Terra Ronca vai além das cavernas e reúne aventura, natureza e experiências únicas em Goiás
03 abril 2026 às 08h52

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Goiás conta com um dos complexos de cavernas mais ricos da América do Sul: Terra Ronca. São 57 mil hectares de extensão, com mais de 300 cavernas catalogadas, sendo as mais famosas Terra Ronca I e II e a caverna Angélica.
O período ideal para visitação é entre abril e outubro, durante a estação seca em Goiás. O complexo fica próximo aos municípios de Guarani de Goiás e São Domingos, na divisa com a Bahia.
Para conhecer mais sobre essa maravilha natural e atração turística, o Jornal Opção ouviu os turismólogos goianos Luciano Soares e Patrícia Cristina.
O Parque Estadual de Terra Ronca reúne diferentes modalidades de turismo, que vão desde a aventura até experiências mais contemplativas e científicas.
Uma das atividades em crescimento na região é o turismo de observação de aves. A turismóloga Patrícia Cristina destaca que esse público é cada vez mais específico e engajado. “Tem gente que viaja só para observar uma determinada espécie, ouvir o canto”, afirma.
O potencial da região para esse segmento é expressivo. Segundo o turismólogo Luciano Soares, estudos acadêmicos apontam uma alta diversidade de aves, especialmente de psitacídeos. “Em um estudo feito pela Universidade Federal, descobriu-se que nós temos a maior quantidade de psitacídeos da América do Sul ali nessa região, entre Guarani e São Domingos. São 19 espécies de papagaios. A gente chama de rota dos papagaios. Nesses psitacídeos, além do papagaio, estão incluídas araras, tiriba-do-paranã, maritacas, enfim, 19 espécies”, explica.
Além do birdwatching, Terra Ronca também se destaca pelo turismo de aventura, com a exploração de cavernas, trilhas e travessias subterrâneas, e pelo ecoturismo, com contato direto com a natureza preservada do Cerrado. Há ainda espaço para o turismo científico, voltado a pesquisadores e estudantes interessados em geologia, biologia e conservação ambiental, e o turismo de contemplação, para visitantes que buscam paisagens únicas e experiências imersivas na natureza.
Além disso, Patrícia destaca que o turismo educacional, com visitas de escolas, também é um dos atrativos da região. A biodiversidade local é outro fator que chama a atenção dos visitantes, assim como a prática de esportes de aventura. “Por exemplo, incluímos no roteiro o boiacross no rio, em que você desce na boia acompanhando a correnteza. É uma experiência bem interessante”, relata.
Luciano Soares também ressalta o potencial para esportes radicais. “A Terra Ronca I tem uma das maiores bocas de caverna do Brasil, com cerca de 96 metros de altura. O pessoal também pratica rapel no local”, explica.
Tudo isso se soma à principal vocação da região, voltada ao ecoturismo. O complexo reúne mais de 300 cavernas catalogadas, algumas delas acessíveis até para pessoas idosas ou com alguma dificuldade de locomoção. Terra Ronca é considerado o maior complexo espeleológico da América do Sul, o que reforça sua relevância ambiental e turística.
Dicas para visitar Terra Ronca
Para quem pretende conhecer Terra Ronca, o roteiro pode ir muito além das cavernas. O turismólogo Luciano Soares destaca que a região oferece experiências complementares que enriquecem a viagem.
“Além das cavernas, você tem condição de visitar cachoeiras maravilhosas ali em Guarani de Goiás. Em São Domingos, dá para fazer flutuação em um rio de água cristalina, em que você vê tudo — inclusive um cemitério antigo aos pés da Serra Geral, dentro da cidade. É um passeio maravilhoso, em que você desce flutuando sobre as águas, ou de boia. É uma experiência talvez única no estado de Goiás”, afirma.
A recomendação é planejar a visita com antecedência, preferencialmente durante o período de seca, e contar com guias locais, especialmente para a exploração das cavernas. Também é importante usar roupas e calçados adequados, além de respeitar as orientações ambientais para preservação do patrimônio natural.
Outro ponto é reservar tempo para conhecer diferentes atrativos da região, combinando aventura, contemplação e experiências culturais, o que torna a viagem mais completa.
Patrícia Cristina também chama atenção para a necessidade de equipamentos adequados durante a visita, especialmente para quem pretende explorar as cavernas. O uso de capacete é indispensável — e, caso o visitante não leve, será necessário alugá-lo no local. Ela também recomenda roupas leves e confortáveis, além do uso de sapato fechado, essencial para garantir segurança nas trilhas e no interior das cavernas.
Sobre o tempo ideal para aproveitar bem a região, Luciano Soares sugere um roteiro mais amplo. “Eu indicaria três dias, no mínimo, para curtir bem esses lugares, que com certeza são experiências únicas a nível de Brasil”, afirma.
A combinação de preparo adequado e tempo suficiente de permanência é fundamental para explorar com tranquilidade os diferentes atrativos de Terra Ronca.
Leia também: Saiba quais são as cavernas mais incríveis de Goiás para explorar no ecoturismo

