Lúcia Pedreira

Em Cuba

Nas rodovias de Cuba, o tráfego é tranquilo, por causa, principalmente, da escassez do combustível, que vem da Venezuela. Algumas estradas, como a que atravessamos o país do Sul ao Norte, de Trinidad ao Cayo de Santa Maria, não estão bem conservadas. Quando inicia a pista que liga o país ao cayo (ilha) impressiona.

São 56 quilômetros de estrada, bem conservada, construída no mar, com 48 pontes que dão passagem a água de um lado a outro. O motorista do táxi nos explicou que o trecho foi construído com pedras, retiradas de rochas. Uma obra do governo de Fidel Castro (1926-2016).

Além de favorecer os moradores da região, impulsionou o turismo. Por certo, um projeto para estimular a economia com a visitação de estrangeiros para apreciarem a beleza natural do mar do Caribe, de água azul turquesa, mostrar o lado poético de Cuba.

As praias nos cayos atraíram grandes redes hoteleiras a instalarem resorts, que geram empregos, além de mostrar um lado distante da realidade da maioria da população. Ficamos em um desses resorts, em Cayo de Santa Maria. Mesmo nestes empreendimentos, há restrições ao uso de energia elétrica. Nos apartamentos, restaurantes e bares, funciona normal. Do lado de fora, à noite, quase não há iluminação.

O mar é exuberante. Completam o cenário majestoso da ilha gaivotas e pelicanos, que disputam a pesca com mergulhos espetaculares.

Não podíamos deixar de ir a Varadero, onde a natureza também reservou encantos caribenhos. O azul do mar se confunde com o azul do céu.

A hora da “propina” e sem racismo

Em Cuba, a oferta de gorjeta é comum, tanto nos resorts como em outros lugares. Os cubanos sempre aguardam a propina (sinônimo de gorjeta), como dizem. Alguns pedem, outros fazem agrados para merecerem a recompensa.

Conversei com as funcionárias do bar dentro do resort. Dayana e Dallamy trabalham satisfeitas, dizem que o salário é melhor nestes locais. Dayanna é casada e tem um filho de 7 anos. Está no emprego há 19 anos. É negra e conta que em Cuba não há racismo. Conta que as mulheres são respeitadas, possuem os mesmos direitos que os homens. 

Nos resorts, há turistas de vários países. E também passeios sofisticados de paramotor, ultraligeiro, barcos, não inclusos no pacote da hospedagem.

Lúcia Pedreira, jornalista, é colaboradora do Jornal Opção.