Turismo místico movimenta municípios goianos e fortalece economia local
24 janeiro 2026 às 21h00

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Em meio às serras, cânions, cachoeiras cristalinas e vastos campos do cerrado, o estado de Goiás desponta no mapa turístico brasileiro por um fenômeno que vai além da simples contemplação da natureza: o turismo místico e espiritual.
Em municípios como Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante, Palmelo e Paraúna, a combinação entre tradições, crenças, belezas naturais e experiências alternativas atrai visitantes de todo o Brasil e também do exterior — movimentando a economia local, fortalecendo microempreendimentos e projetando esses destinos no circuito do turismo sustentável e cultural.
Chapada dos Veadeiros: o “Portal Místico do Brasil”
No coração do Planalto Central, a Chapada dos Veadeiros é reconhecida como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco e representa um dos maiores símbolos do turismo alternativo e místico do país. Sua geografia exuberante — com mais de 120 cachoeiras catalogadas entre montanhas, vales e formações rochosas — já seria, por si só, motivo suficiente para atrair visitantes. Porém, é a aura de energia, espiritualidade e conexão com a natureza que distingue a região e a transforma em um destino de referências holísticas.

Alto Paraíso de Goiás, principal cidade-base da Chapada, tem histórias que complementam essa fama. Localizada sobre afloramentos de quartzo e pelo paralelo 14 — o mesmo que atravessa locais considerados sagrados, como Machu Picchu —, o município se tornou sinônimo de refúgio espiritual e centro de autoconhecimento. Praticantes de yoga, meditação, terapias holísticas, retiros e cursos alternativos encontram ali um ambiente propício à introspecção e à renovação.
Essa atmosfera tem impacto direto na economia local. Pousadas ecológicas, restaurantes com culinária orgânica e vegetariana, cafés artesanais, espaços de bem-estar e lojas de artesanato proliferam na cidade e nas localidades vizinhas, gerando emprego e renda para famílias inteiras. A própria expansão da infraestrutura turística — incluindo a capacitação de guias locais e a ampliação dos serviços de hospedagem — é uma resposta ao crescente fluxo de visitantes que chegam à Chapada com diferentes motivações, desde avistamentos celestiais a retiros de autodescoberta.
O Sebrae Goiás, com o apoio de instituições parceiras como a Goiás Turismo, a Associação Veadeiros e a Associação dos Terapeutas, lançou oficialmente a Rota Viva Veadeiros, considerada a primeira rota turística de bem-estar do Brasil. O lançamento ocorreu na Pousada Fazenda São Bento, em Alto Paraíso de Goiás, e marcou um momento histórico para o turismo regional ao consolidar anos de trabalho voltados à valorização da Chapada dos Veadeiros sob uma nova perspectiva.
A iniciativa integra a estratégia estadual e regional de turismo do Sebrae e reforça o protagonismo da Chapada dos Veadeiros como território voltado a experiências terapêuticas e regenerativas, que unem natureza, ancestralidade e saúde integral.
Turismo místico impulsiona economia em Alto Paraíso, diz secretário
O turismo místico e espiritual é um dos principais vetores da economia turística de Alto Paraíso de Goiás, impulsionando o comércio local, a rede hoteleira, a gastronomia, os serviços terapêuticos e a realização de eventos, além de contribuir para a redução da sazonalidade do setor.
Segundo o secretário municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico, Agnaldo Araújo, esse segmento está diretamente ligado ao turismo de bem-estar e amplia o tempo de permanência dos visitantes no município.
“O turismo místico e espiritual fortalece toda a cadeia produtiva local, desde a hospedagem e a gastronomia até os guias de turismo, terapias integrativas e eventos, gerando mais renda distribuída na economia”, afirma.

