A Polícia Científica de Goiás (PCI-GO) informou que está realizando exames cadavéricos e de DNA no corpo da corretora Daiane Alves, com previsão de conclusão dos procedimentos até o fim desta semana.

Segundo a corporação, o único material biológico disponível para análise são os dentes da vítima, em razão do estado de esqueletização do corpo. A checagem odontológica passa por um processo químico que pode durar de quatro a cinco dias, enquanto o exame de DNA deve levar de um a dois dias adicionais.

De acordo com a PCI-GO, os exames têm como objetivo corroborar as investigações da Polícia Civil, verificando a compatibilidade entre os vestígios encontrados e a versão apresentada pelos envolvidos, além de subsidiar a conclusão do inquérito policial. “A PCI-GO reforça que, desde a chegada do corpo esqueletizado à capital, todos os procedimentos têm sido realizados da forma mais célere possível, com o máximo empenho das equipes envolvidas”, informou a corporação, em nota.

Relembre o caso

Daiane Alves foi assassinada pelo síndico do condomínio onde morava, Cléber Oliveira, após conflitos relacionados à administração de imóveis da família da vítima. O crime ocorreu no dia 17 de dezembro de 2025, data do desaparecimento da corretora.

As investigações da Polícia Civil de Goiás (PC-GO) levaram à identificação do suspeito, que confessou o homicídio e indicou aos policiais o local onde teria ocultado o corpo, às margens da rodovia GO-213, a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, no sentido de Catalão.

O caso causou grande comoção na comunidade local, diante do desaparecimento repentino da corretora, sem indícios imediatos sobre seu paradeiro. Conforme apresentado em coletiva de imprensa realizada na última quarta-feira, 28, o intervalo entre o último registro da vítima no condomínio e o desaparecimento foi de apenas oito minutos. A emboscada teria ocorrido no subsolo do prédio.

Segundo a apuração policial, Daiane já havia confrontado o síndico em outras ocasiões, tendo registrado ao menos dez boletins de ocorrência contra ele. Além disso, uma decisão judicial desfavorável a Cléber Oliveira, proferida dias antes do crime, pode ter sido um dos fatores motivadores. A medida judicial teria restringido decisões do condomínio de restringir a entrada de visitantes e o uso de áreas comuns do condomínio por familiares e amigos da vítima.

Com a confissão, a Justiça manteve a prisão de Cléber e o seu filho Maicon pela decisão da juíza Vaneska da Silva Baruki, titular da 1ª Vara Criminal de Caldas Novas na última quinta-feira, 29.

Em nota, a defesa de Maicon afirmou que o cliente “não possui qualquer relação direta ou indireta, com o crime em questão, cuja autoria já foi confessada exclusivamente por seu genitor, Cleber Rosa de Oliveira”, afirmam.

Além disso, diz que teria negado qualquer participação durante o interrogatório pelas forças policiais. “Durante o interrogatório, o investigado respondeu a todos os questionamentos de forma transparente e satisfatória, colaborando ativamente com a elucidação dos fatos e negando veementemente qualquer participação no trágico evento.”

Procurado pelo Jornal Opção, a defesa de Cléber enviou uma nota à imprensa. Veja abaixo na íntegra.

O que diz a defesa

O escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advocacia Associada, representando os
interesses do Sr. Cleber Rosa de Oliveira, vem informar que a defesa técnica aguarda o
fim das investigações, de modo que não se manifestará sobre as circunstâncias e demais
elementos do caso até a conclusão do inquérito policial. Todavia, reitera que o Sr. Cleber
permanece colaborando com a Autoridade Policial.

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