Cida Almeida é, acima de tudo, poeta. Sua alma é de poeta. Mesmo quando faz reportagem, jornalismo literário ou não, percebe-se, de cara, o fraseado — o ritmo, a musicalidade — da artífice de versos.

Como é tão múltipla quanto Mário de Andrade — talvez não trezentos e cincoenta, e sim quinhentos e cincoenta —, é uma usina de criar artes. E sempre muito bem.

Por ser múltipla, Cida Almeida não se contenta em ser apenas poeta, jornalista, prosadora, atriz, dramaturga, crítica literária (e amante da natureza). É isto e muito mais. É uma espécie de vinho que a arte rejuvenesce.

Cida Almeida parece ser tímida. No fundo, não é. Na verdade, é um vulcão em permanente erupção criativa. Mas não é o grito, a militância, que a faz forte. É sua alma de artista, insistamos, múltipla. A poeta (e tudo mais) está sempre criando, como se tivesse vários cérebros e todos trabalhassem ao mesmo tempo.

Agora, como atriz, apresentará o monólogo “Sonhei com a Minha Mãe”, que define como “uma travessia poética sobre memória, corpo e silêncio”.

Cida Almeida foto de Lu Barcelos
Cida Almeida: atriz de teatro | Foto: Lu Barcelos

Os atores-atrizes sabem que monólogo não é uma arte fácil. Porque a atriz (ou o ator) precisa segurar o tema da peça sem um parceiro para auxiliá-la, protegê-la e complementá-la. O monólogo é um estar só no mundo. O ator, seu personagem, é acompanhado tão-somente do público, que que se torna ator-coadjuvante, de alguma maneira.

O monólogo “Sonhei com a Minha Mãe”, escrito e interpretado por Cida Almeida, será exibido na terça-feira, às 10h30, na Biblioteca do Sesc Centro, na Rua 15, Setor Central, em Goiânia. A direção é de Valéria Braga e a produção é de Alinne Vieira. (Como o horário não é muito bom, espera-se que Cida Almeida dê uma chance ao público e exiba o espetáculo noutros horários e em mais dias.)

No release diz-se que “o espetáculo nasce do encontro entre memória e invenção”. O monólogo incluiu a história a família mezzo guimarãesrosiana de Cida Almeida — que trocou o sertão de Minas pelo, por assim dizer, sertão de Goiás (o sertão, por sinal, não é apenas geográfico; é também imaginário e, por isso, está em todo lugar, até na alma). Sim, uma viagem de carro de boi — assim como andava Couto de Magalhães pelas terras de Goiás no século 19.

“Entre silêncios, coragem e transgressão, revelam-se fissuras e desejos que atravessam gerações.” Trajetórias individuais que, aqui e ali, são coletivas.

“A narrativa se constrói como uma viagem sensorial”, na qual “camadas de pele, memória e emoção se encontram até a nudez do desamparo — e também a força das vozes ancestrais femininas que ainda sussurram no presente”.

Cida Almeida é autora de “Flor da Pedra”, poesia, e “Na Varanda de Riobaldo”, prosa. São livros de alta qualidade. A poesia é de alto nível.

Serviço sobre Sonhei com a Minha Mãe

Peça/monólogo: Sonhei com a Minha Mãe

Texto e atuação: Cida Almeida

Direção: Valéria Braga

Produção: Alinne Vieira

Data: 9/12/2025

Horário: 10h30

Local: Biblioteca do Sesc Centro

Endereço: Rua 15, Setor Central, Goiânia.