Apreensão de celulares em presídios de Goiás cai quase 100% em sete anos, afirma Polícia Penal
21 janeiro 2026 às 15h13

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A apreensão de celulares dentro dos presídios de Goiás caiu 99,5% entre 2018 e 2025, segundo dados da Polícia Penal de Goiás. O número de aparelhos flagrados com detentos despencou de 6.192, em 2018, para apenas 28 no ano passado. A corporação destaca que as unidades prisionais sob sua gestão não possuem pontos de energia elétrica, o que inviabiliza o uso de celulares no interior das celas.
A redução expressiva integra o balanço do controle carcerário apresentado na segunda-feira, 19, durante evento do Governo de Goiás que divulgou a queda nos índices de criminalidade. Este foi o sétimo ano consecutivo de melhora nos indicadores relacionados à segurança dentro do sistema prisional goiano.
Além dos celulares, outros indicadores negativos também apresentaram forte queda. O número de motins caiu 95,2% no período analisado, passando de 43 registros, em 2018, para apenas dois em 2025. Já a apreensão de drogas teve redução de 98,7%, de 175 quilos para 2,2 quilos.
Para o diretor-geral da Polícia Penal, Josimar Pires, os dados refletem um conjunto de medidas estruturais adotadas ao longo dos últimos anos. “Não são apenas números frios. São resultados que impactam diretamente a segurança dentro das unidades e são sentidos por toda a sociedade”, afirmou ao Jornal Opção.
Dos 28 celulares apreendidos em 2025, 17 foram interceptados antes de chegarem às mãos dos detentos. Os flagrantes ocorreram durante tentativas de entrada por meio de drones, visitantes ou arremessos por cima dos muros. Segundo Josimar Pires, esse dado demonstra o fortalecimento do controle nas áreas externas e nos acessos às unidades.
Outro indicador que reforça essa avaliação é o número de visitantes presos ao tentar entrar com ilícitos. Em 2018, foram 350 flagrantes. Em 2025, apenas dois casos, queda de 99,4%. “Parte dos celulares e das drogas entrava pelas mãos dessas pessoas. Quando reduz um indicador, o outro também cai”, explicou o diretor-geral.
Entre os fatores apontados pela Polícia Penal para a mudança de cenário está a instalação de scanners corporais em todas as 85 unidades prisionais de Goiás. Os equipamentos funcionam de forma semelhante aos utilizados em aeroportos e permitem a revista de visitantes, servidores e materiais sem contato físico. O investimento do Estado na locação dos últimos scanners é de R$ 22,9 milhões por cinco anos.
Segundo Josimar Pires, a tecnologia teve forte efeito inibidor. “O scanner não apenas apreende o ilícito. Ele desestimula a tentativa. Basta ver que saímos de cerca de 300 pessoas flagradas em 2018 para apenas duas em 2025”, afirmou.
Ele reconhece que houve estranhamento inicial com a mudança dos procedimentos, sobretudo por parte da população carcerária e de visitantes, mas avalia que o processo de adaptação foi superado. “Toda mudança gera resistência, principalmente quando altera práticas antigas. Hoje, o procedimento está consolidado”, disse.
Outro ponto central foi a implantação do Procedimento Operacional Padrão (POP) da Polícia Penal, iniciado em 2019 e adotado em todas as unidades até 2020. O POP reorganizou rotinas internas, como vistorias, deslocamentos e banho de sol dos presos, que passaram a ocorrer de forma segmentada por alas.
“Antes, uma unidade com mil presos colocava todos ao mesmo tempo no banho de sol. Hoje, isso é feito de forma controlada, reduzindo riscos e a possibilidade de tumultos”, explicou Josimar Pires. Segundo ele, o maior controle dos ambientes diminui a chance de motins, que muitas vezes começam como pequenos tumultos.
Nos últimos sete anos, o Governo de Goiás investiu cerca de R$ 194 milhões na criação de 2.490 novas vagas prisionais. Para 2026, está prevista a entrega de mais mil vagas, com aporte aproximado de R$ 90 milhões. Já foram publicados editais para a construção de novas unidades prisionais em Goianésia e Catalão.
Além da infraestrutura, o Estado também aposta no reforço do efetivo. Um novo concurso público prevê a convocação de 400 policiais penais já a partir de março de 2026. A expectativa é que, até 2027, cerca de 1.600 novos profissionais ingressem na carreira, ampliando a capacidade de controle e segurança do sistema penitenciário no Estado.
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