O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), confirmou que a administração municipal seguirá com o plano de vender 49% das ações da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). “A decisão já foi tomada”, afirmou o gestor em entrevista ao Jornal Opção nesta quinta-feira, 27.

Segundo Mabel, a venda representa a etapa final do processo de reestruturação e modernização da companhia, permitindo que a Comurg passe a celebrar contratos com empresas terceirizadas. Ele ressalta que o município continuará com o controle majoritário da empresa pública, o que deve ocorrer após a liquidação da dívida ativa da companhia, atualmente em negociação. “Estamos preparando ela para isso”, disse.

O prefeito argumenta que a medida dará à Comurg maior capacidade de contratar e prestar serviços ao mercado, sem prejuízo à administração do Aterro Sanitário de Goiânia, que permanecerá sob responsabilidade da empresa.

Críticas e preocupações

Apesar da defesa do prefeito, entidades do setor de limpeza pública e representantes dos trabalhadores demonstram preocupação com os impactos da proposta.

Em nota, o Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Pública e Ambiental (Seacons) destacou que a mudança deve ser acompanhada de garantias aos servidores. “É de suma importância assegurar a capacitação e valorização dos empregados públicos que há décadas sustentam a operação da companhia.”

As entidades também reforçam que a prefeitura deve reter o controle acionário, garantindo que a função pública e o interesse coletivo permaneçam como prioridade.

Posicionamento na Câmara

A vereadora Kátia Maria (PT), que defende a atuação da empresa, afirmou que a modernização da Comurg é necessária, mas considera inadequada a venda de ações como caminho para essa mudança. “A reestruturação da Comurg é uma pauta comum, mas fazer isso com a venda de ações não é a reestruturação que a gente quer”, declarou.

Para ela, a companhia já possui capacidade técnica para ampliar sua atuação no mercado. “Defendo há muito tempo a inserção da Comurg no mercado. No ano passado, realizei audiência pública com participação da direção da companhia, colocando o BNDES à disposição para financiar essa modernização.”

Resposta do prefeito

Diante das críticas, Mabel afirmou que a reestruturação é necessária após décadas de falta de organização. “Faz 40 anos que a empresa está desarrumada, defasada, totalmente moída, e agora querem dar palpite no que fazer. A venda já é uma decisão tomada e vamos arrumar a Comurg.”

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