O varejo alimentar brasileiro segue em expansão bilionária, mas com mudanças claras no perfil das empresas que dominam o setor. O avanço do atacarejo e a busca crescente do consumidor por preços mais baixos vêm alterando a hierarquia das maiores redes do país e consolidando um novo padrão de competição no mercado.

Levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), repercutido pela IstoÉ Dinheiro e baseado no faturamento de 2024, coloca o Grupo Carrefour Brasil na liderança nacional, com R$ 120,6 bilhões em receita. Na sequência aparecem o Assaí Atacadista, com R$ 80,6 bilhões, e o Grupo Mateus, com R$ 36,4 bilhões.

Veja o ranking dos 10 grupos supermercadistas com maior faturamento no Brasil:

  • Grupo Carrefour Brasil — R$ 120,6 bilhões
  • Assaí Atacadista — R$ 80,6 bilhões
  • Grupo Mateus — R$ 36,4 bilhões
  • Supermercados BH — R$ 21,3 bilhões
  • GPA (Grupo Pão de Açúcar) — R$ 20,0 bilhões
  • Grupo Muffato — R$ 17,4 bilhões
  • Grupo Pereira — R$ 15,3 bilhões
  • Mart Minas & Dom Atacadista — R$ 11,4 bilhões
  • Cencosud Brasil — R$ 11,2 bilhões
  • Grupo Koch — R$ 10,3 bilhões

O ranking confirma a força das empresas que apostaram no modelo de atacarejo, formato que combina características de atacado e varejo e privilegia vendas em maior volume, estrutura operacional mais enxuta e preços competitivos. É esse padrão que vem puxando o crescimento de boa parte das redes que mais avançaram nos últimos anos.

A liderança do Carrefour reflete a estratégia de operar em diferentes formatos, incluindo o Atacadão, principal braço da companhia nesse segmento. O Assaí, por sua vez, consolidou sua presença nacional apostando exclusivamente no atacarejo. Já o Grupo Mateus aparece como destaque pela força regional, especialmente no Norte e no Nordeste.

Se de um lado algumas redes ampliam mercado e consolidam escala, de outro há grupos tradicionais sob pressão. O caso que mais chama atenção é o do GPA, dono de bandeiras como Pão de Açúcar e Extra, que anunciou processo de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas. A empresa informou que a medida não afeta a operação das lojas nem a relação com fornecedores e clientes.

Segundo a Abras, o setor supermercadista brasileiro movimentou mais de R$ 1 trilhão em 2024, o equivalente a cerca de 9% do PIB. O dado ajuda a dimensionar o peso econômico de um segmento em que escala, eficiência operacional e capacidade de adaptação ao consumidor passaram a ser fatores decisivos para definir quem cresce, e quem perde espaço.

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