Pesquisadores anunciaram a identificação de um planeta de dimensões próximas às da Terra que pode estar situado em uma zona com condições mínimas para a existência de água líquida. Batizado de HD 137010 b, o corpo celeste está a cerca de 150 anos-luz do nosso planeta, na Via Láctea, e ainda é classificado como “candidato”, dependendo de novas observações para confirmação definitiva.

A descoberta foi conduzida por cientistas da University of Southern Queensland, em colaboração com especialistas da Harvard University e da University of Oxford. Os resultados foram publicados na revista científica Astrophysical Journal Letters.

De acordo com o estudo, o HD 137010 b possui diâmetro cerca de 6% maior que o da Terra e orbita sua estrela a uma distância semelhante à que separa Marte do Sol. Essa característica levou os pesquisadores a descrevê-lo como um ponto intermediário entre os dois planetas do Sistema Solar.

Por estar posicionado na chamada zona habitável, faixa orbital em que as temperaturas podem permitir água em estado líquido, o planeta despertou interesse da comunidade científica. Ainda assim, especialistas alertam que esse fator, isoladamente, não garante condições favoráveis à vida.

O astrônomo Alex Venner, autor principal do estudo, afirma que há aproximadamente 50% de probabilidade de o planeta apresentar condições compatíveis com habitabilidade. Segundo ele, o HD 137010 b se encontra “no limite do que se considera possível” dentro dos critérios atuais da astronomia.

Apesar do potencial, os dados indicam que a estrela em torno da qual o planeta orbita é menos luminosa e mais fria que o Sol. Isso significa que o HD 137010 b recebe menos de um terço da energia que chega à Terra, o que impacta diretamente as estimativas de temperatura.

Ambiente hostil

Modelos preliminares sugerem que a temperatura máxima na superfície do planeta poderia atingir cerca de -68 °C, patamar semelhante ao registrado em Marte, cuja média gira em torno de -65 °C. Esses números indicam que, mesmo em um cenário favorável, a presença de vida como conhecemos ainda seria improvável.

Os cientistas destacam que, por ora, o HD 137010 b permanece na categoria de candidato, pois é necessária ao menos mais uma observação independente para confirmar sua existência. Somente após essa etapa será possível avançar em análises mais precisas sobre atmosfera, composição e real potencial de habitabilidade.

A equipe responsável afirma que novas medições devem ser realizadas nos próximos anos, o que poderá esclarecer se o planeta reúne, de fato, condições mínimas para sustentar água líquida e, em tese, alguma forma de vida.

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