A ideia de que mosquitos teriam preferência por pessoas com determinados tipos sanguíneos, como O ou A, é bastante difundida, mas ainda não encontra consenso na literatura científica. A avaliação é de especialistas ouvidos pelo portal Metrópoles, que apontam resultados divergentes nos estudos já realizados sobre o tema.

Embora os mosquitos tenham importância ecológica, por atuarem na polinização e integrarem a cadeia alimentar de outros animais, são as fêmeas que costumam picar seres humanos para obter nutrientes necessários ao desenvolvimento dos ovos.

Segundo o biólogo parasitólogo Filipe Abreu, professor do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG), não há evidências consistentes de que um tipo sanguíneo específico seja mais atrativo de forma geral. Ele destaca que o termo “mosquito” abrange espécies diferentes, cada uma com comportamentos próprios.

De acordo com o especialista, experimentos conduzidos em laboratório em diferentes países já tentaram responder a essa questão, mas os resultados variaram. Parte das pesquisas aponta maior atração do Aedes aegypti por pessoas com sangue tipo B. Outros estudos sugerem preferência pelo tipo O, enquanto alguns não identificaram diferença relevante entre os grupos sanguíneos.

Ainda segundo Abreu, em certos trabalhos essa possível atração chegou a ser associada à fecundidade das fêmeas, ou seja, à quantidade de ovos produzidos após a alimentação.

Hoje, a hipótese mais aceita para explicar por que algumas pessoas são mais picadas está relacionada à composição química da pele e do suor. Substâncias voláteis e ácidos liberados pelo corpo funcionariam como atrativos para os insetos.

A bióloga Clair Aparecida Viecelli explicou ao Metrópoles que os mosquitos não enxergam da mesma forma que os humanos. A percepção visual deles é mais voltada para cores, intensidade e direção da luz. Já a localização das pessoas depende principalmente de estruturas sensoriais altamente desenvolvidas, chamadas sensilas.

Essas estruturas ficam concentradas sobretudo nas antenas, no aparelho bucal e nas pernas, permitindo que o inseto detecte gás carbônico, odores da pele e até vibrações sonoras. Segundo a especialista, os mosquitos conseguem perceber o CO2 liberado na respiração humana a longa distância.

Na avaliação de Filipe Abreu, fatores como odor corporal, composição do suor, microbiota da pele e características individuais têm muito mais influência sobre a quantidade de picadas do que o tipo sanguíneo.

Quando a picada exige atenção

Ao picar, o mosquito injeta proteínas na pele, o que provoca reação do organismo. Esse processo costuma causar vermelhidão, inchaço e coceira, geralmente sem maior gravidade. Em alguns casos, no entanto, a resposta pode ser mais intensa.

O dermatologista Joaquim Xavier, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, afirmou ao Metrópoles que pessoas muito sensíveis podem desenvolver reações alérgicas mais relevantes, com inchaço extenso ou urticária generalizada. Ele também alerta que alguns mosquitos podem transmitir doenças virais, a depender da espécie e da região em que circulam.

Entre os cuidados recomendados para evitar complicações estão não coçar a área afetada, lavar o local com água e sabão neutro e, em casos de maior irritação, recorrer a cremes calmantes. Para prevenção, a orientação é usar repelente, roupas que cubram a pele e telas em portas e janelas em ambientes com grande presença de mosquitos.

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