.

Somente em janeiro, a unidade contabilizou 574 atendimentos relacionados a problemas respiratórios. Em fevereiro, apenas nos primeiros dez dias do mês, já foram registrados mais de 310 atendimentos com queixas respiratórias. O número representa um aumento de 72% na média diária de casos em comparação a janeiro, acendendo o alerta entre as equipes assistenciais.

Entre os principais diagnósticos estão gripes, bronquiolites, pneumonias e infecções virais, como influenza e Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A expectativa é de aumento nos índices nas próximas semanas, especialmente após o Carnaval, quando crianças e adolescentes podem ser expostos a vírus transmitidos por familiares que participaram de eventos e aglomerações.

Em entrevista ao Jornal Opção, a diretora técnica assistencial do Hecad, Dra. Flávia Godoy, explicou que existe um padrão sazonal, no qual os vírus respiratórios circulam mais no fim do verão e início do outono. “Nessa fase, é comum observarmos mais casos de gripe, bronquiolite, pneumonia e outras infecções virais, principalmente em crianças pequenas, que ainda têm o sistema imunológico em desenvolvimento”, complementa.

Dra. Flávia Godoy | Foto: Arquivo Pessoal

O sinal de alerta se deve ao fato de que, segundo a médica, quando se junta a sazonalidade natural das doenças respiratórias a um período de grandes aglomerações, como o Carnaval, o risco se torna ainda maior. “A boa notícia é que, com a vacinação em dia, cuidados de higiene e atenção aos primeiros sintomas, é possível reduzir bastante as complicações e proteger nossas crianças”, esclarece Dra. Flávia Godoy.

Prevenção e vacinação

O Hecad reforça a importância da adoção de medidas preventivas, como manter a vacinação em dia, especialmente contra a gripe; higienizar frequentemente as mãos com água e sabão ou álcool em gel; e evitar ambientes fechados e aglomerações em períodos de maior circulação viral.

“É fundamental que os responsáveis redobrem os cuidados, evitem a exposição desnecessária das crianças a ambientes com grande circulação de pessoas e procurem atendimento ao primeiro sinal de agravamento dos sintomas”, orienta Dra. Flávia Godoy.

O hospital também destaca a importância da vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite. Disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para gestantes entre a 28ª e a 36ª semana de gravidez — preferencialmente entre 32 e 36 semanas —, a imunização permite que a mãe produza anticorpos e os transfira ao bebê ainda durante a gestação, garantindo proteção contra formas graves da doença nos primeiros seis meses de vida.

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