Líder do governo Ibaneis é alvo de operação por suspeita de desvio de R$ 46 milhões na Educação do DF
12 março 2026 às 10h33

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O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Polícia Civil do DF continuam avançando nas investigações da Operação Blackboard, deflagrada nesta quinta-feira, 12, que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos na Secretaria de Educação do Distrito Federal. A ação teve como um dos principais alvos o deputado distrital Hermeto (MDB), líder do governo na Câmara Legislativa do DF (CLDF), que foi alvo de mandados de busca e apreensão.
As diligências ocorreram na sede da Secretaria de Educação, na CLDF e em endereços ligados ao parlamentar. Segundo o MPDFT, a investigação envolve suspeitas de irregularidades em contratos e no uso de recursos públicos, incluindo verbas oriundas de emendas parlamentares destinadas à área educacional.
Suspeita envolve contrato de locação de escola
Um dos focos da apuração é a locação de um imóvel para abrigar o Centro de Ensino Fundamental 01 (CEF 01) da Candangolândia e a sede da Coordenação Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante. De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o prédio teria sido alugado por meio de dispensa irregular de licitação e com indícios de superfaturamento.
O imóvel pertence à empresa Saída Sul Hospedagens Ltda., ligada ao empreendimento A2 Motel. Investigadores apontam que o contrato teria gerado gastos superiores ao que seria necessário para reformar o prédio público original da escola. Apenas em aluguéis, o poder público teria desembolsado mais de R$ 19 milhões, enquanto a reforma do imóvel original poderia ter custado menos.
Segundo o MPDFT, o esquema investigado envolve possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, peculato, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ao todo, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, além de operações nos estados de São Paulo, Goiás e Tocantins.
Papel de Hermeto no suposto esquema
Os investigadores apontam que Hermeto teria tido papel central na articulação do contrato investigado. De acordo com o Gaeco, o parlamentar teria intermediado contatos com o então secretário de Educação, João Pedro Ferraz dos Passos, para viabilizar a assinatura do contrato de locação.
Além disso, a investigação aponta que servidores da Secretaria de Educação teriam sustentado a narrativa de que o prédio original da escola estaria condenado e precisaria ser desocupado, embora não houvesse laudos técnicos que comprovassem a situação.
A Secretaria de Educação informou que o processo tramita sob sigilo e afirmou que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários durante a investigação.
Pressão política e questionamentos sobre relações financeiras
A operação também ocorre em meio a questionamentos envolvendo o entorno político do governo do Distrito Federal. Veio à tona que o escritório de advocacia ligado ao governador Ibaneis Rocha teria recebido cerca de R$ 38 milhões de uma empresa associada ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Ibaneis afirmou que, segundo sua versão, o escritório teria recebido apenas R$ 4 milhões e declarou que atualmente está afastado da atuação no escritório.
A explicação, porém, não encerrou as críticas no meio político. Observadores apontam que, embora o governador diga não participar da gestão cotidiana do escritório, a sociedade jurídica continuaria sendo dele — o que significa que o escritório permanece vinculado ao seu nome e pode seguir se beneficiando financeiramente dos contratos firmados.
Investigação em andamento
O MPDFT afirma que a operação ainda está em fase inicial e que novas diligências podem ocorrer conforme o avanço das apurações. Os investigadores analisam documentos, contratos, notas fiscais e movimentações financeiras apreendidas durante a operação.
Novos desdobramentos podem surgir nos próximos dias, especialmente após a análise do material recolhido pelas autoridades.
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