Enquanto Bolsonaro afirma que brasileiros vivem sob a ‘sombra do autoritarismo’, Lula reforça agenda a alternativa do dólar

11 julho 2025 às 09h33

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O ex-presidente da república, Jair Bolsonaro (PL), pediu urgência aos poderes que retornem a “normalidade institucional”, em nota publicada no X (antigo Twitter). A publicação veio um dia depois do anúncio do presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, de impor tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros pela “caça às bruxas” contra Bolsonaro que ocorre na Justiça.
Em nota, o ex-presidente, que também é acusado de orquestrar uma tentativa de golpe de Estado, afirma que esta perseguição ocorre com “milhões de brasileiros que se recusam a viver sob a sombra do autoritarismo”. Enquanto isso, afirma que o Brasil caminha para ser um pária internacional, afirmação que foi usada pelo atual presidente da república, Luiz Inácio Lula (PT), para se referir a Bolsonaro.
Da mesma forma, Bolsonaro defende a atitude de Trump ao citar a “firmeza e a coragem de Trump na defesa dos princípios da liberdade de expressão, de imprensa, de consciência e de participação política”. Ainda cita que a medida protagonizada pelo norte-americano seria um resultado do afastamento do Brasil destes princípios liberais.
Apesar disso, é sabido que a comunicação do presidente norte-americano, pela secretária de imprensa, Karoline Leavitt, ativamente limita a participação dos jornalistas das redes tradicionais nas coletivas de imprensa, além do presidente sancionar economicamente e politicamente os estados norte-americanos que protagonizam programas de inclusão cultural e de gênero.
Agenda alternativa do dólar
Por outro lado, o presidente Lula reafirmou o compromisso do bloco de interesses do BRICS em desenvolver uma moeda comum para competir com o dólar, em entrevista ao Jornal Nacional da rede Globo. Em 2025, o Brasil é o país que preside o grupo e consegue pautar temas de interesse mútuo entre as nações integrantes, como: China, Índia, África do Sul, Rússia, Irã, Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita.
“Nós cansamos de ser subordinados ao Norte. Queremos ter independência nas nossas políticas, queremos fazer comércio mais livre e as coisas estão acontecendo de forma maravilhosa. Nós estamos discutindo, inclusive, a possibilidade de ter uma moeda própria, ou quem sabe com as moedas de cada país a gente fazer comércio sem precisar usar o dólar”, afirma Lula.
Ainda de acordo com o presidente, o bloco reúne pelo menos metade da população mundial e cerca de 30% do PIB global, ao passo que dez nações integrantes do bloco fazem parte do G20, grupo de interesse dos 20 países mais produtivos do planeta.
Em outra entrevista à Record TV, Lula reforçou o compromisso com a criação de uma nova moeda. “Eu não sou obrigado a comprar dólar para fazer relação comercial com a Venezuela, com a Bolívia, com o Chile, com a Suécia, com a União Europeia, com a China. A gente pode fazer nas nossas moedas. Por que eu sou obrigado a ficar lastreado pelo dólar, que eu não controlo?”
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