O lançamento

O poeta e jornalista Adalberto de Queiroz lança na quinta-feira, 29, às 19h, na Livraria Palavrear (Rua 232, 338 — Setor Leste Universitário), em Goiânia, o livro “Duro Feito Pedra, Frágil Feito Pólen”, pela Editora Bula Livros. A entrada é gratuita.

O livro

Com 224 páginas (1ª edição, 2025), “Duro Feito Pedra, Frágil Feito Pólen” reúne poemas de quatro títulos centrais da trajetória do autor — “O Rio Incontornável”, “Destino Palavra”, “Cadernos de Sizenando” e “Frágil Armação”.

A seleta apresenta a obra de Adalberto Queiroz por um ângulo pouco comum: em vez de seguir uma ordem cronológica, reorganiza os textos por afinidades e tensões, aproximando fases distintas para evidenciar continuidades de linguagem, temas e procedimentos.

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Adalberto de Queiroz: poeta, prosador e crítico literário | Foto: Facebook

Talvez seja uma antologia das mais bem-organizadas de Goiás (o que deveria ser feito com a excelente poesia de Gabriel Nascente). A edição conta, inclusive, com fortura crítica de qualidade. Primeiro, a ótima e precisa introdução do poeta Carlos Willian Leite, o hábil organizador da seleta, e um posfácio de Carlos Augusto Silva, um dos principais estudiosos de Marcel Proust no Brasil.

Diz-se que a poesia de Adalberto Queiroz contém laivos religiosos. Até pode ser. Mas o que prevalece, acima de tudo, é a alta qualidade de sua poesia — que precisa ser mais conhecida no país. Trata-se de um poeta que bebe em várias fontes, como Jorge de Lima, mas o resultado é autônomo. Sua poesia lembra, além da de Lima, a de Manuel Bandeira. Insistindo: o Brasil precisa conhecer a poesia do bardo.

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A curadoria

A seleção é assinada pelo poeta Carlos Willian Leite, que propõe iniciar o percurso pelo ponto em que a dicção está mais depurada e consciente de seus próprios limites e, a partir daí, recuar às camadas anteriores. A operação não busca explicar a obra, mas oferecer um trajeto de leitura: primeiro o que permanece, depois as tentativas que antecedem a forma. A apresentação define esse gesto como o esforço de nomear o indizível — ou, ao menos, falhar com elegância.

Vale o registro de que a edição é um primor. Dá prazer pegar, olhar, folhear e ler o livro.

Eixos e temas

No conjunto, reaparecem os eixos que atravessam a poesia de Queiroz: a infância e o interior; a cidade e seus restos; o trânsito entre silêncio, oração e cotidiano; e uma atenção constante ao limite da palavra. A imagem da travessia é um dos fios condutores do livro, muitas vezes associada ao rio — não como paisagem, mas como modo de pensar tempo e memória. O diálogo com a tradição literária surge como escuta, sem citação ornamental, convivendo com um retorno frequente ao concreto: cenas domésticas, imagens mínimas, gestos cotidianos.

Em “Lições”, por exemplo, o poeta resume seu método com sobriedade: “o poema é invenção da mente e repousa sob um teto”. Em outro trecho, a voz cruza passado e presente com precisão direta: “Eu sou esse menino no corpo do velho d’agora. / Sou o que vi”. A seleta evidencia uma escrita que não procura encobrir o desgaste do tempo nem oferecer sínteses fáceis, mas encarar o que permanece — lembrança, perda, leitura, ruína.

O que a coletânea mostra é um poeta plenamente maduro. Tanto atento às coisas do cotidiano quanto Frank O’Hara e William Carlos Williams. Trata-se de um poeta que, para falar da humanidade, fala de si. Noutras palavras, fala da humanidade para falar de si. Porque o coletivo contém todos os indivíduos. Mas o indivíduo contém o coletivo.

Adalberto de Queiroz lançamento de livro

Leitura crítica

O livro se encerra com um ensaio do crítico literário Carlos Augusto Silva, que lê a obra de Adalberto de Queiroz como poesia de rigor formal e inteligência crítica, sustentada pela tensão entre resistência e fragilidade. O texto acompanha como o autor trabalha tradição e memória sem transformá-las em nostalgia e aponta o jogo entre “duro” e “frágil” como forças complementares na construção dos poemas.

Desde já, Carlos Augusto Silva se inscreve com um dos principais intérpretes de uma poesia que parece simples, mas, na verdade, é de rara complexidade. Talvez seja o simples sofisticado.

Sobre o autor

Adalberto de Queiroz (Goiânia, 1955) é jornalista e poeta. Estudou Física na Universidade Federal de Goiás e Comunicação Social na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, onde frequentou círculos literários e conviveu com autores como Dyonélio Machado, Caio Fernando Abreu e Moacyr Scliar.

Mais tarde, concluiu pós-graduação em Marketing e especialização em Estudos Medievais na Universidade do Novo México. Autor de poesia, crônica e ensaio, publicou, entre outros, “Frágil Armação” (1985), “Destino Palavra”, “O Rio Incontornável”, “Os Fios da Escrita”, “Cadernos de Sizenando” e “Entre Esplendores e Misérias”.

A publicação tem produção e projeto gráfico de Helenir Queiroz e diagramação de Victor Marques. O lançamento na Palavrear marca o encontro do autor com leitores e com o público interessado em poesia contemporânea.

Serviço

Lançamento de “Duro Feito Pedra, Frágil Feito Pólen”, de Adalberto de Queiroz

29 de janeiro (quinta-feira), 19h

Livraria Palavrear – Rua 232, 338 – Setor Leste Universitário – Goiânia (GO) — (62) 3086-3204

Editora Bula Livros | Entrada gratuita