Aedes aegypti com bactéria natural não transmitem dengue, zika e chikungunya; entenda técnica que será usada no Entorno de Brasília

14 julho 2025 às 14h26

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O Método Wolbachia será implementado em duas cidades goianas nos próximos meses. Este utiliza o próprio mosquito Aedes aegypti para o controle de transmissão da doença, distribuindo mosquitos com a bactéria natural Wolbachia, que impede a transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya. A ação já foi utilizada em 14 países e será adotada em Valparaíso de Goiás e Luziânia.
Ao Jornal Opção, o gerente de implementação da Wolbitos do Brasil, Gabriel Sylvestre, disse que essa bactéria, Wolbachia, é comum na natureza – em baratas, mariposas, borboletas -. A bactéria está presente naturalmente em cerca de 60% dos insetos do planeta. “Aedes aegypti é o vetor dessas doenças, se tem Wolbachia e pica uma pessoa que tem dengue, esse mosquito não se infecta e, portanto, não transmite o vírus para outras pessoas”, explicou.
Os com Wolbachia são chamados de Wolbito. Eles não são transgênicos, a bactéria é passada conforme o mosquito se reproduz. Então, para que os mosquitos que são liberados pela empresa sejam infectados, há um processo mecânico de exposição à bactéria e depois reprodução comum. No local, eles cruzam com os mosquitos da região e a Wolbachia passa para os filhotes. Em cerca de seis meses, acontece “naturalmente uma substituição da população de mosquitos”, disse Gabriel.
“Os próprios mosquitos vão se reproduzindo e trabalhando a favor do método. Eles vão passando Wolbachia para suas proles. Não há nenhum risco à população, ao ser humano, ao meio ambiente, a outros animais. A Wolbachia é uma bactéria que vive dentro da célula do mosquito. Então, de forma alguma, ela consegue sair do corpo do mosquito. Se ele pica gente, a Wolbachia não cai no nosso sangue, por exemplo”, afirmou.
As liberações dos mosquitos começam em agosto deste ano. O planejamento é que a liberação continue até janeiro e que os resultados sejam percebidos em até dois anos. Segundo a empresa Wolbito, em Niterói (RJ), por exemplo, dados preliminares apontam redução de até 70% nos casos de dengue.
Gabriel reforça que o método é preventivo a longo prazo e deve ser complementar às outras medidas que o Governo de Goiás já realiza para controle da dengue, como telas de proteção, inseticida, uso de raquetes. Neste ano, Goiás já notificou 123.218 casos, dos quais 72.331 foram confirmados, além de 53 mortes confirmadas e 79 em investigação. Essa quantidade é 69% menor que a registrada no mesmo período de 2024.
Os mosquitos não serão liberados em toda a cidade, apenas em regiões pré-determinadas. A seleção de cidades e áreas contempladas é feita pelo Ministério da Saúde e o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Saúde (SES), auxilia as prefeituras goianas. O Método Wolbachia é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
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