Aposentados e trabalhadores vão às ruas em Goiânia em defesa da Previdência Pública
22 janeiro 2026 às 12h10

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O aposentado José Vicente veio de Sanclerlândia, cidade que fica a 136 km de Goiânia, para se juntar aos outros manifestantes. O ato em defesa da “Previdência Pública” mobilizou aposentados, trabalhadores, dirigentes sindicais e lideranças políticas nesta quinta-feira, 22, na Praça do Bandeirante, em Goiânia. Todos os presentes também celebraram o Dia do Aposentado, que é comemorado no dia 24 de janeiro, e os 103 anos da Previdência Social no Brasil.
José atuou na educação de Goiás por 32 anos, como professor de Química, Física e Educação Física e se aposentou em 2016. A busca por melhorias aos futuros aposentados o levou para as ruas. “A gente só consegue as coisas lutando. Nunca um governo deu as coisas de graça para ninguém. A proposta até é feita durante a campanha, mas depois não se cumpre. Então essa é a luta de sempre”, afirma José Vicente.

Presente na manifestação, o secretário de finanças da CUT – Central Única dos Trabalhadores, Napoleão Costa, explicou que o ato está no calendário de lutas da entidade. “A Previdência Social do Brasil foi criada para garantir a todo trabalhador, toda trabalhadora do setor público, do setor privado, do campo, da cidade, o direito à aposentadoria, o direito de ter vida após o labor”, contextualiza ao Jornal Opção.
Ainda de acordo com Napoleão Costa, todos ali presentes vão continuar defendendo a Previdência Pública, pois fazendo isso estarão defendendo a vida das pessoas. “Essa luta faz parte da defesa da dignidade, da soberania e do respeito às pessoas que nós sempre devemos ter. E nós cobramos isso aos nossos governantes”, completa.
A atividade é uma iniciativa do Sintfesp-GO/TO e uma realização do Fórum Goiano em Defesa dos Direitos, da Democracia e da Soberania, com o apoio das centrais sindicais CUT, CTB, UGT, CSB, Intersindical, CSP-Conlutas, da Unidade Classista e da Central de Movimentos Populares (CMP-GO).
Autoridades políticas
O vereador de Goiânia Edward Madureira (PT) estava na manifestação, pois segundo ele, a luta precisa acontecer de maneira justa, porque as reformas da previdência têm sido muito danosas.
Agora a gente entra na luta pelo fim da escala 6 por 1 e a gente precisa, mais do que tudo, eleger representantes que defendam a causa do trabalhador
Ainda de acordo com o vereador, ver os trabalhadores se unindo é essencial para a melhoria social. “A gente está aqui também por isso. Ver de perto e participar da mobilização, conversar com as pessoas que fazem os movimentos. Pois, são eles que sentem na carne todo dia os efeitos das políticas contrárias ao trabalhador”, finaliza.

Luta histórica
A Previdência Social brasileira é fruto de décadas de luta da classe trabalhadora. Seu marco inicial foi a Lei Eloy Chaves, de 1923, que criou as Caixas de Aposentadorias e Pensões para trabalhadores das ferrovias. Ao longo das décadas seguintes, especialmente durante os anos 1930 e 1940, os direitos previdenciários foram ampliados com a criação dos Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAPs), organizados por categorias profissionais.
A consolidação desse processo ocorreu com a Constituição Federal de 1988, que instituiu a Seguridade Social, integrando Previdência, Saúde e Assistência Social, com base nos princípios da solidariedade, universalidade, financiamento tripartite e justiça social. A Carta Magna reconheceu a Previdência como direito social fundamental, essencial para garantir proteção diante da velhice, da invalidez, da doença e da morte.
Desde a década de 1990, porém, sucessivas contrarreformas neoliberais vêm restringindo direitos, elevando idade mínima, tempo de contribuição e reduzindo o valor dos benefícios, sempre sob o argumento do “ajuste fiscal”. Diante desses ataques, sindicatos, federações, confederações e centrais sindicais têm protagonizado uma luta permanente de resistência e defesa da Previdência pública, denunciando a falsa narrativa do déficit e combatendo tentativas de privatização e mercantilização do sistema.
Bandeiras defendidas no ato público
- Previdência Social pública, solidária e universal
A Previdência deve permanecer como direito social e dever do Estado, garantindo proteção a toda a população trabalhadora. - Valorização das aposentadorias e pensões
Defesa de reajustes justos, com reposição das perdas inflacionárias, especialmente para quem recebe acima do salário mínimo. - Combate aos retrocessos das reformas previdenciárias
Rejeição às reformas que aumentam idade mínima, tempo de contribuição e reduzem direitos conquistados. - Não à privatização e à capitalização
Repúdio a modelos que transferem a Previdência ao mercado financeiro e colocam em risco a renda dos aposentados. - Aposentadas e aposentados como sujeitos de direitos
Garantia de acesso à saúde pública, assistência social e políticas de proteção social. - Auditoria da dívida e das contas da Previdência
Denúncia da falsa narrativa do déficit previdenciário e defesa da transparência no uso dos recursos. - Financiamento justo da Seguridade Social
Combate à sonegação, cobrança dos grandes devedores e fim das renúncias fiscais que drenam recursos do sistema. - Fortalecimento do SUS e dos direitos trabalhistas
Reconhecimento de que muitos adoecimentos na aposentadoria são consequência das condições de trabalho. - Defesa do serviço público, da democracia e dos direitos sociais
A Previdência pública é parte indissociável de um Estado comprometido com justiça social. - Contra a PEC 38/2025 (contrarreforma administrativa)
A proposta precariza o serviço público, fragiliza a estabilidade, amplia a terceirização e ameaça direitos de servidoras e servidores municipais, estaduais e federais, comprometendo a qualidade dos serviços prestados à população.
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