Ahmed Mohamad Oliveira: ex-ministro de Bolsonaro é apontado como ‘pilar institucional’ da fraude no INSS
14 novembro 2025 às 10h24

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As investigações da Polícia Federal apontam o ex-ministro da Previdência Ahmed Mohamad Oliveira — anteriormente conhecido como José Carlos Oliveira — como um dos principais pilares institucionais do esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS ligados à Conafer. Ele mudou de nome após se converter ao islamismo.
Ex-diretor de Benefícios do INSS e ministro do Trabalho e Previdência no governo Jair Bolsonaro (PL), Ahmed é suspeito de autorizar repasses irregulares e receber vantagens indevidas enquanto ocupava cargos estratégicos no órgão.
Segundo a PF, ele atuou diretamente para liberar valores sem comprovação de filiação exigida pelo Acordo de Cooperação Técnica, incluindo um repasse de R$ 15,3 milhões à Conafer. Essa liberação teria reativado e ampliado o esquema, que alcançou mais de 650 mil benefícios.
Uma planilha de fevereiro de 2023 registra um pagamento de R$ 100 mil ao contato “São Paulo Yasser”, identificador usado pela organização para se referir a Ahmed. Mensagens apreendidas mostram agradecimentos enviados ao operador financeiro Cícero Marcelino após recebimento de valores.
A suspeita contra o ex-ministro se soma à investigação sobre outros membros da cúpula do INSS. O ex-presidente do órgão Alessandro Stefanutto, preso nesta quinta-feira, 13, teria recebido até R$ 250 mil mensais do grupo. Documentos, ordens de repasse sem justificativa e mensagens interceptadas reforçam a existência de pagamentos sistemáticos, distribuídos por meio de empresas de fachada, intermediários e até uma pizzaria.
A PF estima que R$ 640 milhões tenham sido desviados via Conafer entre 2017 e 2023. Considerando outras entidades investigadas, o esquema pode ter movimentado até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. A fraude envolvia falsificação de fichas de filiação, inclusão de dados fraudulentos em sistemas do INSS e uso indevido de assinaturas de idosos — muitos acreditavam estar cancelando convênios, mas tinham suas informações reutilizadas para novos descontos.
Presos na operação
- Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS
- Antônio Carlos Antunes Camilo, o “Careca do INSS”
- André Paulo Felix Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS
- Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS
- Thaisa Hoffmann, empresária e esposa de Virgílio
- Vinícius Ramos da Cruz, presidente do ITT
- Tiago Abraão Ferreira Lopes, diretor da Conafer
- Cícero Marcelino de Souza Santos, operador financeiro
- Samuel Chrisostomo do Bonfim Júnior, ligado à Conafer
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