Além da Vila de São Jorge, a sede de Alto Paraíso também se consolidou como polo desse tipo de turismo, com centros holísticos, espaços terapêuticos, templos ecumênicos e uma agenda contínua de vivências espirituais. Áreas rurais e naturais, como o Quilombo do Moinho, também integram esse cenário, com retiros, centros de meditação e experiências de reconexão com a natureza. Pontos como o Jardim de Maytrea e o Paralelo 14 reforçam a identidade mística do município.
De acordo com o secretário, a demanda por esse tipo de experiência tem crescido de forma consistente, acompanhando uma tendência nacional e internacional de busca por destinos voltados à saúde integral, espiritualidade e qualidade de vida.
“Alto Paraíso se destaca por unir natureza preservada, espiritualidade e turismo de bem-estar. Esse crescimento é visível no aumento de retiros, eventos e na procura por experiências mais conscientes e transformadoras”, destaca Agnaldo Araújo.
Para fortalecer o setor, a Prefeitura tem atuado na estruturação e promoção da Rota Turística de Saúde e Bem-Estar Viva Veadeiros, além de apoiar eventos, investir na divulgação do destino e incentivar a qualificação dos serviços turísticos, com foco na sustentabilidade e no acolhimento.
“A Rota Viva Veadeiros busca consolidar Alto Paraíso como um destino organizado, sustentável e responsável, unindo natureza, cultura, ancestralidade e cuidado com a vida”, conclui o secretário.
Atualmente, o município ainda não dispõe de dados oficiais segmentados exclusivamente sobre o perfil místico ou espiritual dos visitantes, mas o acompanhamento do trade turístico indica que a maior parte do público vem do Distrito Federal, especialmente de Brasília, além de turistas de São Paulo, Rio de Janeiro e visitantes internacionais, principalmente da Europa e da América do Sul.

Jardim de Maytrea
O Jardim de Maytrea, popularmente conhecido como Mirante de Maytrea, é um dos pontos mais emblemáticos da Chapada dos Veadeiros, em Alto Paraíso de Goiás, e se destaca pelo forte simbolismo espiritual atribuído ao local. Considerado sagrado por grupos místicos, o espaço é associado a energias de alta vibração e à conexão com o divino.
O nome Maytrea tem origem no sânscrito maitrī, que significa “amor universal” ou “bondade amorosa”, e faz referência a Maitreya, figura vista por diferentes tradições religiosas como o futuro Buda ou uma manifestação iluminada semelhante a Jesus ou Krishna. Para praticantes de espiritualidade, o local funcionaria como um campo energético especial, potencializado pela presença de uma grande placa de quartzo sob o solo da região.

Além do valor simbólico, o Jardim de Maytrea chama atenção por estar localizado no mesmo paralelo geográfico de Machu Picchu, no Peru, o que reforça, segundo crenças místicas, sua ligação com outros centros espirituais do planeta. A combinação entre paisagem natural e espiritualidade faz do local um dos principais atrativos do ecoturismo místico na Chapada dos Veadeiros.
Cavalcante: fé, tradição e turismo comunitário
A cerca de 230 km de Brasília, Cavalcante é outro município que exemplifica a união entre misticismo, fé e economia local. O destaque da região é a Romaria do Vão do Moleque, um evento religioso que combina devoção, cultura tradicional e vivências comunitárias no ambiente natural do cerrado. A romaria reúne milhares de fiéis todos os anos, incentivando movimentação econômica significativa em serviços de hospedagem, alimentação e transporte durante o período.
Além disso, a presença da comunidade Kalunga — grupo quilombola que preserva tradições ancestrais e modos de vida ligados ao território — agrega um viés cultural autêntico ao turismo local. O território Kalunga abriga lugares emblemáticos como a Cachoeira Santa Bárbara, cujas águas turquesas encantam os visitantes e acrescentam valor ao roteiro turístico da região.
Para a comunidade, o turismo é mais do que receita: é uma forma de manter viva a memória cultural, gerar empregos e fomentar projetos de turismo de base comunitária, incentivando a preservação ambiental e social.

