O médico mineiro, Rasível dos Reis Santos Júnior, aportou em Goiás no dia 26 de janeiro de 2024 para ser secretário de saúde do Governo de Goiás. Anteriormente, tinha coordenado o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, sido secretário municipal de saúde na cidade de Betim-MG e coordenado mais de 300 hospitais de campanha no Brasil, pelo Gabinete de Crise, durante o período da pandemia de Covid-19.  

Nesses dois anos de gestão, Rasível dos Reis afirma que o maior desafio era atrair bons parceiros privados para cuidar dos hospitais, pois os anteriores não estavam fazendo as entregas adequadas. “A cada seis meses um contrato emergencial, e a dúvida se aquela organização permaneceria ou não. Isso trazia muita instabilidade para o sistema. Ou seja, não tinha regularidade”.

Ainda de acordo com o secretário estadual de saúde, foi preciso substituir organizações sociais, que não estavam fazendo um bom papel, ou que estavam tendo alguma conduta suspeita. “Trocamos todos os contratos emergenciais por contratos regulares. Fizemos chamamentos públicos, o que trouxe estabilidade para o sistema”, completa.

O secretário de saúde em entrevista para o Jornal Opção | Foto: Iron Braz

Dentro desse período liderando a pasta, Rasível dos Reis, se enche de orgulho por ter participado da inauguração do Hospital Estadual de Águas Lindas Ronaldo Ramos Caiado Filho (Heal) – entregue à população, após 20 anos de espera. Com R$ 157 milhões em investimentos, a unidade oferece 132 leitos, incluindo 40 de UTI, atendendo a população da Região do Entorno do Distrito Federal, com serviços como obstetrícia, cirurgia, clínica médica, pediatria e atendimento multiprofissional.

Segundo o secretário foi praticamente uma operação de guerra, porque tudo precisou ser feito em praticamente seis meses. “O nosso governador não aceita inaugurar hospital, que não esteja funcionando, porque no governo anterior inaugurou meia dúzia de vezes muitos hospitais, nunca colocando eles para funcionarem”.

UTI Neonatal no Hospital de Águas Lindas | Foto: Divulgação/SES-GO

Além do Hospital de Águas Lindas, outra obra muito importante na concepção do secretário, Rasível dos Reis, foi a inauguração em 2025 do Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora), construído em tempo recorde de 25 meses. Inspirado no modelo do Hospital de Amor, em Barretos (SP), reconhecido internacionalmente pela assistência integral e humanizada, o Cora é gerido pela Fundação Pio XII, a mesma responsável pela unidade paulista.

O complexo recebe pacientes de 0 a 17 anos (e de 18 a 23 anos com câncer ósseo), via Sistema Único de Saúde (SUS). A unidade oferece 60 leitos, incluindo UTI, centro cirúrgico, central de transplante de medula óssea e um avançado sistema de filtragem do ar. São realizados exames laboratoriais, análises patológicas, ressonâncias, tomografias, ultrassons, hemodiálise, transfusões e outros procedimentos, com funcionamento 24 horas por dia. O custeio mensal de toda a estrutura é estimado em R$ 6,8 milhões.

Inauguração do Cora | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Segundo o secretário, o Cora foi inaugurado funcionando, no dia 25 de setembro do ano passado – dia do aniversário do governador, Ronaldo Caiado. O hospital já está fazendo a diferença na vida de centenas de famílias. “Trouxemos de volta os pacientes, que seguiam tratamentos em outros estados, para cuidarmos deles em Goiás”, completa.

Sobre o Cora ser a “menina dos olhos” do Caiado, o secretário de saúde diz que pelo fato dele ter sonhado com esse hospital e começado do zero – sem dúvidas o carinho dele é redobrado, ainda mais por tratar o câncer infanto-juvenil. “Eu me orgulho muito também, pois é um equipamento de saúde com estrutura humanizada. Temos lá desde o diagnóstico até o tratamento de ponta, a reabilitação com ginásio de robótica”, detalha orgulhoso.

Cora já realizou mais de 7,6 mil procedimentos | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

O Cora, além de assistir pacientes com câncer de Goiás tem tudo para se tornar uma referência nacional. Pois, de acordo com o secretário já estão sendo tratados pacientes do Tocantins, de Rondônia e de vários outros estados da Região Norte.

“Em vez de terem que descer até Barretos, eles param aqui em Goiás. Então isso é um negócio impressionante, é pelo SUS, 100% SUS, para atender, especificamente, os goianos e que irá também ajudar o Brasil”.

O Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) recebeu um investimento de R$ 255,9 milhões. Antes mesmo de sua inauguração, o Cora já atendia pacientes – ou seja, desde junho de 2025 já forma mais de 7,6 mil procedimentos.

Regionalização

Além do Hospital de Águas Lindas (Heal), hoje o interior de Goiás, conta com mais seis novos hospitais estaduais. Eles foram distribuídos de forma estratégica nas cidades de Uruaçu, Jataí, Formosa, São Luís de Montes Belos, Luziânia e Itumbiara.

Hospital Regional do Centro-Norte | Foto: Divulgação

O Hospital Regional do Centro-Norte (HCN), em Uruaçu, por exemplo, recebeu R$ 117 milhões em investimentos e possui atualmente 277 leitos. A unidade ainda conta três clínicas cirúrgicas e centro cirúrgico composto por sete salas equipadas com tecnologia avançada. Além de ter uma UTI pediátrica, com 10 leitos e equipamentos modernos.

O HCN atende pacientes dos 60 municípios que integram a macrorregião do Centro-Norte do Estado. Recentemente obteve um índice de satisfação geral de 97% dos pacientes. A pesquisa foi realizada pelo Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), de janeiro a novembro de 2025.

Os próximos desafios de acordo com o secretário de saúde para agilizar os atendimentos de urgência refere-se a melhorias no SAMU. “Uma única central, através de consórcio intermunicipal de saúde. Então, o consórcio vai fazer o gerenciamento do SAMU, das ambulâncias. Com integração do Corpo de Bombeiros – podendo integrar, inclusive, as concessionárias de rodovias”, explica.

A rede de atendimentos no interior também foi ampliada com a entrega de seis policlínicas nos municípios de Posse, Goianésia, Quirinópolis, São Luís de Montes Belos, Cidade de Goiás e Formosa. Elas realizam consultas em mais de 20 especialidades, além de exames de alta complexidade, como mamografia, tomografia computadorizada, radiografias e atendimentos oftalmológicos.

UTIs

Leitos pediátricos e neonatais do Hecad | Foto: Divulgação/SES-GO

O crescimento mais expressivo ocorreu na terapia intensiva. De 267 leitos de UTI em 2018, o estado passou para 790 em 2025. A distribuição geográfica também se transformou radicalmente. O que antes se concentrava em apenas três municípios (Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis), hoje está presente em 20 cidades, cobrindo as cinco macrorregiões de saúde do estado.

“Hoje a gente tem 20 municípios com terapia intensiva. A gente praticamente triplicou o número de leitos de terapia intensiva. Isso permitiu que a gente começasse a discutir como trabalhar realmente a regionalização e a integração desses hospitais em rede” – enfatiza, Rasível dos Reis.

O secretário de saúde diz que mesmo um hospital com dez leitos de terapia intensiva, ele não consegue ter fluxo. “Então, eu tenho sempre UTIs gerais no interior, não tenho UTI especializada, com raras exceções. Só que eu não tenho um fluxo regular e isso dificulta um pouco a questão da escala e capacitação, que é preciso ter para cuidar desses pacientes ali”.

Isso significa que naturalmente, será preciso transferir pacientes do interior de acordo com a gravidade ou complexidade do caso, de forma mais pontual e não de maneira cotidiana como era anteriormente.

Os 790 leitos de UTI em Goiás contemplam todas as especialidades – adulto, pediátrico e neonatal. Essa realidade, estruturada em rede, garante acesso universal à terapia intensiva para os goianos.

Superação do mínimo constitucional

Goiás investe 15,4% de suas receitas em saúde, acima do mínimo constitucional obrigatório, que é de 12%. A soma de investimentos em 2024 e 2025 ultrapassa R$ 11 bilhões. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, esse crescimento orçamentário representa a priorização política da saúde pública como eixo central das políticas governamentais.

Equipamentos com alta tecnologia no Cora | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que desde 2023 aumentou em 70,4% os valores repassados para custeio do SUS em Goiás (estado e municípios), chegando a R$ 5,6 bilhões no ano passado, contra R$ 3,2 bilhões em 2022. “Pelo Novo PAC Saúde, Goiás foi contemplado ainda R$ 289,7 milhões referentes a 106 Unidades Básicas de Saúde (UBS), 22 Unidades de Ortodontia Móveis (UOMs) e 348 combos de equipamento para as UBS.

