A banda goiana Terra Cabula lança nesta segunda-feira, 23, o primeiro álbum da carreira após uma década de trajetória nos palcos. Intitulado ‘ARREDA’, o disco chega às principais plataformas de streaming e ao YouTube como um manifesto artístico que reafirma a potência das religiões de matriz africana, celebra a ancestralidade negra e fortalece a cena musical independente de Goiás. 

Formado em 2015, em Goiânia, o grupo é composto por Vinicius Bolivar (voz e composição), Ingrid Lobo (guitarra e voz), Emanuel Mastrella (contrabaixo e composição) e Lene Black (percussão). Ao longo dos últimos dez anos, a banda consolidou presença em festivais regionais e conquistou reconhecimento ao vencer o 1º lugar no Festival Canta Cerrado 2016 com ‘Mulher Demônia’ e alcançar o 2º lugar na edição de 2017 com ‘Vários Lagos’.

Além disso, o nome Terra Cabula remete à fusão de elementos que moldam a identidade cultural e religiosa brasileira, sendo “cabula” referência às estratégias de resistência dos negros escravizados para manter viva sua cultura diante da colonização cristã.

Agora, com ARREDA, o grupo materializa em oito faixas autorais inquietações acumuladas ao longo dos anos. Entre jongo, maracatu, coco, samba, baião e ijexá, misturados a intervenções eletrônicas e guitarras distorcidas, o álbum constrói uma travessia espiritual e existencial.

Nesse contexto, Vinicius Bolivar define o trabalho como enfrentamento direto às opressões: “É palavra de ordem para quem quer nos oprimir: aqui não. Não mais. Não passarão sobre nossos corpos, nossa fé, nossa arte, nossa história. É o pedido de basta ao racismo religioso, à homofobia, ao feminicídio, ao machismo, ao racismo e à misoginia”, destaca o artista.

Por sua vez, Lene Black reforça o posicionamento político e cultural do grupo. “É nessecontexto de luta que o Terra Cabula canta resistências e embrenha-se no solo fertilizado com sangue e suor do povo preto”, afirma.

Leia também:

México vive caos com bloqueios e incêndios após morte do narcotraficante ‘El Mencho’

Hytalo Santos e marido são condenados por exploração sexual de adolescentes