A possível inclusão do medicamento Voxzogo no Sistema Único de Saúde (SUS) foi tema de audiência pública realizada no Senado Federal. O debate discutiu alternativas para ampliar o acesso ao tratamento da acondroplasia, forma mais comum de nanismo, e reuniu representantes do governo, especialistas, organizações da sociedade civil e famílias de pessoas com a condição.

A acondroplasia é uma alteração genética que afeta o crescimento ósseo e resulta em baixa estatura, podendo provocar também outras complicações de saúde ao longo da vida. Um dos principais pontos discutidos foi o acesso ao Voxzogo, medicamento utilizado em crianças e adolescentes enquanto as placas de crescimento dos ossos ainda estão abertas. Estudos apresentados durante o debate indicam que o tratamento pode aumentar a velocidade de crescimento e contribuir para reduzir algumas complicações associadas à doença, além de favorecer maior autonomia e mobilidade.

Apesar dos resultados apontados por pesquisas e pela experiência clínica de especialistas, o medicamento ainda não é disponibilizado pelo SUS. Atualmente, muitos pacientes conseguem acesso apenas por meio de decisões judiciais. O alto custo do tratamento é apontado como o principal obstáculo para a incorporação ao sistema público de saúde. Estimativas indicam que o gasto anual pode ultrapassar R$ 1 milhão por paciente, valor que representa um desafio para a gestão de recursos destinados a doenças raras.

A discussão sobre a incorporação do medicamento envolve também a análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), responsável por avaliar evidências científicas, custo-benefício e impacto orçamentário antes de recomendar a inclusão de novas terapias no SUS. Segundo representantes do governo, a eficácia do tratamento não é questionada, mas o custo elevado exige a busca por estratégias que tornem sua adoção viável para o sistema público.

Durante o debate, organizações e famílias destacaram que o tratamento não está relacionado apenas ao aumento de estatura, mas também à melhoria da qualidade de vida das crianças com acondroplasia. Entre os benefícios apontados estão maior independência nas atividades diárias, redução de complicações de saúde e melhores condições de mobilidade.

Outro ponto levantado foi a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas às pessoas com nanismo, incluindo ações de acessibilidade, inclusão educacional e combate ao preconceito. Relatos apresentados na audiência indicaram que situações de discriminação e bullying ainda fazem parte da realidade de muitas pessoas com a condição, tanto na infância quanto na vida adulta.

A audiência também discutiu a possibilidade de criação de um grupo de trabalho no Senado para acompanhar o tema e reunir dados sobre a acondroplasia no Brasil. A falta de estatísticas oficiais sobre a condição foi apontada como um dos fatores que dificultam a elaboração de políticas públicas mais eficazes.

Representantes do governo e do Parlamento defenderam que a discussão sobre o acesso ao Voxzogo deve ocorrer de forma conjunta entre o Ministério da Saúde, o Congresso Nacional e entidades da sociedade civil. O objetivo é buscar alternativas que permitam ampliar o acesso ao tratamento sem comprometer o orçamento do sistema público de saúde.

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