Ao Jornal Opção, presidente do INSS fala sobre escândalo de fraudes no instituto: “Missão é reparar danos feitos aos idosos”
08 março 2026 às 14h36

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Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção neste domingo, 8, o presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Júnior, falou sobre o escândalo de fraudes e desvios no instituto, descoberto no ano passado e ainda em investigação e disse que, hoje, “a missão é reparar os danos causados aos idosos”.
Waller Júnior está na capital goiana para acompanhar um mutirão de atendimento voltado às mulheres em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Durante a visita, ele abordou temas como o combate às fraudes contra aposentados, o ressarcimento às vítimas, mudanças nas regras do crédito consignado e as medidas adotadas pelo órgão para evitar novos escândalos.
Segundo Waller Júnior, o INSS já devolveu cerca de R$ 2,9 bilhões a aposentados e pensionistas que sofreram descontos indevidos. “Mais de 4,3 milhões de pessoas já receberam esse valor. É o maior ressarcimento administrativo da história”, afirmou. Ele explicou que o processo de reparação começou poucas semanas após a operação que investigou as fraudes e que os pagamentos tiveram início em julho.
6,2 milhões de aposentados afetados
De acordo com o presidente do órgão, o número de pessoas que procuraram o INSS para contestar os descontos superou as estimativas iniciais da investigação conduzida na Operação Sem Desconto. Inicialmente, a apuração indicava que cerca de 4,1 milhões de beneficiários poderiam ter sido afetados, mas o total de contestações chegou a 6,2 milhões.
Waller explicou que o processo de ressarcimento ocorre de forma simplificada. “O cidadão apenas confirma a adesão ao ressarcimento e o valor é depositado automaticamente. Não há burocracia nem necessidade de juntar documentos”, afirmou.
Segundo ele, após a confirmação do segurado de que deseja receber o valor de volta, o pagamento é realizado em até três dias, diretamente na conta em que o beneficiário recebe o pagamento do INSS.
“Após o contato com o segurado e a confirmação de que ele quer o ressarcimento, o depósito é feito em até três dias na própria conta em que ele recebe o benefício”, explicou.
Ainda conforme o presidente do INSS, a medida é considerada o maior ressarcimento administrativo já realizado pelo Estado brasileiro, pois o próprio governo tomou a iniciativa de devolver os valores antes da conclusão de processos judiciais.
Os recursos utilizados para pagar os aposentados foram liberados por meio de uma medida provisória autorizada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com aval do Supremo Tribunal Federal (STF). Paralelamente, o governo busca recuperar o dinheiro desviado.
Fraudes e mudanças nas regras
Waller Júnior assumiu o comando do INSS após investigações sobre fraudes envolvendo descontos em benefícios de aposentados e pensionistas. Ele afirmou que recebeu a missão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de reparar os danos causados às vítimas.
“Fomos chamados para essa missão de reparar os danos feitos a esses idosos. Em vez de discutir judicialmente, decidimos pagar e depois correr atrás de quem roubou esse dinheiro”, declarou.
Entre as medidas adotadas para evitar novos casos, o presidente destacou o fim do desconto associativo na folha do INSS, autorizado por nova legislação. “Não existe mais a possibilidade de fazer desconto associativo na folha do INSS”, afirmou.
Além disso, o órgão também endureceu regras para o crédito consignado. “Agora há impossibilidade de vender qualquer produto junto com o consignado do INSS. Estamos trazendo regras mais duras para reduzir fraudes”, explicou.
Caso Banco Master
Waller Júnior também comentou o caso envolvendo o Banco Master. Segundo ele, o próprio INSS foi responsável por identificar irregularidades e suspender operações da instituição.
“O INSS foi o primeiro órgão a detectar a irregularidade do Banco Master. Em 18 de setembro, impedimos que o banco fizesse consignados para nossos aposentados”, afirmou.
Ele acrescentou que valores descontados após a intervenção na instituição estão sendo retidos para garantir a devolução aos beneficiários. “Nenhum dinheiro descontado está sendo repassado ao liquidante, justamente para garantir a devolução aos aposentados e pensionistas”, disse.
Participação na CPMI
O presidente do INSS também avaliou como positiva sua participação na CPMI que investiga fraudes no sistema previdenciário. Segundo ele, a presença no colegiado foi importante para esclarecer as ações adotadas pelo órgão.
“Foi uma oportunidade de explicar todas as medidas que estamos tomando para enfrentar as fraudes e proteger os aposentados.”
Mobilização Nacional
A visita do presidente do INSS à capital goiana ocorreu durante um mutirão nacional de atendimento. De acordo com ele, cerca de 13 mil pessoas foram agendadas em todo o país, com prioridade para mulheres em Goiânia. “Estamos dando prioridade para atender as mulheres em comemoração ao seu dia, garantindo um tratamento digno e adequado”, disse.
Durante a entrevista, Waller Júnior também comentou os desafios de gestão do órgão e as medidas adotadas para reduzir filas de atendimento. Ele destacou que o INSS passou a adotar um sistema de nacionalização da fila, permitindo que servidores de regiões com menor demanda ajudem a analisar processos de áreas mais sobrecarregadas.
“Nossa grande fila é de benefício de prestação continuada e benefício por incapacidade, concentrada principalmente nas regiões Norte e Nordeste, onde temos menos servidores”, explicou. “Com a nacionalização da fila, servidores de São Paulo, da região Sul e Centro-Oeste conseguem ajudar a reduzir o tempo de análise nesses locais.”
Segundo o presidente, a medida começou a ser testada em janeiro e já apresentou resultados. “Já temos mais de 500 mil casos que conseguimos trazer para um tempo mais razoável de análise”.
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