Goiás ocupa a quinta posição no ranking nacional de jovens inseridos no mercado de trabalho, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho reflete uma série de políticas públicas voltadas à juventude, especialmente na área de qualificação e socioaprendizagem, conforme avalia o superintendente da Criança, Adolescente e Juventude da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds), Ricardo Costa.

Menor taxa de desemprego e informalidade da série histórica

De acordo com o levantamento, em 2024 o estado registrou a menor taxa de desocupação dos últimos 12 anos, atingindo 5,4%, índice abaixo da média nacional, que foi de 6,6%. Goiás também alcançou a menor taxa de informalidade da série histórica, superando o desempenho nacional.

“Esse documento do IBGE é importante porque mostra que Goiás vive um momento muito positivo no mercado de trabalho, com queda consistente do desemprego e da informalidade”, afirmou Ricardo Costa.

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Ricardo Costa | Foto: Acervo pessoal

Avanços expressivos entre a população jovem

O superintendente destaca que os avanços são ainda mais expressivos entre os jovens. Segundo o IBGE, quase 50% da população de 15 a 29 anos está ocupada no estado. Outro dado relevante é a redução do número de jovens que não estudam nem trabalham, os chamados “nem-nem”, que caiu para 15,6%, o menor percentual já registrado em Goiás. No Brasil, esse índice é de 19,8%.

“Essa evolução do grupo jovem é o que mais chama atenção. Goiás conseguiu reduzir significativamente o número de jovens fora da escola e do mercado de trabalho, o que demonstra a efetividade das políticas públicas”, destacou.

Educação e qualificação fortalecem o mercado de trabalho

Na área da educação, os dados também são positivos. Atualmente, 25,3% da população goiana com 25 anos ou mais já frequentou o ensino superior, indicador que reforça o avanço na qualificação da mão de obra.

Programa Aprendiz do Futuro é referência nacional

Entre as ações do governo estadual, Ricardo Costa ressalta o Programa Aprendiz do Futuro, executado pela Seds e integrante do Goiás Social, iniciativa coordenada pela primeira-dama Gracinha Caiado. O programa é considerado o maior de socioaprendizagem do Brasil, em números absolutos.

“Hoje temos cerca de 8.500 jovens ativos, trabalhando e aprendendo nos 246 municípios goianos. Desde 2021, mais de 16 mil jovens já passaram pelo programa”, explicou.

Foco na inclusão e na vulnerabilidade social

Diferentemente da aprendizagem tradicional, que é uma exigência legal para empresas de médio e grande porte, o Aprendiz do Futuro tem foco na socioaprendizagem, priorizando adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Para participar, é necessário ter entre 14 e 16 anos, estar inscrito no CadÚnico, ter renda familiar per capita de até dois salários mínimos e estar matriculado na escola pública ou ser bolsista integral na rede privada.

“O foco é alcançar aquele jovem que normalmente não seria absorvido pela iniciativa privada, oferecendo a ele uma porta de entrada segura para o mundo do trabalho”, ressaltou Costa.

O programa também adota critérios de inclusão, com cota para pessoas com deficiência, além de prioridade para jovens indígenas, ciganos, afrodescendentes, adolescentes oriundos de famílias com histórico de violência doméstica, aqueles que cumpriram medidas socioeducativas ou que vivem em unidades de acolhimento.

Intercâmbio internacional amplia oportunidades

Além da experiência profissional e da formação teórica, o Aprendiz do Futuro oferece oportunidades de intercâmbio internacional. Jovens que se destacam em avaliações anuais podem participar de viagens educacionais e culturais para países como Espanha, Portugal, França, Suíça e Reino Unido.

“É um programa transformador. Além do emprego e da qualificação, esses jovens voltam desses intercâmbios com uma bagagem cultural e educacional que muda completamente suas perspectivas de vida”, concluiu o superintendente.

Histórias que ilustram os resultados das políticas públicas

Aos 17 anos, Geovana Garcia de Jesus Silva é um exemplo de jovem beneficiada pelos programas do Governo de Goiás voltados à qualificação profissional e à inserção no mercado de trabalho. Moradora de Goiânia, ela participa do programa Jovem Aprendiz e está na fase final do contrato, já atuando na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (SEDS), na área socioeducativa.

Para Geovana, a iniciativa foi decisiva para o início da vida profissional. “No meu ponto de vista, como primeiro trabalho, foi uma ótima experiência”, afirma, destacando que buscou o programa tanto para ajudar financeiramente a família quanto para conquistar a primeira oportunidade formal de emprego.

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Geovana Garcia de Jesus Silva | Foto: Acervo pessoal

Além da atuação profissional, Geovana ressalta que o Jovem Aprendiz oferece vivências que ampliam o aprendizado educacional e cultural. Por meio de parcerias entre o Governo de Goiás, o Goiás Social e a iniciativa privada, ela participou de um intercâmbio educacional em Londres após se destacar em um concurso de matemática.

“Foi uma experiência muito boa, porque eles focaram bastante na parte educacional, mas também no lazer”, relata, ao lembrar das visitas a museus e à Universidade de Oxford. Cursando o terceiro ano do ensino médio, a jovem avalia que o programa prepara efetivamente os participantes para o mercado de trabalho e gera oportunidades que fazem diferença.

José Felipe, de 17 anos, também avalia de forma positiva os programas do Governo de Goiás voltados à inserção de jovens no mercado de trabalho, com destaque para o Aprendiz do Futuro, uma das ações do Goiás Social. Segundo ele, a iniciativa é fundamental especialmente para jovens em situação de vulnerabilidade social, que precisam conciliar os estudos com a contribuição financeira em casa.

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José Felipe | Foto: Acervo pessoal

“É uma experiência muito boa, principalmente para quem está em situação mais vulnerável. Além da renda, o programa oferece cursos que ampliam nosso conhecimento e abrem novas oportunidades”, afirma.

Dados da SIS confirmam tendência de melhora

Morador de Itapaci (GO) e estudante do Colégio Militar, José Felipe trabalha na prefeitura do município desde 2023, oportunidade conquistada por meio do programa. “Graças ao Aprendiz do Futuro, além do curso, eles oferecem o local de trabalho. Isso fez toda a diferença para mim”, completa.

De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais (SIS), 269 mil jovens goianos se encontravam na condição de “nem-nem”, o equivalente a 15,6% da população investigada. O índice é o mais baixo desde o início da série histórica, em 2012, e fica abaixo da média nacional.

Mais jovens ocupados e mais estudantes em sala de aula

O levantamento mostra ainda que a proporção de jovens goianos que estão apenas ocupados atingiu o maior nível da série, chegando a 49,8%. Em contrapartida, houve queda no grupo que concilia estudo e trabalho, que passou de 17,7% em 2023 para 14,0% em 2024.

Outro dado positivo foi o crescimento da parcela de jovens que se dedicam exclusivamente aos estudos, que subiu de 18,0% para 20,6% no período analisado.

Sobre a pesquisa

A Síntese de Indicadores Sociais é um estudo anual que analisa a qualidade de vida e os níveis de bem-estar da população brasileira, além da efetivação de direitos humanos e sociais. O levantamento utiliza dados da PNAD Contínua, projeções populacionais, Sistema de Contas Nacionais, Censo Escolar do Inep e informações da OCDE, servindo de base para a formulação e avaliação de políticas públicas.

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