Humberto Teófilo diz que foi afastado da Central de Flagrantes por ameaças de morte do PCC
16 março 2026 às 09h36

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O delegado da Polícia Civil de Goiás (PC-GO) Humberto Teófilo afirmou, em entrevista ao Jornal Opção, que as ameaças de morte que sofreu do Primeiro Comando da Capital (PCC), em fevereiro deste ano, motivaram a decisão da corporação em afastá-lo da Central de Flagrantes de Aparecida de Goiânia.
Segundo ele, a decisão foi tomada diante da falta de condições operacionais da corporação para garantir sua segurança pessoal, como a disponibilização de escolta armada. Em um episódio, afirmou ter recebido na delegacia uma panela com comida possivelmente envenenada pelos faccionados.
Atualmente, um inquérito policial foi instaurado e é conduzido pela Delegacia Estadual de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco), responsável por identificar e responsabilizar os autores das ameaças. “A inteligência [da polícia] fez um levantamento e detectou essa ameaça de morte atribuída ao meu nome. Diante dessa situação, a corporação não teve condições legais de me fornecer uma escolta armada — que era o que eu precisava —, apesar de ter me fornecido um carro blindado”, afirmou.
Com o afastamento, Humberto Teófilo deverá exercer função administrativa na sede da Secretaria de Estado da Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), no Setor Aeroviário, em Goiânia. Apesar disso, disse que não acredita que voltará a ter uma rotina tranquila.
“Me sinto inseguro porque hoje estamos vivenciando o crime organizado tomando conta do Brasil. O PCC, em especial, e o Comando Vermelho têm controle de diversos pontos da cidade, então tenho que ficar esperto. Não tem mais como andar de forma tranquila. Tivemos recentemente o caso de um delegado assassinado em São Paulo”, disse.
O delegado afirmou ainda que não sabe em qual setor será lotado, já que está à disposição da SSP-GO. Ao mesmo tempo, acredita que não deve voltar a desempenhar um papel operacional tão cedo. “Acredito que não”, disse à reportagem.
Durante sua atuação, Humberto Teófilo esteve à frente da Central de Flagrantes, unidade especializada no recebimento e registro de boletins de ocorrência relacionados a prisões efetuadas por agentes de segurança pública.
Em nota, a PC-GO afirma que as movimentações funcionais de seus policiais ocorrem conforme critérios de conveniência e oportunidade da Direção-Geral da corporação.
Leia a nota na íntegra:
“A Polícia Civil de Goiás (PCGO) informa que as movimentações funcionais de seus policiais ocorrem conforme critérios de conveniência e oportunidade da Direção-Geral, observando as necessidades do serviço público e a adequada gestão de pessoal da Instituição. Eventuais alterações de lotação ou designações para funções administrativas ou operacionais integram a dinâmica de organização interna do órgão, não sendo medidas excepcionais, mas instrumentos legítimos de gestão institucional.
No que se refere ao uso de redes sociais por policiais, a PCGO esclarece que a matéria é disciplinada pela Portaria nº 547/2021, que estabelece diretrizes e orientações para a conduta de servidores no ambiente digital.”
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