8 de março: confira 10 mulheres poderosas do Brasil
08 março 2026 às 08h00

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Com o Dia Internacional da Mulher, neste domingo, 8 de março, o Jornal Opção apresenta uma seleção especial com 10 mulheres poderosas do Brasil na atualidade. A lista reúne personalidades que, por sua relevância pública, trajetórias marcantes e capacidade de decisão, constroem diariamente um país mais forte, democrático e representativo. São juristas, escritoras, cientistas, artistas e políticas cujos nomes dispensam apresentações, mas que suas histórias merecem ser contadas e celebradas.
A lista não está em ordem de importância ou preferência. Ela reúne nomes como: Carmen Lúcia, Conceição Evaristo, Tatiana Sampaio, Lilia Schwarcz, Marina Silva, Adélia Prado, Erika Hilton, Dilma Rousseff, Maju Coutinho e Fernanda Montenegro.
1 – Carmen Lúcia
Cármen Lúcia Antunes Rocha construiu uma trajetória sólida que a levou ao topo do Judiciário brasileiro. Jurista, professora e magistrada, ela integra o Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2006 e atualmente preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Antes, comandou a corte suprema e o Conselho Nacional de Justiça entre 2016 e 2018.
Professora titular de Direito Constitucional da PUC-MG, ela construiu carreira acadêmica e na procuradoria mineira antes de chegar à mais alta corte do país. Ela consolidou-se como uma das vozes mais respeitadas na defesa da democracia e da igualdade. Vale destacar que Cármen Lúcia é uma das únicas três mulheres nomeadas para o STF desde 1891, ano de instalação do tribunal.
2 – Conceição Evaristo
Maria da Conceição Evaristo de Brito representa uma das forças mais originais da literatura brasileira contemporânea. Linguista e escritora, ela construiu carreira como pesquisadora-docente universitária antes de se aposentar. Criada em uma favela, trabalhou como empregada doméstica para financiar os próprios estudos, formando-se em Letras e conquistando o doutorado em Literatura.
Dessa experiência pessoal, nasceu o conceito de “escrevivência”, sua marca registrada, que funde escrita e vivência. Sua obra denuncia o racismo, o sexismo e a marginalização em livros como “Ponciá Vicêncio” e “Olhos d’água”. Por tudo isso, ela é uma das mais influentes literatas do movimento pós-modernista no Brasil, atuando nos gêneros da poesia, romance, conto e ensaio, sempre com foco na literatura comparada.
3 – Tatiana Sampaio
A bióloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Tatiana Lobo Coelho de Sampaio tornou-se o rosto mais conhecido por trás de uma descoberta que emocionou o país.
Por mais de 25 anos, ela avançou nas pesquisas que resultaram na criação da polilaminina, um medicamento experimental que trouxe esperança real a pacientes com lesões medulares que sonham em recuperar a mobilidade. Sua trajetória acadêmica e científica, portanto, transcendeu os laboratórios e ganhou o reconhecimento público pelo impacto humanitário de sua investigação.
4 – Lilia Schwarcz
Lilia Katri Moritz Schwarcz, historiadora e antropóloga paulistana, alcançou em 2024 um dos mais altos reconhecimentos para um intelectual no país: a eleição para a imortalidade na Academia Brasileira de Letras (ABL). Doutora em antropologia social pela Universidade de São Paulo, ela atua como professora sênior do departamento de antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, além de ter sido professora visitante em Princeton.
Seus estudos sobre o Império, o racismo e a antropologia visual resultaram em mais de 30 livros publicados, entre eles “As Barbas do Imperador”, vencedor do Prêmio Jabuti de Livro do Ano. Além desta obra, escreveu títulos fundamentais como “Brasil: Uma Biografia”, “Lima Barreto: Triste Visionário” e “Sobre o Autoritarismo Brasileiro”. Ao todo, conquistou o Prêmio Jabuti por sete vezes.
5 – Marina Silva
Nascida no seringal Bagaço, em Rio Branco (AC), Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima vivenciou na infância a extração do látex antes de buscar educação e trabalho na cidade. Ao lado de Chico Mendes, iniciou sua atuação política na defesa da floresta em pé e na organização dos seringueiros contra o desmatamento.
