Anápolis vai começar a produção do Butilbrometo de Escopolamina, uma das principais substâncias utilizadas na fabricação do medicamento Buscopan. Com isso, o país se torna o primeiro da América Latina a fabricar esse Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), enquanto o complexo industrial da Brainfarma se torna a maior produtora mundial do composto.

A inovação ganha mais valor diante do anúncio de que a Alemanha deixará de produzir a substância ainda este ano, o que pode provocar risco de desabastecimento global.

Além de fortalecer a autonomia nacional, a produção em território brasileiro deve reduzir a dependência de importações, um dos principais gargalos do setor. Nesse contexto, a movimentação também posiciona Goiás como protagonista no cenário industrial farmacêutico.

Não por acaso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve em Anápolis na quinta-feira, 26, para visitar o complexo da Brainfarma.

Em entrevista ao Jornal Opção, a conselheira regional do Conselho Regional de Farmácia de Goiás (CRF-GO), Adibe Khouri, destacou a importância da substância e seus efeitos terapêuticos. Segundo ela, “esta é uma substância que relaxa a musculatura, usado para cólicas intestinais, biliares e outras. É uma substância que vem para te tirar esse desconforto.”

Ainda de acordo com a especialista, o composto atua diretamente na musculatura lisa das vísceras, reduzindo contrações responsáveis por dores abdominais. Por isso, seu uso é frequente, sobretudo entre pacientes idosos, que tendem a apresentar maior acúmulo de gases devido à menor atividade física.

Adibe Khouri | Foto: Reprodução

Embora seja o principal componente do Buscopan, o Butilbrometo de Escopolamina não atua sozinho na formulação do medicamento. Conforme explicado por Adibe Khouri, outros elementos são adicionados à composição, como agentes de liberação e substâncias inativas, conhecidas como excipientes, e que auxiliam na absorção e estabilidade do comprimido. Em comparação, ela citou o ácido acetilsalicílico (AAS), presente na aspirina, que também depende de outros compostos para sua formulação final.

Além disso, a produção farmacêutica inclui etapas de quarentena para garantir a qualidade e segurança do medicamento antes da distribuição. Ainda segundo a conselheira, embora o modelo de distribuição e os custos ainda não tenham sido definidos, há expectativa de que o Sistema Único de Saúde (SUS) seja o principal destino inicial.

Ela avalia que, posteriormente, o produto também deve chegar ao mercado privado por meio de distribuidoras. Apesar disso, reforça que, no setor particular, não há exigência de receita específica para aquisição, o que pode facilitar o acesso.

No entanto, o uso da substância exige atenção. Entre os principais efeitos colaterais, estão a redução da pressão arterial, tontura e alterações na visão, como visão embaçada. Por isso, recomenda-se cautela ao dirigir ou operar máquinas. Além disso, o medicamento é contraindicado para gestantes. “É seguro. O mais comum é causar boca seca”. 

Com investimento de R$ 250 milhões e apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Adibe Khouri também ressaltou o impacto da produção local para a economia e a saúde pública. “Ter esse nível de medicamento é maravilhoso e nós estamos trazendo para a nossa casa”, concluiu.

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