“Quero voltar a andar sozinho”: equoterapia no Crer devolve esperança a paciente em tratamento contra doença rara
05 fevereiro 2026 às 13h00

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Gessé Viana de Sousa Lima é um jovem de 25 anos que viu seus sonhos serem interrompidos após ser diagnosticado com Síndrome de Guillain-Barré, uma condição autoimune que ataca os nervos periféricos, causando inflamação e fraqueza de início rápido.
Sem os movimentos e esperança, ele buscou ajuda médica para tratar sua condição e viu sua vida ser transformada pelo Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), em Goiânia. No Crer, Gessé foi apresentado à equoterapia, tratamento que devolveu a ela a esperança de voltar a andar. “Quero largar meu andador e voltar a andar sozinho sem apoio de nada”, afirmou o jovem em entrevista ao Jornal Opção.
Em tratamento há pelo menos três anos, ele avalia como “rápida” sua evolução. “Tem muita coisa que, no começo, para mim era difícil de fazer e, agora, com pouco tempo que eu to aqui, já está mais fácil”, relata.
A “facilidade” que Gessé cita é o exercício de equilíbrio que precisa fazer em cima do cavalo durante a equoterapia. Em seu relato ele conta que antes não conseguia “soltar os braços do cavalo” por muito tempo. Hoje, ele já executa com maestria a atividade.

Tratamento com equoterapia
A Equoterapia é um método terapêutico que utiliza o cavalo como instrumento para promover avanços físicos, emocionais e psicológicos. A equoterapia integra o conjunto de terapias especializadas que atende crianças, adolescentes e adultos com diferentes tipos de deficiências, transtornos do neurodesenvolvimento e condições neurológicas.
Em Goiás, o Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), localizado na capital, é referência no tratamento desde 2004. Por semana são realizados mais de 100 atendimentos, com cerca de sete terapeutas por paciente por dia, em sessões que duram 30 minutos.
Durante os atendimentos, os pacientes realizam exercícios de contração e relaxamento muscular que causam mais de dois mil estímulos pelo corpo. A multiprofissional de terapias de apoio do Crer, Karla Lorena Mendonça, explica que cada sessão é feita de acordo com a necessidade avaliada no momento.
“Tem paciente que a gente admite por meses e outros a gente admite por até um ano. Temos um processo de fazer uma avaliação do plano terapêutico singular desse paciente, então, o objetivo desse paciente é melhorar a socialização, melhorar a força do tronco. Se em seis meses a gente não atingir isso, a gente pode reprogramar esse plano com paciente”, explicou.

As sessões acontecem em horários definidos, conforme o plano terapêutico, e fazem parte de um tratamento mais amplo, que envolve outras áreas da reabilitação. Em alguns casos, há fila de espera, reflexo da alta demanda por um serviço que une técnica, sensibilidade e resultados. Atualmente, há 50 pessoas aguardando atendimento.
“Toda semana a gente tem altas porque cada terapeuta atende cerca de sete pacientes por dia, então, cada um está numa fase do tratamento onde uns estão começando e outros finalizando. Então, a medida que que o paciente vai recebendo alta, a gente j´pa puxa outro”, disse. Karla explicou ainda que semanalmente pacientes são avaliados e inseridos no cadastro reserva.
Para ter acesso ao tratamento, é necessário que o interessado tenha laudos médicos, fisioterápicos e psicológicos que indiquem a necessidade da terapia. O encaminhamento deve ser feito via Secretaria de Saúde (SUS), sendo a equoterapia um método de reabilitação complementar.
Em meio à técnica e à ciência, a equoterapia segue transformando histórias, passo a passo, cavalo a cavalo, mostrando que o cuidado também pode vir em forma de afeto.
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