Espiritualidade e natureza impulsionam Cavalcante
Cavalcante, na Chapada dos Veadeiros, tem na espiritualidade, na cultura quilombola e na natureza preservada importantes atrativos turísticos. Segundo o prefeito Vilmar Kalunga (PSB), o município recebe visitantes em busca de paz, descanso e conexão com o meio ambiente, impulsionados pelas tradições místicas e religiosas da região.
“Existe uma questão mística muito forte em Cavalcante. As pessoas vêm para ter momentos de paz, relaxamento e contato com a natureza, que traz tranquilidade para a alma”, afirma.
Com quase 200 anos de história, o município tem cerca de 90% do território preservado e abriga a Comunidade Quilombola Kalunga, cuja cultura inclui saberes tradicionais e práticas de cura com plantas medicinais. “Os conhecimentos passam de geração em geração e muitas pessoas vêm conhecer e buscar esse tipo de cuidado”, destaca o prefeito.

Além do turismo espiritual, Cavalcante se consolida no ecoturismo, com mais de 170 cachoeiras catalogadas e uma rede crescente de hotéis e pousadas. De acordo com Vilmar, o turismo já representa uma fonte de renda importante e tende a crescer com a possível abertura do portão norte do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. “Isso vai ajudar muito no desenvolvimento econômico do município”, conclui.
Palmelo: a capital espírita do Brasil
Se a Chapada dos Veadeiros envolve natureza e energias, Palmelo — no sudeste de Goiás — se destaca pela forte identidade espiritual e religiosa. Considerada a única cidade brasileira em que a maioria da população se declara espírita nas pesquisas do IBGE, Palmelo atrai visitantes que buscam tratamentos mediúnicos, encontros espirituais, estudos doutrinários e experiências relacionadas ao espiritismo.

A origem da cidade está ligada ao Centro Espírita Luz da Verdade, fundado em 1929, que se consolidou como polo de encontros espirituais e de peregrinação. O fluxo de pessoas que visita Palmelo para atividades ligadas à fé tem impacto econômico direto: gera receita para hospedagens, serviços de alimentação, transporte e atividades correlatas que movimentam o comércio local.
Mais do que turismo de massa, o movimento em Palmelo é caracterizado por um perfil de visitante que busca experiências transformadoras e de aprofundamento espiritual, o que impulsiona nichos específicos de serviços e um calendário de eventos que reforça a atratividade da cidade.
A cidade está ligada diretamente ao misticismo
Fundada a partir do espiritismo, Palmelo se consolidou como o principal destino de turismo místico de Goiás e um dos mais relevantes do país. Segundo o Censo 2022 do IBGE, o município é o único do Brasil em que a maioria da população se declara espírita, representando 42,6% dos moradores.
O prefeito Renato Damásio Resende (Podemos) destaca que a cidade surgiu diretamente da doutrina espírita. “Palmelo é a única cidade do Brasil que foi fundada por causa do espiritismo. Tudo começou com um centro espírita e a cidade foi se formando ao redor dele”, afirma.

De acordo com Damásio, a espiritualidade segue como o principal motor do turismo local, atraindo visitantes do Brasil e do exterior em busca de cura e paz interior. “Essa questão da espiritualidade é, com certeza, o carro-chefe do turismo da cidade”, diz.
Embora o fluxo de turistas movimente a hotelaria e o comércio, o prefeito ressalta que a arrecadação municipal ainda é limitada. “Para o município mesmo, não traz muita renda. Vivemos basicamente de repasses”, explica. Mesmo assim, a gestão tem investido em infraestrutura urbana. “Procuramos deixar Palmelo organizada e agradável para que as pessoas encontrem aqui o que vêm buscar, que é paz.”
Abadiânia: resiliência e reconfiguração após crise
Nem todos os municípios conseguiram manter o impulso do turismo místico sem desafios. Abadiânia, famosa internacionalmente por décadas como destino de turismo religioso por conta do médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, passou por um forte abalo após as denúncias de abuso sexual e a prisão do líder espiritual.
Antes disso, a cidade recebia cerca de 4 mil turistas por semana, com forte impacto no setor hoteleiro e no comércio local. Após os escândalos, muitos estabelecimentos turísticos fecharam e o movimento turístico despencou — situação relatada em estudos e colunas sobre a economia municipal.