Historiadora, professora, psicopedagoga e ambientalista, ela comanda atualmente o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, cargo que já havia ocupado entre 2003 e 2008. Sua expressão global pode ser medida pelos prêmios que recebeu: em 1996, ganhou o Goldman, considerado o Nobel do Meio Ambiente; em 2007, o jornal britânico The Guardian a incluiu entre as 50 pessoas que podem ajudar a salvar o planeta.
6 – Adélia Prado
Adélia Luzia Prado de Freitas, é considerada a maior poetisa viva do Brasil. Professora formada em Filosofia, ela desenvolveu uma obra que retrata o cotidiano com perplexidade e encanto, sempre norteada pela fé cristã e permeada pelo aspecto lúdico, característica que torna seu estilo único. Após publicar “Bagagem”, teve seu trabalho aclamado por Carlos Drummond de Andrade.
No ano seguinte, conquistou o Prêmio Jabuti com “O Coração Disparado”. Sua lírica explora o sagrado no profano, o cotidiano mineiro, a família, o erotismo e a condição feminina. Ao longo da carreira, recebeu o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (2010), o Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional (2010) e, em 2024, o prestigioso Prêmio Camões, um dos mais importantes da língua portuguesa.
7 – Erika Hilton
Erika Santos Silva, mais conhecida como Erika Hilton, escreveu seu nome na história ao se tornar a primeira deputada federal negra e trans eleita no Brasil. Nascida em 1992, ela construiu trajetória marcada pela superação de violências e pela vivência de rua antes de se destacar como a vereadora mais votada do país em 2020.
Ela atua em diversas causas, principalmente na defesa dos direitos das pessoas negras e LGBTQIA+. Na Câmara Federal, propôs um dos projetos mais comentados e importantes dos últimos anos: a PEC 8/2025, que propõe o fim da escala de trabalho 6×1.
8 – Dilma Rousseff
Dilma Vana Rousseff entrou para a história como a primeira mulher a assumir a Presidência da República no Brasil. Eleita em 2010 e reeleita em 2014, teve o mandato interrompido pelo impeachment em 2016.
Antes da vida política, ainda jovem, participou de organizações de resistência à ditadura militar, atuação pela qual foi presa e torturada entre 1970 e 1972. Filiada ao Partido dos Trabalhadores, ela governou o país de 2011 até o afastamento. Atualmente, desde 2023, preside o Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como Banco do Brics, sediado em Xangai, na China.
9 – Maju Coutinho
Maria Júlia dos Santos Coutinho Moura, a Maju Coutinho, construiu uma carreira sólida na televisão brasileira. Ela chegou à Globo em 2007 e iniciou sua trajetória nos telejornais locais de São Paulo. Antes do jornalismo, porém, completou o magistério e trabalhou como professora.
Ela se destacou na previsão do tempo do Jornal Nacional, apresentou o Jornal Hoje e, desde novembro de 2021, comanda o Fantástico ao lado de Poliana Abritta. Enquanto ganhava reconhecimento profissional, enfrentou preconceitos: seu protagonismo como mulher negra incomodou espectadores, que a atacavam. A reação do público gerou o movimento “Somos Todos Maju”, que reforçou a importância da representatividade e do respeito.
10 – Fernanda Montenegro
Arlette Pinheiro Monteiro Torres, eternizada como Fernanda Montenegro, nasceu no Rio de Janeiro em 1929 e construiu ao longo de mais de 70 anos uma carreira que a consagrou como a maior atriz da história do Brasil. Com trabalhos no rádio, teatro, cinema e televisão, ela se tornou a primeira latina indicada ao Oscar de Melhor Atriz, por sua atuação em Central do Brasil (1999).
Em 2021, foi eleita para a cadeira número 17 da Academia Brasileira de Letras. No ano passado, entrou para o Guinness World Records ao reunir o maior público em uma palestra de filosofia: mais de 15 mil pessoas. Em 1999, recebeu da Presidência da República a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito, a mais alta comenda que um brasileiro pode conquistar, em reconhecimento ao seu trabalho nas artes cênicas.
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