Uma pesquisa publicada pela revista científica Addiction mostrou que o uso isolado ou combinado da cannabis e do tabaco podem causar mudanças na estrutura do cérebro ao longo do tempo em áreas importantes para emoções, memória e comportamento.

O estudo feito pela Universidade de Bath, no Reino Unido, reuniu dados de mais de 100 estudos, além de ouvir mais de 72 mil pessoas.

O que foi observado?

No caso dos usuários da cannabis, uma das observações feitas pelos pesquisadores foi a redução do volume da amídala, região que envolve o processamento das emoções e nas respostas a situações de estresse.

Já no caso do tabaco, os efeitos se mostraram diferentes em algumas áreas. Também foram identificadas redução na amídala, na ínsula, relacionada à percepção interna do corpo e às emoções, e no globo pálido, que auxilia no controle dos movimentos e da motivação.

O estudo também mostrou que fumantes tendem a apresentar uma diminuição mais acelerada da massa cinzenta ao longo do tempo. Esse tecido está ligado ao raciocínio, memória e a tomada de decisão. Especialistas explicam que a perda de volume nessas regiões podem influenciar a forma como as pessoas pensam, reage e sentem.

Como as mudanças foram observadas

Os pesquisadores observaram à forma como as substâncias atuam no cérebro. Em relação a cannabis, o principal composto psicoativo, o THC, conversa com receptores que participam do controles da dor, do apetite e das emoções.

No caso do tabaco, ele age em receptores distribuídos por todo o cérebro, prejudicando a comunicação entre os neurônios e os processos de aprendizado

Para chegar a esses resultados, os estudiosos compararam diferentes tipos de evidência coletadas de usuários e não usuários.

A pesquisa também apresentou uma relação entre o número de cigarros consumidos ao longo do dia e uma redução do hipocampo, região essencial para a memória e para o aprendizado.

Preocupação sob os efeitos ao longo do tempo

Após o estudo, os pesquisadores mostraram uma preocupação maior com a saúde cerebral do usuário de cannabis e tabaco. Ao analisar com maior precisão os danos que eles causam ao longo do tempo, os especialistas avaliam que essas informações levantadas serão capazes de auxiliar os profissionais da saúde para melhor orientar os pacientes.

Apesar dos resultados já colhidos, os pesquisadores acreditam que ainda é necessário mais estudos para entender completamente como essas alterações se desenvolvem e quais são suas consequência ao longo do tempo.

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