Músico diz que Cuba “agoniza” porque Miguel-Díaz é um presidente fraco
07 março 2026 às 21h00

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Lúcia Pedreira
Em Cuba
Estou em Cuba em um momento em que os cubanos seguem apreensivos com o ataque dos Estados Unidos à Venezuela. O governo de Miguel-Díaz Canel decretou luto nacional de dois dias por causa da morte de 32 cubanos. Eles eram integrantes das Forças Armadas Revolucionárias e órgãos de inteligência cubanos, em defesa da Venezuela.
Estamos em Cienfuegos (“a pérola do sul”), cidade fundada pelos franceses. Eles deixaram a herança no planejamento das ruas retas e na arquitetura, desenhada em art déco. Um conjunto de prédios adaptados a uma realidade cubana distante da europeia. Os moradores não ostentam trajes alinhados, são simples. Nos restaurantes, só se vê turistas.

Aqui, nós ficamos — dois amigos e uma amiga — em um hostel. É um prédio antigo, com uma fachada nada atraente, por dentro móveis em estilo colonial, azulejos belíssimos. Ficamos sabendo que o negócio, alugado por meio de AirBnb, é administrado por um sócio do dono do hostel que mora nos EUA. Certamente, uma maneira de driblar o embargo.
Cienfuegos é uma cidade que enfrenta falta severa de energia elétrica. À noite, só há luz nas casas que possuem energia solar ou gerador. As ruas ficam escuras, a exceção na porta de algumas casas e na avenida principal.
Um desses dias, ficamos impossibilitados de abrir a porta do prédio, que funciona a cartão. Enquanto aguardávamos o proprietário chegar, fomos acolhidos por um vizinho.

Músico sente saudade de Fidel Castro
O músico Gonzalo Bermúdez, psicólogo e maestro, que mantém um estúdio em sua casa, onde oferece aulas gratuitas de música a crianças e jovens. Os instrumentos musicais são doados pela ONG Música Sem Fronteiras.
Aproveitamos a hospitalidade para conversar. Gonzalo diz que o presidente Miguel-Díaz é “fraco” como governante, não é um líder, por isso o país vem agonizando, mergulhado em crise econômica sem esperança de mudança.
Fala com saudosismo de Fidel Castro, “o grande líder de Cuba”.

Também apreensivo com o desenrolar dos fatos na Venezuela, Gonzálo acredita que Cuba a qualquer momento possa ser alvo dos Estados Unidos.
Comunga da mesma opinião a educadora Evelin, que trabalha em uma biblioteca pública. A mãe dela mora no México e manda dinheiro para ajudar-lhe nas despesas. Muitos cubanos vivem situação semelhante.
Lúcia Pedreira, jornalista, é colaboradora do Jornal Opção. O texto foi publicado originalmente no Facebook. A redação o republica na íntegra, sem atualização.

