Há 37 dias, a rotina da família de Alysson Morlé Matos Arcencio, de 32 anos, se transformou em um cenário de angústia, buscas e incertezas. O jovem desapareceu na madrugada do dia 16 de abril, em Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, e desde então a mãe, Clênia Morlé, afirma enfrentar a falta de respostas sobre o paradeiro do filho e sobre o andamento das investigações conduzidas pela Polícia Civil.

Segundo Clênia, Alysson possui um pré-diagnóstico de esquizofrenia e fazia uso contínuo de medicações controladas. Ela relata que, no dia do desaparecimento, o comportamento do filho estava dentro da normalidade. “Ele faz uso de medicamento porque tem um pré-diagnóstico de esquizofrenia. O dia dele foi normal. Não teve briga em casa, não teve nada. Simplesmente ele sumiu”, contou à reportagem do Jornal Opção. 

De acordo com a mãe, por volta das 22h daquele dia, ela preparou o suco com a medicação do filho e perguntou se ele iria dormir. Alysson respondeu que sim e foi para o quarto. Porém, cerca de três horas depois, quando Clênia acordou para tomar os próprios remédios, percebeu que o filho já não estava mais em casa. “A mochila dele não estava mais lá. Dentro tinha só a certidão de nascimento e algumas roupas. Ele saiu sem celular, sem dinheiro e sem documentos”, afirmou.

A família procurou a portaria do condomínio onde mora e foi informada de que Alysson havia saído carregando uma bolsa de viagem, uma mochila preta, uma manta e um travesseiro. No entanto, segundo a mãe, as câmeras não conseguiram registrar a saída do jovem devido a uma queda de energia no momento.

Clênia afirma ainda que, um dia antes do desaparecimento, uma pessoa desconhecida teria levado Alysson até a porta do condomínio em um carro. Ela disse que não permitiu a entrada do veículo. “Esse carro ficou esperando ele do lado de fora. Depois do desaparecimento, consegui foto do carro, placa, modelo e até informações sobre o local onde ele ficava. Levei tudo para a delegacia, mas até sexta-feira ninguém tinha sido chamado para depor”, denunciou.

A mãe relata que, diante da ausência de respostas, passou a investigar por conta própria, junto dos outros filhos e do marido. Ela diz que o veículo citado deixou de aparecer nos locais onde costumava ser visto logo após a família procurar informações.“Eu estou trazendo coisas para a polícia e não estou investigando. É angustiante. Cada vez que vou à delegacia, preciso corrigir informações ou acrescentar dados novos”, disse.

Segundo Clênia, os boletins de ocorrência apresentavam erros, incluindo a data de nascimento do filho e a descrição das roupas usadas no dia do desaparecimento. Ela afirma já ter registrado sete boletins em Valparaíso e outro em Brasília. “Eles colocam o que querem e não o que a gente fala. Nem a roupa que ele saiu de casa colocaram na ocorrência”, reclamou.

A família também recebeu relatos de que Alysson teria sido visto em Planaltina de Goiás. Clênia passou um fim de semana inteiro realizando buscas na região após receber informações de populares e de funcionários da rodoviária da cidade, mas não conseguiu encontrá-lo.

Ela acredita que o quadro de saúde mental do filho torna a situação ainda mais preocupante. “A cabeça de uma pessoa com esquizofrenia é muito difícil da gente entender. Ele falava que as pessoas estavam perseguindo ele, clonando ele. Eu não sei se ele estava em surto quando saiu”, relatou.

Além da esquizofrenia, Alysson necessita de medicações controladas e, segundo a mãe, a falta do tratamento pode provocar crises convulsivas. “A gente fica pensando se ele está com frio, com fome, se pediu comida para alguém e sofreu alguma violência. É desesperador”, afirmou.

A mãe também relata frustração com a condução das investigações. Segundo ela, até mesmo sugestões de diligências teriam partido da própria família, como pedidos de análise de câmeras de reconhecimento facial, transporte público e quebra de sigilo bancário. “Eu tive que falar para eles sobre quebra de sigilo bancário, redes sociais, reconhecimento facial. Parece que sou eu quem tenho que dizer o que precisa ser investigado”, disse.

Clênia afirma ainda que procurou apoio junto à Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, quartéis e órgãos de desaparecidos em Goiás, Distrito Federal e Santa Catarina, estado onde Alysson morava antes de retornar para Goiás há cerca de seis meses. “Ele veio morar comigo para fazer tratamento e tentar um emprego. Ele tem dois filhos em Florianópolis. Se tivesse dinheiro ou documentos, talvez já tivesse chegado lá. Mas não chegou”, explicou.

A família também enfrenta trotes e falsas informações sobre possíveis aparições do jovem em cidades de diferentes estados. “Já disseram que ele estava em Uberaba, na fronteira, na imigração. A gente sai procurando em tudo quanto é lugar. É um sofrimento constante”, relatou.

Abalada emocionalmente, Clênia conta que precisou iniciar acompanhamento psicológico diário. “Quando recebo qualquer mensagem, meu coração dispara achando que encontraram meu filho morto. Só quem passa por isso sabe o tamanho da angústia”, desabafou.

O caso segue sem solução. Até o momento, o paradeiro de Alysson Morlé Matos Arcencio permanece desconhecido.

O Jornal Opção tentou contato, por meio de ligações, com o delegado responsável pelo caso, Rafael Abrão, mas não obteve retorno. Em nota, a assessoria de comunicação da Polícia Civil de Goiás informou apenas que o caso segue sob investigação.

Leia também: Caso Henry Borel: julgamento de Jairinho e Monique Medeiros é retomado nesta segunda-feira, 25