PF cumpre 9 mandados e revela colapso do Samu em Goiânia na gestão Rogério Cruz
28 novembro 2025 às 08h04

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A Operação Check-up 192, deflagrada nesta sexta-feira, 28, pela Controladoria-Geral da União (CGU) e Polícia Federal (PF), lança luz sobre um período de forte deterioração do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Goiânia. As investigações apontam suspeitas de desvios de recursos, serviços simulados e irregularidades na manutenção da frota entre 2022 e 2024 — período da gestão de Rogério Cruz (SD) em que o atendimento à população já dava sinais de colapso.
Nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos pela 5ª Vara Federal Criminal — sete em Goiânia e dois em Aparecida de Goiânia. Entre os investigados estão servidores municipais, empresas e pessoas físicas suspeitas de integrar um esquema que, segundo a CGU, mantinha ambulâncias paradas por longos períodos enquanto registrava despesas como se elas estivessem em pleno funcionamento. Há indícios de superfaturamento, uso de oficinas clandestinas e emissão de notas fiscais falsas.
Frota reduzida e filas por atendimento
A precariedade do serviço ficou evidente ao longo de 2024. Em 4 de julho, uma escala interna obtida pelo Jornal Opção mostrou que apenas cinco ambulâncias estavam realmente em circulação — número muito abaixo do necessário para cobrir a capital. Apesar disso, representantes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) insistiam que sete viaturas estavam operando.
Servidores denunciaram sobrecarga, falta de manutenção e abandono da frota. “Existe a frota aqui; se consertar, dá para trabalhar até resolver o problema”, relatou um trabalhador, sob anonimato. Outro descreveu o cenário como “insustentável”. Neste período, o Jornal Opção também noticiou casos em que pessoas morreram por falta de atendimento do Samu.
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