O governador Ronaldo Caiado (PSD) confirmou a assinatura de um memorando com o governo norte americano para ampliar as operações de exploração dos minerais de terras raras em larga escala no Estado. O acordo prevê que a mineradora Serra Verde, instalada em Minaçu, passe a realizar a separação em larga escala desses insumos estratégicos, considerados essenciais para cadeias industriais de alta tecnologia e alvo de disputa geopolítica global.

“A autorização foi dada em 2019 e somos o único estado do Brasil a explorar e produzir terras raras pesadas, que é a maior demanda do mundo hoje em relação a minerais críticos”, citou Caiado. O governador cita que a empresa já recebeu o empréstimo de US$ 656 milhões para a ampliação das operações, além do investimento de US$ 5 milhões para a planta de Nova Roma, operada pela mineradora Aclara.

O memorando será assinado nesta quarta-feira, 18, no Consulado-Geral dos Estados Unidos. Uma das participações aguardadas no encontro era do conselheiro de Donald Trump, Danrren Beattie, mas o governo federal barrou a entrada dele no país. “Beattie nos recebeu nos Estados Unidos quando foi feito esse empréstimo e ele não vai participar porque o presidente vetou sua permanência no Brasil”, criticou.

Caiado aponta que a ampliação da da capacidade de separação dos minérios de terras raras trará uma vantagem econômica para o Estado. “Não vamos apenas mandar o mineral puro para outros países. Imagine vocês que esse memorando será para desenvolver a prática da separação dos minerais.

Empresa vai ampliar capacidade de produção em 10 mil vezes

Material extraído das terras raras após produção | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Até então, a produção local se concentrava na extração e exportação do material bruto. O Jornal Opção já mostrou que planta da mineradora Aclara estuda, desde sua inauguração em Aparecida de Goiânia, a separação e purificação dos elementos das terraras raras.

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A empresa processa hoje duas toneladas por dias, enquanto o objetivo é alcançar 20 mil toneladas por dia em Nova Roma, 10 mil vezes a mais que planta atual. Todo o processamento dos materiais, segundo a empresa, atende padrões baixo impacto ambiental, tendo em vista a extração sem uso de explosivos e o reaproveitamento da água utilizada no processamento.

Além do acordo com os Estados Unidos, o governo de Goiás também anunciou um termo de cooperação com o Japão no valor de US$ 400 milhões para pesquisas sobre recursos hídricos e mapeamento geológico do estado, o que pode ampliar o conhecimento sobre reservas minerais e aquíferas.

Terras raras

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos com superpoderes industriais. O disprósio, por exemplo, ajuda a criar ímãs que não perdem força em altas temperaturas — algo essencial para motores elétricos de alta performance. O térbio entra na composição de telas e lasers, mas também reforça turbinas eólicas para resistir a ventos extremos.

No mundo, a China é dona de mais de 60% da produção e praticamente monopoliza o processamento. Esse domínio não aconteceu por acaso: Pequim investiu duas décadas em pesquisa, tecnologia e educação para transformar esses minerais em vantagem econômica e política. Hoje, usa esse controle como ferramenta estratégica nas relações internacionais.

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