O presidente Juscelino Kubitschek, o cacique carajá e o avião
21 março 2026 às 21h00

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Fernando Cupertino
Especial para o Jornal Opção
O anedotário político relata um episódio bem interessante, que teria se passado com o então presidente da República, Juscelino Kubitscheck de Oliveira, e um cacique da tribo Carajá, da ilha do Bananal.
Como é sabido, Juscelino mandara lá construir um hotel, batizado de Hotel Presidente JK, que a ditadura, em 1964, apressou-se em transmutar para Hotel Presidente John Kennedy, aproveitando as iniciais grafadas nas louças a pratarias da suntuosa hospedaria.
Afinal, como era impossível riscar do mapa sua monumental obra que foi a construção de Brasília e a consequente mudança da Capital Federal, por certo trataram de ofuscar, ao máximo, o nome do presidente bossa-nova.
Numa de suas visitas àquele lugar, Juscelino convidou o cacique a dar um passeio no mesmo avião que o levara até lá.
O líder indígena aceitou o convite e, durante quase uma hora, eles sobrevoaram o Rio Araguaia e as matas que o circundavam. O velho índio mal falava o português. Assim, a comunicação entre eles era monossilábica e quase toda ela gestual.
Terminado o passeio aéreo, logo que o avião pousou e que todos já se encontravam fora dele, Juscelino virou-se para o cacique e perguntou-lhe, com a ajuda da mímica:
— Bom?
O chefe, sacudindo afirmativamente a cabeça, respondeu:
— Bom!
— Mais? — perguntou o Presidente…
— Não!!! — apressou-se logo o convidado em responder.
Creio que, depois do acontecido, o velho cacique, embora bravo guerreiro na juventude, nunca mais deve ter tido coragem para experimentar coisas tão estranhas e desconhecidas.
(A meu saudoso pai, que adorava contar esse episódio)
Fernando Cupertino, médico, compositor e escritor, é colaborador do Jornal Opção.

