*Com informações de Cilas Gontijo

O vice-governador de Goiás, Daniel Vilela, afirmou nesta sexta-feira, 20, que lamenta “profundamente” a saída de Ana Paula Rezende do MDB e sua filiação ao PL, onde foi anunciada como pré-candidata a vice-governadora na chapa liderada pelo senador Wilder Morais.

Em declaração à imprensa, Daniel classificou a decisão como “impensada” e disse que o rompimento decorre, essencialmente, de um desacordo sobre a impossibilidade legal de utilizar recursos públicos para a construção de um memorial em homenagem ao ex-governador Iris Rezende.

Segundo Daniel Vilela, ninguém insistiu mais do que ele para que Ana Paula ingressasse e permanecesse na vida política pelo MDB. O vice-governador afirmou que chegou a defender, até o prazo final, que ela fosse candidata à Prefeitura de Goiânia. “Eu estava lá no escritório insistindo com ela da importância dela suceder o pai dela e hoje ela seria prefeita de Goiânia. Eu não tenho a menor dúvida disso”, declarou.

Após a negativa, Daniel disse ter buscado outras alternativas para manter Ana Paula no projeto político do partido, inclusive como candidata a vice-governadora. De acordo com ele, a proposta também foi rejeitada. “Insisti de forma enfática para que ela fosse a nossa candidata a vice. Ela disse que não gostaria de ocupar esse cargo”, relatou, acrescentando que, em conversas posteriores, ela demonstrou indefinição sobre quando ou se entraria novamente na agenda eleitoral.

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O vice-governador também destacou que Ana Paula foi “extremamente prestigiada” dentro do MDB, ao ser escolhida por ele como vice-presidente estadual da legenda. Daniel explicou que, pelo estatuto partidário, governadores não podem presidir o partido, o que abriria caminho para que ela assumisse a presidência estadual do MDB em até 40 dias, caso ele se desincompatibilizasse do cargo para disputar a reeleição. “Ela assumiria a condição de líder do nosso partido, o partido do qual o pai dela sempre foi líder e que também presidiu”, afirmou.

Ao tratar do motivo central do rompimento, Daniel Vilela disse que a principal razão para a saída de Ana Paula foi a recusa do governo em cometer uma ilegalidade. Segundo ele, houve cobrança para que fossem utilizados recursos públicos na construção de um memorial em homenagem a Iris Rezende. “Algo que, do ponto de vista pessoal e político, eu teria a maior das boas vontades de fazer, mas a lei impede. Não se pode utilizar recursos públicos para fazer um memorial particular”, disse.

Daniel afirmou que essa negativa gerou críticas públicas por parte de Ana Paula ao governo e ao MDB, desconsiderando, segundo ele, a impossibilidade legal da iniciativa. “É algo muito pequeno, perfeitamente explicável em razão da lei, para ela sair e tomar uma atitude dessa forma, que sem dúvida traz uma tristeza enorme para muitos emedebista do estado”, declarou.

Apesar do tom crítico, o vice-governador disse respeitar a decisão e afirmou esperar que o processo eleitoral transcorra dentro da normalidade democrática. “Cada um tem que agir do jeito que acha que tem que ser. O que prevalece é a democracia. Afinal de tudo, é o povo goiano que vai decidir nas urnas quem quer para liderar o estado”, afirmou.

Daniel Vilela também comentou o cenário político mais amplo, dizendo que o grupo governista, liderado pelo governador Ronaldo Caiado, mantém diálogo com partidos e lideranças que desejam dar continuidade ao atual projeto em Goiás. Segundo ele, há apoio majoritário dentro do MDB à sua permanência como vice-governador na chapa governista e à estratégia do partido para 2026.

Ao relembrar sua trajetória política, Daniel destacou que sua candidatura a vice-governador em 2022 foi construída com o apoio direto de Iris Rezende, que teria defendido sua composição com Caiado como a melhor alternativa para o partido e para o estado. “Foi uma conversa decisiva, em que ele elogiou o comportamento ético do governador, o combate à corrupção e a diferença em relação às práticas do governo anterior”, concluiu.