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Um pedaço importante da história política e administrativa de Goiás ganhou registro definitivo em forma de livro nesta semana. A publicação com o título “A história do Gabinete de Representação de Goiás na capital federal: 70 anos de articulação federativa e presença institucional” foi lançada pelo Governo de Goiás, durante sessão solene no Senado Federal, que comemorou o aniversário do órgão.

Criado em 1956, ainda no Rio de Janeiro, antes mesmo da inauguração de Brasília, o Gabinete de Representação de Goiás surgiu como instrumento de aproximação entre o Estado e a União, em um momento em que o projeto de interiorização da capital brasileira começava a tomar forma. Desde então, a instituição acompanhou governos, crises, reformas e reorganizações, sempre preservando a função base de articular os interesses de Goiás junto ao Executivo federal, ao Congresso Nacional e a organismos internacionais.

Durante a sessão comemorativa, proposta pelo senador Pedro Chaves (MDB-GO), o secretário de Estado de Relações Institucionais, Armando Vergílio, destacou o caráter estratégico do órgão. “Mais que um registro comemorativo, a publicação dá visibilidade a um trabalho que, muitas vezes discreto, é decisivo para conquistas que impactam diretamente a vida dos goianos”, observou.

Segundo Renatho Melo, atual chefe do Gabinete de Representação de Goiás em Brasília, a ideia de fazer o levantamento histórico e transformá-lo em um livro institucional, foi “buscar não apenas preservar a memória de um órgão público, mas reconhecer a relevância de todos os que contribuíram para que a instituição cumprisse, ao longo de quase sete décadas, sua missão de representar Goiás com dignidade”.

Do Rio de Janeiro a Brasília: memória e política

O livro, organizado em 11 capítulos, reconstrói a trajetória do órgão de forma cronológica. Mostra desde os primeiros passos no Rio até a consolidação em Brasília, revelando como a história do Gabinete se entrelaça à própria construção da nova capital e ao processo de afirmação de Goiás no cenário federativo.

Indo um pouco além da narrativa institucional, a publicação, que teve como base documentos oficiais, entrevistas, relatos e registros do Diário Oficial, resgata também o papel humano dos representantes e servidores que, ao longo de décadas, deram vida ao órgão. Desse modo, são incorporados ao texto registro de episódios de bastidores, negociações decisivas, momentos de tensão e de conquista.

Nesse mosaico, despontam nomes como Segismundo de Araújo Mello, primeiro representante do Estado, figura de extrema importância na história de Goiás e também do Distrito Federal, até a atual gestão de Renatho Melo, que conduz o gabinete hoje integrado à Secretaria de Relações Institucionais (Serint).

Entre tantas histórias, o livro conta como o primeiro representante de Goiás na capital federal, Segismundo, foi um dos principais responsáveis pela transferência da capital para o Planalto Central. Segismundo articulou a reinserção do artigo 3º da Constituição de 1891, que previa a criação de uma nova capital federal em território do Planalto Central e, anos depois, redigiu a minuta da lei de transferência da capital, a pedido do recém eleito presidente, Juscelino Kubitschek.

Um dos episódios históricos de Segismundo relatados no livro teve como fonte artigo publicado aqui no Jornal Opção e assinado pela jornalista Bárbara Noleto. No trecho específico, a publicação revela como, a partir de uma articulação política do servidor goiano, JK foi eleito senador por Goiás.

Nesse sentido, o livro se apresenta como uma publicação não apenas institucional, mas também para registro histórico nacional sobre o federalismo e a construção de Brasília. Combinando registros oficiais com contextualização histórica, a obra oferece subsídios tanto para pesquisadores quanto para leitores interessados em compreender como Goiás consolidou sua presença política na capital do país.

Foi com esse pensamento, que o presidente do Conselho Representantes Estaduais em Brasília (Conrep), José Pires, ressaltou durante sessão no Senado Federal, que o livro “é um pedaço importante da história do Brasil, que ficará registrado para as futuras gerações”. O representante do Estado do Rio Grande do Sul no Distrito Federal, ainda observou a comemoração pelos 70 anos pode não ser compreendida, já que nem Brasília tem essa idade.

“Mas é porque Goiás quis que a gente pudesse hoje, olhar o mapa do Brasil, e ver que o estado abraça o Distrito Federal”, explicou José Pires, ao enfatizar que há uma longa história, registrada no livro, e que vem antes mesmo que tudo isso pudesse acontecer.