Fundador da igreja Sara Nossa Terra, o físico e bispo goiano Robson Rodovalho, ou simplesmente Bispo Rodovalho, é tido como um dos aliados e amigos do meio evangélico mais antigos do ex-presidente Jair Bolsonaro. A relação de amizade e aconselhamento espiritual dos dois teria começado há mais de 20 anos, quando ambos eram deputados em Brasília.

Rodovalho foi nominalmente citado pela defesa de Bolsonaro, em um pedido enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), para visitar o ex-presidente na prisão e prestar “assistência religiosa”.

O bispo, que também é físico por formação, nasceu em Anápolis, mas morou boa parte de sua vida em Goiânia. Ele também lecionou na Universidade Federal de Goiás (UFG), antes de fundar a Comunidade Evangélica, que posteriormente viria a se tornar a Sara Nossa Terra.

Rodovalho, ao contrário de outros conselheiros espirituais e políticos de Bolsonaro, como Cilas Malafaia, tem um perfil mais discreto e moderado. Mas ao longo da trajetória do amigo Bolsonaro, esteve presente, prestando principalmente o que chamou de auxílio espiritual para “fortalecimento da fé”. A fé, inclusive, é um dos aspectos nos quais, segundo ele, o ex-presidente mais precisa trabalhar na atual conjuntura, quando cumpre mais de 27 anos de prisão por planejar e liderar uma tentativa de golpe de Estado.

Robson Rodovalho e Jair Bolsonaro | Foto: Acervo pessoal

Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, o bispo revelou que esteve na casa de Bolsonaro para aconselhá-lo e consolá-lo poucos dias antes de sua prisão, quando o ex-chefe do Executivo federal ainda estava no regime domiciliar.

“Fui pra ajudá-lo, para levantar a mente, suas emoções. Uma pessoa que cai numa situação dessas, qualquer ser humano que cai assim, pode entrar num momento de conflito e depressão. É preciso fazer um trabalho de fortalecimento da fé, que é o mais importante”, disse.

Questionado sobre a condenação de Bolsonaro, o religioso se referiu à postura do STF como “controversa”. “O STF firmou posição sobre um entendimento, sobre essa compreensão, que foi um elemento estranho ao direito, à doutrina do direito tradicional. Foi um ponto fora da curva. Foi a primeira vez na história que a jurisprudência adota um posicionamento desses”, avaliou.

Rodovalho também comparou a prisão de Jair Bolsonaro à de Nelson Mandela, ativista e político sul-africano que se tornou um dos maiores símbolos na luta contra o regime segregacionista do Apertheide, permanecendo na cadeia por 27 anos por sua militância.

“Mandela estava preso, mas sua mente estava livre. Eles têm algo em comum que é a truculência que sofreram. Ambos sofreram um processo de criminalização muito truculento e injusto, na minha visão”, comparou.

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