Profissão em alta: babás de luxo podem receber mais de R$ 20 mil mensais
12 março 2026 às 14h30

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Cuidar de crianças é uma atividade comum em milhares de lares brasileiros, mas um nicho específico tem chamado atenção pelo alto padrão de exigências e pelos salários elevados. Conhecidas como “babás de luxo”, essas profissionais são contratadas por famílias de alto poder aquisitivo e podem receber remunerações que ultrapassam R$20 mil por mês, além de benefícios como viagens internacionais e moradia.
A curiosidade sobre a profissão ganhou força nas redes sociais nesta semana após a influenciadora Virginia Fonseca e o cantor Zé Felipe abrirem uma vaga de babá para o filho caçula, José Leonardo, com salário de R$ 18,5 mil. A contratação ocorre após a saída da antiga profissional responsável pelos cuidados do bebê, conhecida nas redes sociais como “Tia Vil”.
A divulgação chamou a atenção dos seguidores por conta das exigências do cargo. Entre os requisitos divulgados estão a formação superior em enfermagem, experiência comprovada na área, passaporte válido e disponibilidade para viagens internacionais.
A especialista em recrutamento e treinamento de babás, da Agência Abelhinhas, Amanda Vilarinho, explica que ser babá exige especialização como qualquer outra profissão. “Eu falo que a minha maior missão é fazer com que essas profissionais entendam que quanto mais especialização, quanto mais conhecimento desse mundo materno, infantil, melhor. Melhora a remuneração. Melhora, de certa forma, a visão do mercado sobre a profissional babá que antes era vista como uma subprofissão”, explicou.
Muitas pessoas procuram entender o que é necessário para alcançar esse nível na profissão de babá. Segundo a especialista do setor, além da formação, geralmente em pedagogia ou enfermagem, a experiência comprovada é um dos principais requisitos.
“Muita gente nos procura para entender o que é, o que precisa para chegar nesse nível. E eu digo que precisa de formação, claro, pedagogia ou enfermagem, mas principalmente experiência comprovada”, afirma.

Para quem deseja começar na área, Amanda explica que é fundamental buscar cursos, especializações e adquirir prática profissional. A especialista também destaca que cada profissional costuma atuar com uma fase específica da infância. De acordo com ela, a formação influencia diretamente no tipo de trabalho desempenhado. “Uma técnica de enfermagem trabalha com bebês, uma pedagoga trabalha com crianças. Já uma babá pedagoga atua com crianças maiores, porque vai desenvolver atividades, organizar uma rotina de brincadeiras e propor atividades lúdicas”, explica.
Ela ressalta ainda que a procura por profissionais qualificados tem crescido entre famílias de alto padrão. “Cada vez mais as famílias de alto padrão procuram babás boas, com experiência e com especialização, para ganhar salários tão atrativos quanto esse (faz referência ao salário oferecido por Virginia e Zé Felipe)”, conclui.
Eny Lemos, de 57 anos, é babá há 35 anos. Começou ainda novinha, no Tocantins. Ao Jornal Opção, ela relatou que sempre amou crianças e por isso se interessou pela profissão. A medida que foi crescendo, ela realizou cursos técnicos para se especializar na área. “Eu fui especializando, fazendo os cursos… Eu fiz curso de recém-nascido, criança e adolescente. Aí eu trabalhei muitos anos, 35 anos como babá. Eu criei os filhos, aí os filhos cresceram e eu criei os netos”, contou.
Ela relata que o mercado sofreu muitas mudanças ao longo dos anos. Uma das principais diferenças observadas por Eny é a forma como os pais dão autonomia às babás. “Olha, eu via que as mães não gostavam que as babás educassem as crianças, brigassem ou colocassem castigo. Hoje está melhorando. Agora, nesses anos todos que eu trabalhei, eu sempre tive essa liberdade”, relatou.
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