Filiada ao PSDB por 20 anos, partido pelo qual militou, foi eleita e reeleita vereadora em Goiânia, Aava Santiago, hoje no PSB, corre o risco de ficar sem mandato justamente por causa de uma ação movida pela legenda tucana.

Procurada, a equipe de Aava Santiago informou que a parlamentar não vai se pronunciar além da nota de imprensa já divulgada. Veja na íntegra ao final da matéria.

O partido de Marconi Perillo recorreu à Justiça Eleitoral pedindo a perda do mandato de Aava, que é pré-candidata a deputada federal, sob a alegação de infidelidade partidária, uma vez que ela deixou a sigla sem a anuência oficial da cúpula tucana.

Conforme especialistas consultados pela reportagem, esse tipo de ação costuma tramitar de maneira célere e pode ter um desfecho antes das eleições de outubro.

Segundo um integrante do corpo técnico do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-GO) ouvido, sob reserva, pelo Jornal Opção, a Lei estipula o prazo de 60 dias para uma decisão da Corte. No entanto, o prazo pode ser estendido devido à inclusão de testemunhas no processo.

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O especialista cita o caso da ex-vereadora Gabriela Rodart, que teve o mandato pedido pelo DC, também por infidelidade partidária. O processo foi protocolado em maio de 2022, mas somente em dezembro o TRE-GO decidiu pela perda do mandato da parlamentar.

“O prazo é impróprio. A Justiça Eleitoral pode ultrapassá-lo de acordo com a necessidade de provas e também do acúmulo de processos do período eleitoral”, explicou.

Prazo de recursos

Após a decisão do TRE-GO, no entanto, ainda há o prazo para recursos. Normalmente, a ação costuma subir para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pode manter ou reformar a decisão do TRE. Nesse caso, ainda conforme o especialista, o recurso costuma ter efeito suspensivo, fazendo com que o parlamentar alvo do processo fique com o mandato até veredito final.

Os prazos da ação começam a correr a partir da citação do parlamentar. No caso de Aava, sua equipe informou que ela ainda não foi notificada. “Até agora, não recebemos nenhum documento e nem tivemos conhecimento do teor do processo”, informou.

Quanto ao tempo total do processo, isso vai depender majoritariamente do andamento na instância superior, no caso, o TSE. “Tem relator que leva um, dois meses [para proferir seu voto]”, comentou o técnico.

Ele destacou que o mais provável é que a ação tenha um desfecho definitivo no começo do ano que vem. Porém, não descartou que a celeridade usual desse tipo de processo leve a uma decisão ainda antes do pleito eleitoral, em outubro deste ano.

Veja o que disse Aava Santiago sobre a ação do PSDB que pode levar à perda de seu mandato:

NOTA À IMPRENSA

A vereadora Aava Santiago, por meio de sua assessoria de imprensa, informa que tomou conhecimento, exclusivamente pela imprensa, de que o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) ingressou com ação envolvendo seu mandato. A parlamentar esclarece que, até o presente momento, não recebeu qualquer citação formal, não teve acesso ao teor da ação e não foi oficialmente comunicada sobre o referido processo.

A situação causa surpresa à vereadora, tanto pelos 20 anos em que foi filiada à legenda quanto pelo fato de que, desde outubro de 2025, vinha mantendo conversas diretas sobre o tema com o presidente licenciado do PSDB em Goiás, Marconi Perillo. Ao longo desse período, ambos dialogaram por chamadas de vídeo e também presencialmente, tratando e alinhando os desdobramentos políticos relacionados ao seu vínculo partidário.

No dia 9 de fevereiro de 2026, em reunião presencial no escritório político de Marconi, Aava foi informada de que o assunto havia sido tratado por ele com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Segundo lhe foi relatado, Marconi sinalizou que a construção de uma carta de anuência seria necessária para viabilizar a liberação da vereadora, considerando um mapa de acertos políticos estabelecido nacionalmente entre as legendas. Esse entendimento envolveria o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, e o Partido Socialista Brasileiro (PSB), em diálogo direto entre Aécio e Geraldo Alckmin.

De acordo com a vereadora, essa informação foi confirmada no dia 10 de fevereiro pelo próprio vice-presidente, o que reforçou a compreensão de que havia um encaminhamento político pactuado. Por essa razão, Aava manifesta surpresa diante dos atuais desdobramentos.

A vereadora afirma que sempre foi dedicada ao partido e ao vínculo construído ao longo dessas duas décadas. Aava reafirma sua tranquilidade diante dos desdobramentos jurídicos e destaca que sua principal dedicação é ao município de Goiânia. Ressalta que seu mandato existe para servir à população da cidade que a tornou a mulher mais votada de sua história e que continuará exercendo, de forma diuturna, um trabalho sério, responsável, reconhecido nas urnas e comprometido com os interesses da capital. É nesse foco que permanecerá.