Batman: A piada mortal, do gênio Alan Moore, ainda é relevante

História de origem humaniza personagem sem nome e é crucial para as versões posteriores

Batman: A piada mortal, do gênio Alan Moore, ainda é relevante
Foto: Divulgação

Ainda não tinha falado de quadrinhos de herói por aqui. Estas populares produções estadunidenses têm ganhado os holofotes, ainda mais, por virarem filmes Block Busters, especialmente os da Marvel. Mas se a DC está atrás quando o assunto é universo compartilhado, nos filmes isolados, como a trilogia Batman, de Christopher Nolan, ela faz bonito.

Este ano, em 3 de outubro, ela lançará Coringa. A história, que terá Joaquim Phoenix como protagonista e Todd Phillips na direção, promete. Isto, porque, dentre outras coisas, ela, aparentemente, tem algumas influências de um quadrinho muito especial: Batman – A piada mortal, de Alan Moore e Brian Bolland.

Esqueça Bolland. Por melhor que o desenhista seja, qualquer HQ com roteiro de Alan Moore se “vende” sozinha. Considerado por muitos – e por mim – o maior expoente da nona arte (na verdade, ele transcende. É um fenômeno mesmo diante de outros segmentos), o mago dos quadrinhos escreveu A piada mortal em 1988 e apresentou uma origem do Coringa em cerca de 50 páginas.

Origem

Nesta origem, Coringa não tem nome. É um humorista fracassado e desempregado com uma esposa grávida. A história traz flashes do passado, com uma trama no presente, na qual o palhaço do crime quer provar que tudo que uma pessoa precisa para enlouquecer é de um dia ruim.

O Coringa do passado, desesperado, se alia a bandidos para cometer um crime (assaltar uma fábrica de baralhos) sob a alcunha de Capuz Vermelho – um criminoso mascarado que alternava de pessoas, mas que tinha uma identidade vilanesca com certo prestígio.

Até ali, o humorista só estava desesperado como marido e futuro pai. Ele tenta abortar a ação criminosa após saber de uma tragédia, mas os homens com quem se envolveu o forçam a continuar.

A ação dá errado por interferência da polícia e do Batman, o comediante cai em um caldeirão de produtos químicos e sua fisionomia é alterada para o que conhecemos: a pele clara e lábios vermelhos e o cabelo verde. Ao ver que seu mundo ruiu por completo, ele enlouquece e se convence de que só precisou de um ruim.

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Dia ruim

O Coringa quer provar ao Batman que tudo que as pessoas precisam é de um dia ruim. É nessa história que Bárbara Gordon, a Batgirl e filha do comissário Gordon é baleada e fica paraplégica – essa condição se tornou cânone por anos.

Quem vai ter um dia ruim é o comissário. O vilão sequestra o policial e o tortura apenas para provar seu ponto. A sequência é chocante e é nessa história que vemos como é possível explorar todo o potencial do icônico personagem (ou pelo menos dar ferramentas para que isso continue a ser feito) – ainda mais do que foi feito em Cavaleiro das Trevas (1986), de Frank Miller.

Não cabe falar sobre os desfechos da trama, ainda mais que se trata de uma revista barata. É possível achar a última versão do título, de 2018, pela Panini, por menos de R$ 22. Esta tem 82 páginas, capa dura e uma série de extras.

Esta versão, inclusive, tem as cores do desenhista, Brian Bolland, que não foi o responsável pela coloração, em 1988.

Humano

O maior acerto de Moore é fazer você perceber que, apesar de tudo, o Coringa é humano. Sua história faz com que o leitor tenha empatia por um monstro frio – mesmo como ele mostra alguns traços de descontrole antes do trauma.

Ele não é meramente o vilão do Batman. Ele não está ali apenas para antagonizar o protagonista. O comediante fracassado quer mostrar o seu lado da história. E por mais bizarro que seja o modo como isso é feito pelo personagem, o leitor corre o risco de se sensibilizar e, talvez, até compreender – mas nunca concordar ou aceitar. Afinal, a vida é feita de dias ruins e isso não é justificativa para a sociopatia.

Coringa

O Coringa é o mais famoso e importante vilão dos quadrinhos (mais que Lex Luthor). O personagem tem sido reinventado nas HQs e no cinema nos últimos anos, mas Moore e Miller sempre são e serão referências para suas encarnações.

E por falar em cinema, tivemos excelentes performances por Jack Nicholson (1989), no filme Batman, de Tim Burton; e de Heath Ledger (2008), no Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan – este último, inclusive, ganhou um Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante por seu Coringa anárquico e assustador.

A bola da vez na sétima arte é Joaquim Phoenix. O trailer divulgado do longa que estreia em outubro já impressionou. O novo filme focado, desta vez, somente no antagonista de Batman, apresenta o comediante falido Arthur Fleck, que após sucessivos dias ruins começa a ficar louco. Confira:

Se dar nome ao personagem e aprofundar sua origem é uma boa ideia só o tempo dirá. Alan Moore deu um background impecável sem falar muito. A expectativa para este filme é alta.

P.S.: E, em tempo, é preciso dizer que um dos melhores Coringa do audiovisual não vem da tela grande, mas da telinha: trata-se da versão da animação Batman: Animated SeriesLiga da Justiça e Liga da Justiça: Sem Limites, que tem como dublador Mark Hamill, o Luke Skywalker de Star Wars. E ele também dublou a adaptação de A Piada Mortal (que não é tão boa quanto a HQ, e por isso não falamos dela aqui). Veja:

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