Bitcoin cai com tarifas dos EUA e tensão com Irã
23 fevereiro 2026 às 18h56

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O Bitcoin (BTC) voltou a registrar forte volatilidade nesta segunda-feira, 23, pressionado pelas incertezas sobre tarifas nos Estados Unidos e pela escalada das tensões envolvendo o Irã. A maior criptomoeda do mundo caiu mais de 5% durante a madrugada, chegou a US$ 64 mil e, posteriormente, recuperou parte das perdas, voltando à faixa de US$ 66 mil.
O movimento ocorre em meio à instabilidade nos mercados globais após a decisão da Suprema Corte dos EUA de barrar as chamadas “tarifas recíprocas” impostas no ano passado por Donald Trump.
Horas depois, o presidente anunciou novas tarifas globais de até 15% por 150 dias, ampliando a percepção de risco e incerteza comercial. O Bitcoin atingiu US$ 64.270 pouco depois das 21h de domingo e avançou para cerca de US$ 66.300 no fim da manhã desta segunda-feira.
A oscilação acompanhou a volatilidade nos futuros do S&P 500, enquanto o ouro renovou máximas recentes acima de US$ 5.100, refletindo a busca dos investidores por ativos de proteção. No mercado de derivativos, aumentou a demanda por proteção contra novas quedas.
Desde sexta-feira, cresceu o número de contratos em aberto de opções de venda (puts) com preços de exercício em US$ 58 mil, US$ 60 mil e US$ 62 mil na Deribit. Esse movimento indica que operadores estão se preparando para cenários mais negativos no curto prazo.
Dados de blockchain também apontaram a movimentação de grandes volumes de Bitcoin por um investidor de grande porte para uma exchange durante o fim de semana, o que gerou especulações sobre possível venda e contribuiu para a ampliação da volatilidade.
Altcoins despencam e registram liquidações milionárias
As altcoins sofreram quedas ainda mais intensas em um ambiente de liquidez reduzida. A Solana (SOL) e a Sui (SUI) recuaram entre 7% e 8% antes de ensaiarem recuperação. Segundo a CoinGlass, houve cerca de US$ 270 milhões em liquidações apenas entre criptomoedas alternativas.
O cenário reforça a aversão ao risco no mercado cripto, com investidores reduzindo exposição a ativos considerados mais voláteis. Para Rony Szuster, Head de Research do Mercado Bitcoin, os dados mostram predominância de vendas no acumulado semanal.
Segundo ele, o Bitcoin perdeu o suporte na região de US$ 66.700 e, caso a pressão continue, pode buscar a faixa de US$ 61 mil, o menor nível desde outubro de 2024. Já a analista técnica e trader Ana de Mattos avalia que o movimento pode ser ainda mais profundo.
Diante do sentimento de “medo extremo”, o Bitcoin pode testar zonas de liquidez em US$ 60 mil e até US$ 53 mil, patamar que representaria o nível mais baixo desde fevereiro de 2024. Por outro lado, em caso de recuperação, as resistências técnicas estão em US$ 72 mil e US$ 75.500.
ETFs de Bitcoin registram saídas
Os fluxos em ETFs de Bitcoin também seguem no radar do mercado. Na última semana, os fundos registraram a quinta sequência consecutiva de saídas líquidas, acumulando cerca de US$ 315 milhões negativos, apesar de uma entrada pontual de US$ 88 milhões na sexta-feira.
Os dados indicam compras irregulares e ausência de demanda consistente. Enquanto isso, a Strategy, maior empresa listada com reservas em Bitcoin, anunciou a compra de mais 592 BTC por US$ 39,8 milhões, ao preço médio de US$ 67.286 por unidade.
A companhia agora detém 717.722 BTC, adquiridos por US$ 54,56 bilhões, com preço médio de US$ 76.020 por moeda. Com o Bitcoin negociado perto de US$ 66 mil, a posição representa perda não realizada de aproximadamente US$ 10 mil por unidade, ou cerca de US$ 7 bilhões no total.
As ações da empresa recuavam 2,33% às 10h40 e acumulam queda próxima de 55% em 12 meses. Além das tarifas comerciais dos EUA, investidores acompanham a temporada de balanços corporativos, incluindo os resultados da Nvidia previstos para quarta-feira, e a evolução do preço do petróleo diante do risco de escalada militar no Oriente Médio.
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