Indústria e agro caminham juntas e posicionam Goiás com o segundo maior crescimento econômico do Brasil
03 janeiro 2026 às 21h00

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Goiás registrou, em 2025, o segundo maior crescimento econômico do país, com alta de 4,8%, segundo o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR), divulgado pelo Banco Central. O resultado ficou atrás apenas do Pará e acima da média nacional, que foi de 2,4% no mesmo período. Os dados chamam atenção não apenas pelo ritmo de crescimento, mas também pelos fatores que explicam esse desempenho.
O IBCR é um indicador mensal utilizado para acompanhar a evolução da atividade econômica antes da divulgação do Produto Interno Bruto (PIB), que ocorre de forma trimestral. O índice reúne informações de diferentes bases estatísticas, como pesquisas industriais, de serviços e dados da produção agrícola. No caso dos estados, o Banco Central divulga apenas o crescimento total, sem detalhamento setorial.
Para identificar de onde vem esse avanço, o Instituto Mauro Borges (IMB) utiliza metodologias próprias de acompanhamento da economia goiana, cruzando informações do IBCR com dados estaduais. Segundo o presidente do IMB, Erik Figueiredo, o desempenho de 2025 está diretamente ligado ao avanço do agronegócio e da indústria.
Os dados mostram um crescimento expressivo do agro, acima de dois dígitos, e uma expansão da indústria próxima de 3% no ano. Em Goiás, esses setores estão conectados e ajudam a explicar o resultado agregado da economia, afirma.
A relação entre agro e indústria é considerada um dos principais diferenciais do Estado. Segundo ele, parte significativa da produção agrícola passa por etapas de processamento industrial, o que amplia o impacto econômico. Produtos como soja, milho, cana-de-açúcar e carnes não se limitam à produção primária, sendo transformados em alimentos, biocombustíveis e outros derivados.
O desempenho do agronegócio em 2025 também reflete a recuperação após um ano anterior marcado por condições climáticas adversas. Erik pontua que, em 2024, a expectativa era de retração da produção, mas o setor conseguiu encerrar o período com resultados melhores do que os inicialmente projetados. Com condições mais favoráveis em 2025, houve aumento significativo da produção.

Agronegócio em alta
De acordo com o gerente técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Edson Novais, o agronegócio tem sido o principal responsável pelo crescimento da economia estadual.
Enquanto a economia goiana crescia cerca de 4,7% até abril de 2025, a agropecuária avançava mais de 16%. Isso se deve ao aumento da produtividade, ao uso de tecnologia e à continuidade da produção mesmo diante de dificuldades, explica.
Entre as culturas agrícolas, soja, milho e cana-de-açúcar concentram a maior parte da produção. Juntas, soja e milho representam mais de 90% do volume colhido no Estado, que ultrapassou 37 milhões de toneladas na safra 2024/2025. Na pecuária, houve crescimento da produção de carne bovina, aves e suínos, voltada tanto ao mercado interno quanto às exportações, segundo o gerente técnico.
As vendas externas reforçam o peso do setor. Edson destaca que, no ano passado, cerca de 85% das exportações goianas tiveram origem no agronegócio. A China foi o principal destino, respondendo por mais da metade do total exportado, especialmente do complexo soja e da carne bovina.

Indústria diversificada
A indústria também teve papel relevante no desempenho da economia goiana. Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, o Estado apresenta um movimento distinto do observado em nível nacional.
Enquanto a participação da indústria tem diminuído no Brasil, em Goiás ela vem crescendo, o que contribui para ampliar a cadeia produtiva e a geração de renda, afirma.
Segundo ele, setores como alimentos, bioenergia, farmacêutico, mineração, sucroenergético e automotivo têm sustentado esse avanço. André afirma que a presença industrial em municípios do interior resulta na geração de empregos formais e ao aumento da arrecadação local, além de estimular atividades de comércio e serviços.
Apesar do cenário de crescimento, o setor industrial enfrenta desafios relacionados ao custo do crédito, à carga tributária e às mudanças previstas com a reforma tributária, que tende a reduzir os incentivos fiscais estaduais. Para as entidades representativas, a manutenção de um ambiente de negócios mais eficiente passa a ser um fator central para a atração e permanência de investimentos.

O impacto do crescimento econômico vai além dos indicadores macroeconômicos. Com a economia goiana próxima de alcançar um PIB de R$ 400 bilhões, o volume de riqueza gerado no Estado praticamente dobrou em relação a 2018, quando era inferior a R$ 200 bilhões.
De acordo com o IMB, atualmente, cerca de 60% do PIB goiano é gerado pelo setor de serviços, enquanto indústria e agro respondem, cada um, por aproximadamente 20%. Esse perfil é semelhante ao de outras economias, mas com a particularidade de que, em Goiás, a indústria tem ampliado sua participação nos últimos anos.
Para Erik Figueiredo, o crescimento econômico se reflete no mercado de trabalho e na renda. “O PIB representa a produção de riqueza ao longo do ano. Quando a economia cresce, há mais circulação de dinheiro, mais oportunidades de emprego e maior demanda por mão de obra”, explica.
A avaliação dos entrevistados é que a continuidade desse desempenho dependerá da capacidade do Estado de manter políticas voltadas à competitividade, à infraestrutura e à qualificação profissional, além de lidar com os desafios do cenário econômico nacional.
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