Nos últimos anos, entretanto, Abadiânia tem buscado reinventar-se economicamente, diversificando suas atividades com foco no ecoturismo, turismo náutico no Lago de Corumbá IV e atração de novas empresas e investimentos. A estratégia tem gerado empregos e ajudado na retomada da economia local, apesar de os efeitos do turismo místico tradicional terem sido profundamente alterados.
Após crise do misticismo, Abadiânia se reinventa com força do ecoturismo, diz prefeito
Conhecida internacionalmente por décadas pelo turismo místico em torno da Casa Dom Inácio de Loyola, comandada pelo médium João de Deus, condenado a mais de 400 anos de prisão por crimes sexuais, a cidade de Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal, passou por uma profunda transformação econômica. Segundo o prefeito Itamar Vieira (PP), o município superou a dependência desse segmento e hoje vive um novo ciclo de crescimento impulsionado pelo ecoturismo e pela valorização do Lago Corumbá IV.
“A cidade foi muito conhecida por essa questão da espiritualidade, mas isso já não é mais o que move a nossa economia. Hoje, Abadiânia tem um ecoturismo em ascensão e uma economia que caminha com as próprias pernas”, afirmou o prefeito.
De acordo com Itamar Vieira, o Lago Corumbá IV se tornou o principal vetor de desenvolvimento local, atraindo entre 8 mil e 10 mil visitantes todos os finais de semana. “Descem em torno de 8 a 10 mil pessoas para o lago. Isso movimenta comércio, serviços e gerou novos investimentos. Foram construídos cinco supermercados recentemente”, destacou.

O prefeito ressalta que o município se consolidou como um dos principais polos de ecoturismo da região, com forte crescimento imobiliário. “Hoje, temos 72 condomínios em Abadiânia, sendo 10 de alto padrão. O maior ecoturismo da região está aqui”, disse.
Segundo Itamar, a queda do turismo místico coincidiu com a ascensão natural do ecoturismo, o que facilitou a transição econômica. “Quando aconteceu tudo aquilo com o João de Deus, o ecoturismo já estava em crescimento. A partir dali a cidade passou a ser vista com outros olhos, principalmente pela acessibilidade melhor e pelo potencial do lago”, explicou.
Apesar da mudança de perfil, o prefeito afirma que o aspecto espiritual ainda existe, mas deixou de ser o eixo central da economia. “A espiritualidade sempre vai existir. A Casa Dom Inácio ainda recebe cerca de 30% do público de antes, mas hoje a cidade não depende mais disso”, pontuou.
Itamar Vieira destaca ainda que Abadiânia se consolidou como o “portal do Lago Corumbá IV”, diferencial que impulsiona novos empreendimentos. “Esse diferencial está estampado nos nossos condomínios. Todo mundo achava que Abadiânia ia acabar, que era só o João de Deus. Mas aconteceu o contrário: a cidade se reinventou.”
Paraúna e outros municípios místicos
Além dos destinos já citados, municípios como Paraúna também ganham notoriedade ao promoverem seus atributos místicos e naturais. Paraúna divulga roteiros que combinam formações rochosas, mistérios históricos e experiências de contato com a natureza, transformando paisagens singulares em motivos para visitação.
A tendência de valorização desse tipo de turismo tem efeitos notáveis na economia local, principalmente em localidades menores que recebem investimentos de pequeno e médio porte para aprimorar atrativos, melhorar serviços turísticos e oferecer experiências diferenciadas aos visitantes.

