A Prefeitura de Goiânia pretende convocar até 1.800 médicos para reforçar a rede municipal de saúde. Segundo o titular da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Pellizzer, atualmente a gestão conta com 798 profissionais convocados, mas o número deve ultrapassar mil ainda nesta semana. Um dos objetivos da pasta é ampliar o atendimento com o novo credenciamento, por exemplo, diante da possibilidade de aumento no número de casos de dengue nas próximas semanas.

“Em março e abril, há aumento da dengue e, por isso, não podemos ficar sem profissionais aptos a ampliar a carga horária, se necessário”, afirmou Pellizzer, em entrevista coletiva. “Ainda temos necessidade em alguns pontos ambulatoriais que precisam ser cobertos. Tivemos janeiro e fevereiro relativamente tranquilos, mas, nos últimos 15 dias, notamos um aumento de quase 70% nos registros de CID, não necessariamente de casos confirmados, mas no número de CIDs utilizados na emergência”, pontuou.

De acordo com Pellizzer, o novo edital de credenciamento médico já contabiliza 2.936 inscritos. Ele destaca que cerca de 70% dos profissionais que aderiram ao novo modelo já atuavam na rede municipal, o que, segundo a pasta, garante continuidade no atendimento e afasta o risco de desassistência. A SMS justifica que o objetivo do edital é reorganizar a rede com base na capacidade fiscal do município, com pagamentos em dia.

A SMS prevê novos chamamentos ainda nesta semana para formação de cadastro reserva, a fim de garantir cobertura diante de eventuais saídas, como o início de residências médicas. Os profissionais poderão atuar em 117 unidades da rede municipal.

A Secretaria informa que as escalas de emergência já foram preenchidas e que as principais contratações envolveram médicos generalistas, pediatras, psiquiatras, ortopedistas e médicos da família e comunidade. Um dos destaques apontados pela gestão é que todos os CAPS passaram a contar com pelo menos um psiquiatra. A pasta também afirma que há planos para a construção de sete novas unidades.

Negociações

Segundo a pasta, mais de 70% das reivindicações apresentadas pela entidade foram atendidas ao longo das tratativas, inclusive em encontros com mediação do Ministério Público de Goiás (MPGO). Entre os pontos ajustados estão a limitação dos plantões a 12 horas e alterações em itens do edital, como a retirada de cláusula que tratava de responsabilidade objetiva. A SMS também afirma ter promovido mudanças no texto do edital para adequá-lo a demandas apresentadas pela categoria.

O principal impasse, de acordo com a gestão, foi a manutenção dos valores de remuneração praticados no modelo anterior. “Eles insistiram em todas as quatro reuniões na manutenção dos valores antigos e a gente não tinha nenhuma condição de manter esse valor para poder garantir o pagamento em dia”, afirmou. Sem consenso, o sindicato optou por judicializar a questão.

Para o Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), a redução de até 35% nos salários foi determinante para a disputa judicial. Segundo o diretor de Finanças da entidade, Dr. Robson Azevedo, foi por esse motivo que o sindicato ingressou com pedido de liminar na Justiça, que suspendeu a demissão dos médicos credenciados enquanto ocorre a discussão sobre as novas contratações.

“Essa liminar praticamente mostra que estamos certos, porque esse tipo de contrato vai contra, inclusive, normas do Tribunal de Contas do Município, que apontam que esse modelo deveria ser utilizado apenas em situações excepcionais, para suprir uma necessidade pontual. A Prefeitura está promovendo uma contratação de quase 3 mil médicos para substituir contratos vigentes”, afirmou ao Jornal Opção.

Dengue

A Prefeitura também iniciou o uso de tablets para georreferenciamento de focos da doença. O projeto, iniciado na gestão anterior e concluído no ano passado, permitirá que agentes de endemias e fiscais registrem em campo informações sobre focos e áreas de risco, com o objetivo de agilizar bloqueios e ações de combate.