Acadêmicos de Niterói homenageiam Lula na Sapucaí e inclui referências a Bolsonaro; oposição fala em propaganda eleitoral antecipada
16 fevereiro 2026 às 08h55

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Primeira escola do Grupo Especial a desfilar na Marquês de Sapucaí neste domingo, 15, a Acadêmicos de Niterói levou para a avenida o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O desfile mostrou a trajetória do chefe do Executivo desde a infância, em 1952, com menções à origem humilde no Nordeste e à mudança da família para o Sudeste.
O ator e humorista Paulo Vieira interpretou Lula na apresentação. O presidente acompanhou o desfile em um camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro e, em determinado momento, desceu à avenida para cumprimentar integrantes da escola.
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, era aguardada no último carro alegórico, mas não participou do desfile. A cantora Fafá de Belém ocupou o espaço previsto. Segundo pessoas próximas, Janja chegou a circular pela Sapucaí, mas retornou ao camarote onde Lula assistia à apresentação.
O samba-enredo trouxe referências diretas ao Partido dos Trabalhadores (PT), incluindo o tradicional coro “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula” e menções ao número da legenda nas urnas. A letra também cita Janja e faz referência ao filme Ainda Estou Aqui. Em um dos trechos, a mãe do presidente, Eurídice Ferreira de Mello, é retratada na viagem de “13 noites e 13 dias” em um caminhão pau-de-arara entre Garanhuns (PE) e o litoral paulista, em alusão à história de vida do presidente.
O desfile também incluiu uma alegoria interpretada por parte do público como referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A figura representava um palhaço vestido com traje listrado de presidiário, usando tornozeleira eletrônica com sinais de violação. A imagem foi associada ao episódio que resultou na revogação da prisão domiciliar do ex-presidente em 2025.
A homenagem gerou reações entre parlamentares da oposição, que acusaram o presidente de promover propaganda eleitoral antecipada e de utilizar recursos públicos para autopromoção. Grupos de direita informaram ter acionado a Justiça questionando a participação do presidente no desfile.
Neste ano, o governo federal destinou R$ 12 milhões para as escolas do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro. A Acadêmicos de Niterói deve receber R$ 1 milhão pela participação na apresentação.
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