Serra da Portaria e Muralha de Pedra reforçam vocação do turismo místico em Paraúna
O município de Paraúna, no sudoeste goiano, tem se destacado como um dos principais destinos de turismo místico do Cerrado, impulsionado pelas histórias e crenças que envolvem a Serra da Portaria e a Muralha de Pedra. Segundo o secretário municipal de Turismo, Cleber Cabral, a cidade carrega uma identidade singular ligada à espiritualidade e às energias naturais. “Paraúna tem uma pegada mística muito forte, que desperta curiosidade e atrai visitantes interessados em vivências diferentes”, afirma.
Localizada em meio ao Cerrado, a Serra da Portaria é cercada por relatos populares que atravessam gerações. Moradores e visitantes afirmam sentir uma energia intensa no local, associada, segundo a tradição oral, à existência de um portal energético. Essas narrativas se intensificam principalmente entre os meses de julho e setembro, período em que são relatados fenômenos luminosos vindos da serra.

A mística do lugar já motivou iniciativas voltadas à introspecção e ao bem-estar. Uma pousada construída de frente para a serra — hoje desativada — chegou a receber encontros com profissionais da área da saúde mental, atraídos pela energia do local, considerada propícia ao equilíbrio emocional e a estudos ligados à mente humana.
Nas proximidades está a Muralha de Pedra, também chamada de Muralha de Ferro, descrita por escritores como uma formação geológica incomum. O autor Alódio Tovar aponta que as pedras, de origem vulcânica e inexistentes nas áreas vizinhas, poderiam indicar uma antiga divisão territorial entre civilizações pré-colombianas, hipótese que reforça o caráter enigmático da região.
Relatos antigos de moradores, como Dona Virgilina, mencionam luzes e manifestações aéreas nas imediações da muralha, narrativas que seguem vivas no imaginário local e foram registradas por autores como João Vicente, no livro Os Segredos do Cerrado.
De acordo com Cleber Cabral, o turismo místico tem ganhado relevância não apenas cultural, mas também econômica. “É um turismo que não é de massa, mas que gera impacto positivo, porque o visitante permanece mais tempo, consome serviços locais e busca experiências autênticas”, destaca.
O município já recebe turistas de várias regiões do Brasil e até do exterior, atraídos por espiritualidade, energia da natureza e experiências sensoriais. Para a gestão municipal, esse segmento amplia e diversifica a oferta turística, fortalece a identidade local e consolida Paraúna como um destino singular no Cerrado goiano.

Pirenópolis se consolida como destino de turismo místico e de bem-estar em Goiás
Conhecida pelo patrimônio histórico e pelas belezas naturais, Pirenópolis também vem se destacando como um dos principais polos de turismo místico e espiritual de Goiás. A busca por experiências de conexão com a natureza, equilíbrio emocional e bem-estar tem atraído visitantes ao município, movimentando a economia local e fortalecendo um segmento que envolve cachoeiras, trilhas, terapias integrativas e espaços religiosos, tanto na zona rural quanto urbana.
A secretária de Turismo de Pirenópolis, Helga Jaime de Oliveira, destaca que o município se consolidou como um destino com forte apelo místico e espiritual, atraindo visitantes em busca de conexão com a natureza e bem-estar do corpo, da alma e do espírito.
“Pirenópolis tem essa fama de ser uma cidade muito mística. A energia é muito boa e, de fato, as pessoas procuram muito esse contato, principalmente por meio das cachoeiras”, afirma. Segundo a secretária, esse perfil de turismo tem impacto direto na movimentação econômica do município. “Isso atrai muitos turistas para Pirenópolis, sim”, reforça.

