Fernando Cupertino

Especial para o Jornal Opção

O anedotário político relata um episódio bem interessante, que teria se passado com o então presidente da República, Juscelino Kubitscheck de Oliveira, e um cacique da tribo Carajá, da ilha do Bananal.

Como é sabido, Juscelino mandara lá construir um hotel, batizado de Hotel Presidente JK, que a ditadura, em 1964, apressou-se em transmutar para Hotel Presidente John Kennedy, aproveitando as iniciais grafadas nas louças a pratarias da suntuosa hospedaria.

Afinal, como era impossível riscar do mapa sua monumental obra que foi a construção de Brasília e a consequente mudança da Capital Federal, por certo trataram de ofuscar, ao máximo, o nome do presidente bossa-nova.

Numa de suas visitas àquele lugar, Juscelino convidou o cacique a dar um passeio no mesmo avião que o levara até lá.

O líder indígena aceitou o convite e, durante quase uma hora, eles sobrevoaram o Rio Araguaia e as matas que o circundavam. O velho índio mal falava o português. Assim, a comunicação entre eles era monossilábica e quase toda ela gestual.

Terminado o passeio aéreo, logo que o avião pousou e que todos já se encontravam fora dele, Juscelino virou-se para o cacique e perguntou-lhe, com a ajuda da mímica:

— Bom?

O chefe, sacudindo afirmativamente a cabeça, respondeu:

— Bom!

— Mais? — perguntou o Presidente…

— Não!!! — apressou-se logo o convidado em responder.

Creio que, depois do acontecido, o velho cacique, embora bravo guerreiro na juventude, nunca mais deve ter tido coragem para experimentar coisas tão estranhas e desconhecidas.

(A meu saudoso pai, que adorava contar esse episódio)

Fernando Cupertino, médico, compositor e escritor, é colaborador do Jornal Opção.