Após insuficiência no Enamed, Cremego fala em “prova da OAB” para médicos
22 janeiro 2026 às 09h28

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Após a divulgação de que 62% dos cursos de medicina do Estado de Goiás obtiveram desempenho insuficiente no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), o corregedor do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), Robson Azevedo, defendeu a criação de uma prova de egresso nos moldes do exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para médicos.
Segundo Azevedo, a proposta teria como objetivo realizar um “pente-fino” entre os alunos que não possuem formação adequada para atuar na área da saúde, o que, segundo ele, pode colocar vidas em risco.
De acordo com o corregedor, esses profissionais podem não compreender corretamente o estado de saúde dos pacientes ou as possíveis complicações clínicas no momento do atendimento. “Esses números do Enamed traduzem que os alunos estão se formando sem um raciocínio clínico adequado, e a medicina depende disso”, afirmou.
“O aluno precisa compreender anatomia, fisiologia, bioquímica e todas as ciências básicas para desenvolver um raciocínio clínico. Quando ele é incapaz de reconhecer um sinal de gravidade ou uma complicação, isso pode levar o paciente ao óbito”, completou.
A proposta já teria sido discutida com o Conselho Federal de Medicina (CFM), que ficaria responsável pela elaboração e aplicação da prova. Apenas com a aprovação no exame o egresso teria acesso ao registro profissional (CRM), e não mais automaticamente após a conclusão do curso.
Esse acesso ao registro profissional é outro ponto levantado por Azevedo, diante do elevado número de novos CRMs emitidos anualmente. “O Conselho Federal foi criado em 1957. Eu me formei em 1985 e meu CRM é o número 4.781. Em menos de 30 anos, chegamos a cerca de 4.700 médicos registrados. Hoje, somente nos últimos anos, estamos formando cerca de 4 mil médicos por ano”, destacou.
Ainda sobre isso, o Senado Federal discute o projeto de lei 2.294 de 2025 que institui o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), do senador Astronauta Marcos Pontes (PL/SP). A proposta foi feita em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) para vincular o acesso do registro profissional à aprovação da prova. A proposta foi aceita em primeiro turno na Comissão de Assuntos Sociais do Senado por um placar favorável de 11 a 9.
Caso seja aceita, a proposta deve adicionar ao Enamed, ao passo que deve avaliar as entidades de ensino.
Anteriormente, o representante do Cremego afirmou que a entidade defende medidas punitivas contra instituições que não oferecem formação adequada, como o bloqueio de novas vagas, sanções ao Fies e a suspensão de vestibulares. Ele também denunciou que algumas dessas instituições não valorizam os professores, oferecendo remunerações inferiores às praticadas por instituições federais.
Segundo Azevedo, desde 2010 houve um aumento expressivo no número de escolas de medicina, o que ele classificou como uma “abertura indiscriminada”, permitindo que algumas instituições deixassem de cumprir os padrões elevados exigidos pela profissão.
“Algumas dessas escolas oferecem uma formação duvidosa. Não possuem hospital-escola, não realizam treinamento de anatomia com peças cadavéricas nem capacitação adequada para procedimentos como intubação. Grande parte das aulas ocorre apenas com bonecos de simulação, sem preparo para situações realistas”, concluiu.
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