Helga explica que a espiritualidade está presente em diferentes pontos do território pirenopolino, incluindo distritos históricos. “Lagolândia é um distrito de Pirenópolis onde morou a Santa Dica, e lá essa questão da espiritualidade é muito forte”, ressalta.
De acordo com a secretária, o turismo místico e de bem-estar é hoje um segmento relevante para a economia local. “Nós temos cachoeiras, trilhas, terapias integrativas, então isso é bastante importante para o município”, afirma.
Além das áreas naturais, a secretária lembra que a própria zona urbana também concentra espaços procurados por turistas interessados em espiritualidade e bem-estar. “As igrejas, o próprio Rio das Almas, na região da Ramalhuda, os spas… há vários locais dentro da cidade que também são buscados, não somente as cachoeiras.”
Destino do misticismo, natureza e espiritualidade
Segundo a turismóloga e guia de turismo Patrícia Cristina Silva Martins, a região atrai visitantes que buscam “cura interior, paz, espiritualidade e conexão com a natureza”.
De acordo com ela, municípios como Alto Paraíso de Goiás, o povoado de São Jorge e Cavalcante concentram a maior parte dessa demanda. “O misticismo é muito forte, principalmente em São Jorge e Alto Paraíso. As pessoas procuram para fazer meditação, práticas espirituais e vivenciar esse sincretismo que a região oferece”, afirma.
Na estrada entre Alto Paraíso e Teresina de Goiás, na borda do Parque Nacional Chapada dos Veadeiros, os mais místicos da região afirmam haver um portal para outra dimensão. O local é famoso por ser cortado pelo Paralelo 14, uma linha imaginária que dizem também atravessar a região de Machu Picchu no Peru.
Um dos locais mais procurados é o Mirante Jardim de Maytrea, em Alto Paraíso, cercado por lendas e crenças espirituais. “Há quem acredite que ali existe um portal para outra dimensão. É um lugar muito visitado por pessoas que acreditam nesse misticismo”, relata Patrícia, destacando que já acompanhou grupos que realizam meditação no local.

Segundo a guia, o perfil dos turistas inclui pessoas que buscam trilhas, cachoeiras e o afastamento da rotina urbana, aliando natureza e espiritualidade. “Eles querem sair da correria da cidade e buscar algo mais espiritual, algo da alma”, explica.
Patrícia ressalta ainda que a Chapada dos Veadeiros é um destino consolidado internacionalmente, atraindo também estrangeiros motivados pelo misticismo e pelo contato com a natureza. “Pessoas vêm de fora do Brasil por essa questão espiritual, além das trilhas e cachoeiras”, diz.
Ela destaca que o turismo místico na região está em expansão e passa por um processo de profissionalização para atender esse público. “É um tipo de turismo que cresce muito. A Chapada está se preparando para receber turistas brasileiros e internacionais interessados nessas experiências.”
turismo de bem-estar movimenta economia e atrai visitantes
A terapeuta Ana Caporrino afirma que o misticismo da Chapada dos Veadeiros está ligado à força da natureza, aos cristais, às águas do Cerrado e aos saberes ancestrais, somados à chegada de profissionais de diversas terapias. Segundo ela, esse conjunto transformou a região em um polo de práticas integrativas, que atraem turistas de várias partes do Brasil e do exterior e movimentam a economia local.
“A Chapada acabou virando um centro de terapias e atividades holísticas, o que se tornou um grande atrativo para a cidade”, destaca Ana, que atua em Alto Paraíso e integra a Associação de Terapeutas da Chapada dos Veadeiros. De acordo com a terapeuta, há oferta de mais de 100 modalidades diferentes, com atendimentos diários voltados ao chamado turismo de bem-estar.

Paulista de origem, Ana Caporrino vive em Goiás há sete anos. “Eu já trabalhava como terapeuta em São Paulo, mas de forma informal, porque tinha outra profissão. Quando me mudei para Alto Paraíso, passei a focar nisso e transformei o bem-estar na minha atividade principal”, relata.
Para ela, além do aspecto espiritual e terapêutico, o setor representa uma oportunidade concreta de renda. “As terapias movimentam a economia local e se tornaram um diferencial da Chapada dos Veadeiros.”
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