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CONTRADIÇÃO
Falta líder para pacificar o país, recuperar instituições e enfrentar o poder de Lula

Instâncias inferiores do Judiciário mantém independência, mas sua cúpula está contaminada pela enfermidade incurável do Executivo, de quem se aproximou demais — mais do que o aceitável

ANÁLISE
A culpa é sua: o peso dessa frase para a vítima de violência 

Episódio ocorrido em Itumbiara, onde um homem matar os dois filhos para atingir a mulher, levanta o debate do porquê a sociedade culpabilizar a mulher pelos atos covardes dos homens

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ENTREVISTA
Welington Peixoto: “Nós vamos brigar para que o PRD, em nível nacional, apoie Ronaldo Caiado para presidente” 

Nesta entrevista ao Jornal Opção, Welington se apresenta como pré-candidato a deputado federal pelo PRD e detalha os trabalhos do para as eleições deste ano

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Análise
De onde vem a riqueza que banca o luxo em Goiânia?

Contexto que emoldura o fenômeno é econômico, e as estatísticas federais servem de ponto de partida

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Quadro fiscal
Um ano de gestão: prefeituras das maiores economias goianas retomam fôlego financeiro

Com as finanças sob controle ou em processo de reequilíbrio, as gestões municipais voltam o olhar para os próximos anos com foco em obras de infraestrutura, ampliação de serviços públicos e geração de emprego e renda

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Jornalista pode e deve usar inteligência artificial na redação, formulação e correção de textos

O uso de inteligência artificial é incontornável. E, se for para melhorar a qualidade do texto, em termos de redação, formulação e revisão, nenhum diretor de redação deve se posicionar contra

Bill Gattes e outros 2
Agenda de leituras para 2026 de escritores, intelectuais e jornalistas (Parte 6)

Confira as listas do promotor de justiça e crítico Marcelo Franco e do escritor, crítico e editor Nilson Jaime

Ratinho Júnior e Ratinho sênior Foto Divulgação
ARTICULAÇÕES
Entenda por que Ratinho Júnior não deve ser candidato a presidente da República

Se eleito governador no Paraná, com o apoio do senador Flávio Bolsonaro, Sergio Moro poderá acabar com o grupo articulado, em oito anos, pelo governador do PSD

Infraestrutura elétrica
Colisões contra postes disparam em Goiás e já ultrapassam 10 casos por dia em 2026

Somente em 2026 já são mais de 10 casos por dia

Robert Walser escritor 1
Robert Walser, o escritor suíço que fez a cabeça de Kafka e Hermann Hesse

Internado num hospício, como “louco”, o escritor recebeu críticas entusiasmadas de Walter Benjamin, Elias Canetti, J. M. Coetzee e Marcelo Backes

Querem fritar Toffoli ou abalar a reputação do STF? Extrema direita agradece haraquiri da imprensa

Fica-se com a impressão de que está se delineando uma nova Lava Jato, agora contra ministros do Supremo. Como defender a democracia sem um STF forte e seguro?

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Instagram consolida força política e influencia cenário pré-eleitoral de 2026; Goiás ganha protagonismo no ranking nacional

Entre os goianos, o principal destaque é Gustavo Gayer (PL), que aparece na 13ª posição nacional

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BYD e Baldy processam portal AutoPapo e exigem remoção de reportagem; Justiça diz que texto não é falso

Juíza considera que a notícia, baseada num comunicado da BYD, não é falsa. É possível que BYD e Alexandre Baldy estejam pressionando para intimidar o portal e o repórter Marcelo Ramos

A anunciação, de Fra Angelico
Na filosofia agostiniana, humildade é verdade sobre si

Para Agostinho de Hipona, a soberba não é apenas um defeito moral entre outros, mas a raiz da desordem da alma, o movimento pelo qual o homem quis ser como Deus sem Deus

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O carnaval, a política do Brasil e a república do cara de pau

Djalba Lima

O cara de pau é um personagem antigo. Mais antigo que a República, mais longevo que qualquer Constituição. Ele atravessa regimes como quem atravessa a rua fora da faixa com a convicção de que a buzina alheia é exagero, e a lei, um detalhe.

No Brasil, o cara de pau não se esconde. Ao contrário, desfila.