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) esclarece em nota que os investimentos federais recentes, incluindo recursos do Novo PAC Saúde e outros incrementos citados pelo Ministério da Saúde, são valores que incluem repasses destinados também aos municípios e, em grande parte, são pontuais, temporários ou vinculados a programas específicos, não resolvendo o problema estrutural do custeio hospitalar.

Ainda de acordo com a nota enviada ao Jornal Opção, Goiás é o 11º estado mais populoso do país e ocupa apenas a 19ª posição em repasses federais per capita. Isso demonstra que o modelo atual não reflete critérios proporcionais nem a realidade assistencial.

“O Estado tem cumprido e superado sua obrigação constitucional, aplicando 15,4% do orçamento próprio em saúde, mas alerta que esse esforço isolado é insustentável a médio prazo e compromete o equilíbrio fiscal”.

Hospital da Mulher | Foto: Divulgação/SES-GO

A expansão da rede estadual impacta diretamente a vida de 7,2 milhões de goianos, que agora contam com 41% mais hospitais na rede estadual, acesso regionalizado, UTIs próximas de casa em 20 cidades, policlínicas atendendo seis regionais, com redução significativa de deslocamentos para tratamento dos pacientes.

Leia a nota na íntegra do Ministério da Saúde:

Desde 2023, o Ministério da Saúde aumentou em 70,4% os valores repassados para custeio do SUS em Goiás (estado e municípios), chegando a R$ 5,6 bilhões no ano passado, contra R$ 3,2 bilhões em 2022. Foram aumentados os tetos financeiros da atenção especializada; a habilitação de serviços; a concessão de parcelas únicas de custeio; as emendas parlamentares; os investimentos e custeios ligados à atenção primária, à vigilância em saúde e à gestão do trabalho e da educação em saúde; o acesso a medicamentos; os investimentos na rede e na aquisição de equipamentos; a incorporação de novas tecnologias; e a implantação de mecanismos de saúde digital, entre outras iniciativas.

Pelo Novo PAC Saúde, Goiás foi contemplado ainda R$ 289,7 milhões referentes a 106 Unidades Básicas de Saúde (UBS), 22 Unidades de Ortodontia Móveis (UOMs) e 348 combos de equipamento para as UBS.

Os repasses federais aos estados e municípios seguem critérios estritamente técnicos e legais, definidos a partir da produção assistencial informada pelos gestores locais, das habilitações publicadas em portarias e das pactuações tripartites.

Leia a nota na íntegra da Secretaria Estadual de Saúde:

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) esclarece que os investimentos federais recentes, incluindo recursos do Novo PAC Saúde e outros incrementos citados pelo Ministério da Saúde, são valores que incluem repasses destinados também aos municípios e, em grande parte, são pontuais, temporários ou vinculados a programas específicos, não resolvendo o problema estrutural do custeio hospitalar.

O ponto central é que o teto financeiro da MAC está há quase 20 anos sem atualização real, sem metodologia clara, transparente ou publicizada, contrariando o que prevê a Lei Complementar nº 141/2012, que determina a consideração de critérios epidemiológicos, demográficos e da oferta de serviços.

Entre 2020 e 2025, enquanto o orçamento estadual da saúde cresceu R$ 2,47 bilhões, os repasses federais aumentaram apenas R$ 252 milhões. Nesse mesmo período, a participação da União no financiamento da saúde em Goiás caiu de 16,78% para 13,82%, evidenciando um desequilíbrio crescente.

Esse cenário se agrava porque Goiás precisou ampliar sua rede assistencial para suprir vazios históricos de atendimento, com a implantação de novos hospitais, 6 policlínicas e do Complexo Oncológico de Referência (CORA), o que resultou em aumento superior a 400% na produção ambulatorial e hospitalar. Esse crescimento não foi acompanhado por repasses estruturais compatíveis.

Mesmo sendo o 11º estado mais populoso do país, Goiás ocupa apenas a 19ª posição em repasses federais per capita, o que demonstra que o modelo atual não reflete critérios proporcionais nem a realidade assistencial.

O Estado tem cumprido e superado sua obrigação constitucional, aplicando 15,4% do orçamento próprio em saúde, mas alerta que esse esforço isolado é insustentável a médio prazo e compromete o equilíbrio fiscal.

Ação de Goiás no STF busca garantir critérios claros, transparentes e equitativos para o financiamento da saúde, assegurando planejamento responsável e a continuidade dos serviços à população.

A SES-GO em todo tempo apresenta disposição ao diálogo técnico e institucional com o Ministério da Saúde, estados, municípios e entidades do SUS, em defesa do direito constitucional à saúde e do fortalecimento do sistema público em todo o país.

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