Em 2025, 129 jornalistas e profissionais de imprensa morreram no exercício da profissão, segundo o relatório anual divulgado nesta quarta-feira, 24, pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), organização independente sediada em Nova York.

O número representa o maior total registrado desde que o CPJ começou a compilar esses dados, há mais de três décadas. A entidade aponta que dois terços das mortes — ou 86 casos — estão ligados às ações das Forças de Defesa de Israel, especialmente durante operações militares na Faixa de Gaza.

De acordo com o relatório, 104 das 129 mortes ocorreram em zonas de conflito, com conflitos armados atingindo níveis históricos no ano passado. Além de Israel, outros países que registraram mortes de jornalistas foram o Sudão (9), México (6), Rússia (4) e as Filipinas (3).

O CPJ destaca que a maioria das vítimas em áreas de guerra era composta de jornalistas locais, sobretudo palestinos, devido à difícil entrada de repórteres estrangeiros em regiões como Gaza. A organização também observa o aumento no uso de drones em ataques que resultaram em morte de profissionais de imprensa.

Em nota, a presidente do CPJ, Jodie Ginsberg, afirmou que o crescimento das mortes ocorre em um momento em que o acesso à informação é fundamental e que ataques à imprensa são “indicadores de ataques a outras liberdades fundamentais”. A entidade culpou a cultura de impunidade e a falta de investigações transparentes pela escalada das mortes de jornalistas.

O relatório também enfatiza que, segundo o direito internacional humanitário, jornalistas são civis e não devem ser alvos deliberados, e lamenta a ausência de responsabilização pelos assassinatos registrados em 2025.

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