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Quem conversou com o ex-deputado federal Marcelo Melo nos últimos dias ficou com a impressão de que era o retrato da felicidade. O peemedebista, espécie de rei do Entorno, torce por duas derrotas na eleição deste domingo: a de Iris Rezende, o capoeirista-mor da política de Goiás, e a de Iris Araújo, conhecida como Gregório de Matos Guerra (o Boca do Inferno) da política de Goiás.
A vaca pode tossir em aramaico ou em esperanto, mas Brasília elege no domingo, 5, José Antônio Reguffe (PDT), mais conhecido como Mr. Ética, para senador. Reguffe caiu nas graças da classe média de Brasília. Geraldo Magella e Gim Argello dançaram a valsa do adeus.
Falem mal ou bem, mas a sensação da eleição presidencial, em 2014, foi mesmo Levy Fidelix, mais conhecido como Obelix. Com sua radicalidade mal-humorada e, até, divertida, Levy “Obelix” roubou a atenção nos debates, sempre provocador e agressivo.
De Robledo Rezende, espécie de porta-voz do friboizismo: “Em Porangatu, o governador Marconi Perillo vai ser o mais bem votado. Disparado”. O ex-deputado Francisco Bento e Robledo Rezende, ligados a Júnior Friboi, foram dois gigantes na campanha do governador Marconi Perillo. Não desanimaram um minuto e articularam, em todo o Estado, para o tucano-chefe.
O empresário Júnior Friboi (PMDB) comentou com amigos que o visitaram em sua fazenda de Iaciara, no Nordeste goiano, que gostaria muito de comemorar a vitória do governador Marconi Perillo já no primeiro turno. Friboi reservou champanhes Veuve Clicquot e Moet Chandon para comemorar com os amigos uma possível derrota de Iris Rezende.
Apesar de evangélico (desses que, de vez em quando, toma uma branquinha, mas não da Atitude, porque aí seria demais), Iris Rezende teria consultado um pai de santo em busca de explicação para tantas derrotas políticas — logo ele que se julga um “predestinado”, um “enviado” de Deus. A um amigo sugeriu que fizeram alguma “mandinga” contra ele.
“Fica-se que com a impressão de que a campanha de Iris Rezende no primeiro turno foi uma espécie de velório. No caso de segundo turno, vai ficar com ar de enterro”, afirma um peemedebista de Jataí.
Iristas firmam pé: “Iris Rezende (PMDB) ajudou na campanha de Ronaldo Caiado (DEM) mas o deputado não ajudou na campanha do ex-prefeito”. Os iristas dizem que, alegando que suas bases são as mesmas do governador Marconi Perillo (PSDB), Caiado raramente pedia votos para o peemedebista-chefe.
Na hipótese de Aécio Neves ir para o segundo turno, contra Dilma Rousseff, seu palanque em Goiás terá o governador Marconi Perillo e o deputado federal Ronaldo Caiado.
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Lucas Vergílio | Foto: Divulgação[/caption]
Armando Vergílio, cotado para disputar a Prefeitura de Goiânia em 2016, trabalhou como um leão na campanha de seu filho, Lucas Vergílio, para deputado federal.
O PMDB tentou jogar o peso da campanha de Armando Vergílio, mas ele, espertamente, não aceitou a carga.
A equipe do marqueteiro de Iris Rezende teme um calote. Um ex-deputado peemedebista garante que, nos últimos dias, o empresário Sandro Mabel, que fazia os pagamentos, desapareceu do mapa — deixando Outro trem-pagador, um deputado federal, também teria desparecido. Calote à vista? Não se sabe. O que se sabe é que, quando terminam as campanhas, especialmente naquelas em que sai derrotado, Iris Rezende enfurna-se em sua fazenda do Xingu e não dá satisfação aos aliados.
Na semana passada, Iris Rezende, Jorcelino Braga e Vanderlan Cardoso abriram conversações políticas. Braga gostaria de ser o marqueteiro do peemedebista, no caso de segundo turno. É o chamado abraço dos afogados.
Contradições da política: o prefeito de Jataí, Humberto Machado, do PMDB, decidiu votar no governador Marconi Perillo, do PSDB, e o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, do PT, optou por votar em Iris Rezende.
O ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, será ministro de um possível segundo governo da presidente Dilma Rousseff. Kassab e Dilma estão muito afinados.
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O Hospital Espírita de Psiquiatria de Anápolis recebe os casos mais graves, aqueles que demandam serviço especializado, que não pode ser feito pelo Caps|Fot: Reprodução[/caption]
O município de Anápolis disponibiliza diversos serviços para o tratamento de dependentes químicos. A diretora de saúde mental do município, dra. Marinalva Ribeiro Neto Almeida, destaca três frentes de ação: a família, a unidade móvel e o centro de atenção psicossocial. “Começamos com o trabalho básico e chegamos até o especializado”, diz. O trabalho feito junto às famílias propõe desmistificar a internação dos dependentes como o primeiro e o único recurso de tratamento. Além disso, a diretora propõe um alerta quanto às drogas lícitas: “Anápolis não difere dos outros municípios do país. Comenta-se muito sobre as drogas ilícitas, mas, com em todo o mundo, a droga que mais mata é o álcool”.
Os jovens têm um contato com o álcool cada vez mais cedo. Porém, apenas uma parcela das pessoas, que entram em contato com a droga, desenvolve algum problema de saúde mental. O diálogo, portanto, é valorizado pela diretora. Distanciar o dependente de sua vida familiar, profissional e social agrava o quadro. “Como o todo que refere à saúde mental, nós pensamos em uma abordagem que mantém a pessoa mais próxima de sua vida funcional”, reitera.
Após procurar uma unidade de saúde próxima à sua casa –– como propõe Marinalva –– o paciente pode ser encaminhado para o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Viver, onde passa por um acolhimento multiprofissional e por um processo terapêutico singular. A particularidade de cada caso, ressaltada pelo termo “singular”, esclarece que existem diferentes razões que levam o paciente a um quadro de dependência e, por isso, as diferentes formas que pode ser tratado.
Quando a pessoa demonstra algum tipo de risco a si mesmo e às pessoas ao redor, apresentam intoxicação ou necessitam de cuidados clínicos, a triagem é diferente. Os casos leves que demandam internação são encaminhados para hospitais gerais; se o paciente precisar ser desintoxicado, cuja internação levaria cerca de um mês, ele será encaminhado, especificamente, para o Hospital Espírita de Psiquiatria de Anápolis, onde também são feitas internações mais delongadas.
Existem três tipos de internação com amparo legal. A primeira é a voluntária. Existe uma indicação médica e a pessoa concorda. A segunda é a involuntária. A pessoa tem todos os critérios para internação, mas não acredita que seja necessária; portanto, a equipe médica e um membro da família concordam quanto à necessidade de internação e informam, dentro de 72 horas, o Ministério Público que a pessoa será internada.
O terceiro tipo é a compulsória, determinada judicialmente. “A internação é o último recurso. Só a fazemos quando já esgotamos as outras possibilidades e, ainda assim, tentamos fazer uma internação voluntária. Em último caso, pedimos a compulsória”, frisa Marinalva.
O movimento no Caps Viver é menor que o esperado, devido à ideia de internação como último recurso. “Nós temos motivado as pessoas a buscar informações e esclarecimentos, o que tem aumentado a procura pelo serviço”, destaca. Segundo a diretora, o problema com as drogas é mais amplo, por isso, “nós pensamos em uma rede articulada. Pois, a droga é um problema de saúde, educação, cultura, de comunicação, entre outros”.

