Acordo Mercosul–União Europeia pode elevar participação das exportações de Goiás de 22% para 30%
17 janeiro 2026 às 17h56

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A assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia neste sábado, 17, pode proporcionar um salto significativo na participação das exportações goianas. Segundo Joel Sant’Anna Braga Filho, titular da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços (SIC), a porcentagem tende a passar de 22% para até 30% do total comercializado com o mercado externo. A avaliação aponta que o acordo é um dos principais vetores de expansão do comércio exterior de Goiás nos próximos anos.
O documento classifica o acordo como “um marco histórico nas relações econômicas internacionais”, ao criar “um ambiente mais previsível, transparente e favorável ao comércio exterior brasileiro”, com efeitos diretos sobre estados exportadores como Goiás. A União Europeia reúne mais de 750 milhões de consumidores e é considerada um dos mercados mais exigentes e de maior poder aquisitivo do mundo.
Atualmente, a balança comercial entre Goiás e a Europa é positiva. Em 2025, o estado registrou superávit de US$ 135,9 milhões, com exportações que somaram US$ 2,17 bilhões, frente a importações de US$ 2,03 bilhões, consolidando o bloco europeu como um dos principais destinos dos produtos goianos.
Segundo o estudo, a eliminação gradual de até 90% das tarifas comerciais entre os dois blocos tende a tornar os produtos goianos mais competitivos, ampliando espaço para crescimento percentual das exportações. “Ao ampliar o acesso ao mercado europeu, o tratado fortalece as exportações goianas e posiciona o estado de forma mais competitiva no cenário global”, destaca o texto de Braga.
A pauta exportadora de Goiás para a Europa é concentrada em produtos do agronegócio e da agroindústria, como derivados do óleo de soja, carne bovina, milho, café, couro, ferroligas e minérios de cobre. O acordo prevê que cerca de 80% das linhas tarifárias agrícolas brasileiras terão tarifas reduzidas a zero em até dez anos, um avanço relevante diante do alto nível de proteção do mercado europeu.
Além do impacto direto nas exportações, o texto ressalta efeitos indiretos sobre logística, armazenagem, transporte e comércio exterior, além do aumento da atratividade do estado para investimentos internacionais. “Esse novo ambiente tende a tornar Goiás ainda mais atrativo para investimentos em infraestrutura logística, tecnologia aplicada ao agronegócio e agroindústria”, afirmou.
Para o economista Márcio Dourado, a entrada em vigor do acordo tende a provocar mudanças relevantes na economia brasileira ao alterar, na prática, o ambiente de incentivos que orienta produção, investimento e comércio exterior.
Segundo ele, o principal efeito do tratado decorre da redução gradual de tarifas e da criação de um marco regulatório mais previsível para o relacionamento entre os dois blocos. “O acordo não se resume a exportar mais. Ele reorganiza preços relativos, reduz custos de produção e pode elevar a integração do Brasil em cadeias globais de valor, desde que o país consiga responder com competitividade e conformidade regulatória”, explica.
Do lado europeu, o compromisso é eliminar tarifas sobre cerca de 95% dos bens, cobrindo aproximadamente 92% do valor importado de produtos brasileiros, com cronogramas que podem chegar a até 12 anos para itens considerados sensíveis. Esse movimento tende a favorecer exportações em setores nos quais o Brasil já é competitivo, especialmente nos segmentos agroindustrial e mineral, além de abrir espaço para produtos com algum grau de processamento.
Para a indústria nacional, o professor destaca um efeito indireto, mas estratégico: a redução do custo de capital e de insumos produtivos. “O Brasil importa da União Europeia bens de maior conteúdo tecnológico, como máquinas, equipamentos, químicos e fármacos. A redução tarifária e a previsibilidade regulatória tendem a baratear investimentos, modernização e incorporação tecnológica, fatores centrais para o aumento da produtividade”, afirmou.