O termo, como se sabe, nasceu da ideia da máscara – aquela face de madeira usada em rituais antigos para permitir o que, fora do rito, seria inaceitável. A máscara suspendia a vergonha, libertava o gesto, anistiava o excesso. No Carnaval, essa suspensão virou regra: durante alguns dias, tudo podia. O problema começou quando alguns decidiram não tirar mais a máscara na Quarta-feira de Cinzas.

Desde então, o país convive com uma fauna peculiar de personagens que agem como se a vida pública fosse um eterno bloco de rua.

Há, por exemplo, o Banqueiro Fantasma. Não aquele que aparece no noticiário sobre economia, ou que até aparece ensinando as pessoas a serem bem-sucedidas, mas que, de repente, passa a frequentar outras páginas – as de assuntos policiais ou judiciários. Antes, ele falava a língua da modernidade, da inovação e da eficiência. Mas seu rastro é feito de dívidas, ruínas silenciosas e vítimas invisíveis – sobretudo aquelas que confiaram economias de uma vida inteira à sua retórica elegante. Quando confrontado, não se explica: sorri. O sorriso é parte da máscara. Madeira bem polida.

Existe também o Magistrado do Espelho Fosco. Figura solene, vestida de neutralidade, capa preta, adepta do discurso da técnica e da institucionalidade. Seu problema não é o erro – é a convivência promíscua com aquilo a que deveria manter distância. Ele não vê conflito; vê coincidência. Não enxerga promiscuidade; chama de acaso. E, quando o reflexo ameaça ficar nítido demais, afasta-se do espelho dizendo tratar-se de zelo republicano. O gesto é correto. O contexto, constrangedor. Mas constrangimento, para o cara de pau, é artigo em falta.

E há ainda o Herdeiro do Estado, talvez o mais curioso dos espécimes. Ele discursa contra a dependência do poder público, exalta o mérito individual, critica o peso da máquina estatal. Faz isso, curiosamente, de dentro da própria máquina, sustentado por ela, cercado por parentes que também vivem – todos – do mesmo cofre que juram querer fechar. É o liberalismo financiado a contracheque. Um samba-enredo em que o refrão diz “menos Estado”, enquanto o carro alegórico passa inteiro pago pelo Estado.

Nenhum deles se percebe como caricatura. Esse é o ponto central. O cara de pau não se vê como vilão. Ele se vê como esperto. A ética, para ele, é um acessório opcional; a coerência, um luxo dispensável. Seu talento maior é transformar contradição em normalidade – e normalidade em virtude.

Por isso, talvez, o Brasil tenha produzido uma de suas mais sinceras análises políticas em forma de marchinha:

“Me dá um dinheiro aí.”¹ – Marchinha composta por Homero, Glauco e Ivan Ferreira.

Não há metáfora mais honesta. Não há programa mais explícito. O cara de pau não pede desculpas, pede verba. Não se justifica, solicita transferência de dinheiro. Não cora: cobra.

E o faz com naturalidade desconcertante, como quem acredita – talvez com razão – que o público já se acostumou. A repetição anestesia. O absurdo, quando diário, vira paisagem. A máscara cola no rosto. “Todos os políticos são assim”, dizem com naturalidade desconcertante aqueles que juram defender uma mudança apocalíptica dos costumes, mas não de seus ídolos.

Toda época estranha gera seus mitos. A nossa parece ter optado por um só: o da desfaçatez como método. Não se trata mais de desvio ocasional, mas de estilo. Não é exceção: é performance.

O problema não é que existam caras de pau. Eles sempre existiram. O verdadeiro sinal de anomalia histórica é quando eles deixam de causar espanto – e passam a causar tédio. Ou normalidade.

Quando isso acontece, o Carnaval não termina. Ele apenas muda de endereço: sai da avenida e entra nas instituições.

E a máscara de madeira, enfim, vira rosto – o rosto medonho da mentira.

Djalba Lima, jornalista, é editor de Relatos – A Estação da História. É colaborador do Jornal Opção.

Nota: ouça a música

¹ Ouça a música “Me dá um dinheiro aí” (https://www.youtube.com/watch?v=dPtz9WL6XNs).