“Caríssimos e caríssimas, hoje eu venho convidar vocês a celebrar o último final de semana da Casa Liberté”. Foi com essas palavras que o jornalista e produtor cultural Heitor Vilela, de 31 anos, anunciou, em vídeo publicado nas redes sociais na semana passada, que seu bar fecharia as portas.

Fundada em 2018, a Casa Liberté nasceu em um casarão localizado na Rua 19, no Centro, ao lado do Colégio Lyceu de Goiânia. Em 2021, o ponto passou para a Rua 8, no mesmo bairro. O endereço mudou, mas a essência e o objetivo do local, segundo Heitor, ainda eram os mesmos: ser um “ponto seguro de encontro” para pessoas progressistas se divertirem e celebrarem a vida na capital.

Em entrevista ao Jornal Opção, o empresário relembra que o estabelecimento foi aberto pouco antes das eleições de 2018, época que Goiás e o Brasil atingiam o auge da polarização política. O fenômeno, consequentemente, resultava em episódios de discussões acaloradas e até de violência.

“Havia uma demanda muito específica que era a de um espaço seguro de encontro para pessoas mais progressistas. Foi pouco antes da vitória do Bolsonaro, porque as pessoas estavam com medo de frequentar outros bares. Havia uma crescente de violência”, detalha.

E ao longo de sete anos, a Casa Liberté se tornou, de fato, um ponto de encontro de pessoas de diferentes tribos, idades e estilos. Com suas apresentações de música ao vivo e cadeiras espalhadas pela calçada da Rua 8, o local passou a ser visto como uma espécie de “reduto progressista” do Centro de Goiânia.

O local era frequentado, inclusive, por diversos políticos com viés de esquerda como os vereadores Aava Santiago, Fabrício Rosa, Kátia Maria e a deputada federal Adriana Accorsi.

No entanto, como tudo no mundo que nasce e morre, a Casa Liberté também encerrou seu ciclo. O último fim de semana (dias 9, 10 e 11 de janeiro) foi também o derradeiro do estabelecimento.

À reportagem, Heitor atribuiu o fechamento a vários fatores. Entre eles, o que chamou de problemas “ainda não sanados” do Centro. “A Rua 8 hoje está muito mais movimentada do que anos atrás. Mas esse movimento não é necessariamente positivo, ele traz problemas também. Nem todos os problemas foram sanados: tem a questão do acúmulo de lixo, da segurança pública”, pontuou.

O produtor cultural também apontou uma certa mudança no perfil dos frequentadores da região – um público mais jovem e que destoaria da essência do bar.

“O público ficou muito jovem. Não é tanto a pegada que a gente quer, porque muda estilo de música, comportamento. Teve uma rejuvenescida no pública e isso me fez não me reconhecer mais ali”, disse.

Heitor, porém, tem outros projetos à vista. Ele revelou estudar a possibilidade de, ainda no Centro, abrir um espaço de shows voltado para o público alternativo. A proposta, contudo, está está no campo das ideias.

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