As revelações sobre a relação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, provocaram reações de nomes da política nacional nesta terça-feira, 1º. Os candidatos à Presidência Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) criticaram o magistrado, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu que Moraes renuncie ao cargo.

As manifestações ocorreram após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de uma investigação que apura a relação entre Moraes e Vorcaro. Entre as informações divulgadas estão registros relacionados a contatos entre o ministro e o banqueiro.

Zema adotou o tom mais duro. Em publicação nas redes sociais, o candidato afirmou que as revelações reforçam as razões pelas quais apresentou, quando ainda era governador de Minas Gerais, um pedido de impeachment contra Moraes. Agora, defendeu a prisão do ministro.

“Aquele pequeno aspirante a ditador nunca me enganou”, escreveu Zema. Na sequência, afirmou que o impeachment seria uma punição insuficiente. “O impeachment é muito brando. O que ele merece é prisão. Chega desse intocável enriquecendo-se às custas do povo. Tranque-o e faça-o devolver cada centavo.”

O candidato também repercutiu informações atribuídas à Polícia Federal sobre um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. As afirmações sobre a atuação de Moraes são alvo de investigação e não representam, por si só, uma conclusão sobre eventual irregularidade.

Caiado pede afastamento

Caiado também reagiu ao caso e voltou a defender o afastamento imediato de Moraes do Supremo. Para o candidato, as informações reveladas comprometem as condições do magistrado para permanecer na Corte.

“O ministro Alexandre de Moraes não tem a menor condição de continuar à frente do Supremo Tribunal Federal”, afirmou.

Em outra manifestação nas redes sociais, Caiado ampliou a cobrança e defendeu que qualquer autoridade que eventualmente tenha utilizado influência para beneficiar Vorcaro preste esclarecimentos.

“Semanas atrás, eu disse que Vorcaro havia contaminado todos os Poderes; hoje, isso deixou de ser um aviso e se tornou um fato”, escreveu.

O candidato acrescentou que a cobrança deveria ocorrer independentemente do cargo ocupado. “Não importa se o nome é de um senador ou de um juiz da Suprema Corte, qualquer um que tenha usado a proximidade do poder para proteger o banqueiro deve ao país explicações completas, sem exceção.”

Caiado também cobrou uma resposta dos demais integrantes do STF e afirmou que o colegiado deveria discutir a situação de Moraes.

Flávio Bolsonaro defende renúncia

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também elevou a pressão sobre o ministro. Ao chegar ao Senado para presidir uma sessão da Comissão de Segurança Pública, classificou a situação como “muito grave” e afirmou ter ficado “impactado” com as informações divulgadas.

O parlamentar mencionou especificamente a revelação de que Moraes teria analisado um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes.

Diante do episódio, Flávio defendeu que o próprio ministro deixe voluntariamente o Supremo, em vez de aguardar uma eventual iniciativa para afastá-lo.

“Eu acho que o Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem mais condição de ele continuar sendo ministro do Supremo”, declarou.

As três manifestações ampliam a pressão política sobre Moraes, mas apresentam cobranças diferentes. Zema defende a prisão do ministro, Caiado pede seu afastamento e Flávio Bolsonaro sustenta que o magistrado deveria renunciar ao STF.

As acusações e avaliações feitas pelos políticos não significam, por si só, comprovação de irregularidades por parte do ministro. As circunstâncias envolvendo Moraes, Vorcaro e o Banco Master dependem da apuração conduzida pelas autoridades competentes.

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