De “CL Aparecida” ao novo álbum: CL A Posse completa 25 anos e prepara nova fase do rap goiano
30 março 2026 às 19h25

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O grupo CL A Posse, referência do rap goiano, completa 25 anos de trajetória em 2026 e prepara o lançamento de um novo álbum com músicas inéditas e releituras de sucessos. Entre as novidades, está a parceria com DJs de eletrofunk.
Em entrevista ao Jornal Opção, o DJ Arthur, integrante do grupo responsável pelo hit “CL Aparecida”, contou que a banda segue ativa, com apresentações frequentes em Goiás, no interior de São Paulo e também nas regiões Norte e Nordeste do país. O grupo, inclusive, negocia participação no Festival da Juventude, no Maranhão.
Nos shows, as músicas mais pedidas continuam sendo “CL Aparecida”, “Cristo Vai Reinar” e “Quero Ser Feliz”. Sobre o processo criativo, Arthur explica: “Eu geralmente dou a ideia dos beats, que são os instrumentais. Vou estudando alguma coisa, mostro uma referência, e aí eles começam a trabalhar o refrão. Depois construímos a letra. Normalmente, com o Alessandro CL e o Jota-R.”
A banda também planeja a gravação de um DVD especial em comemoração aos 25 anos. Para viabilizar o projeto, o grupo busca parcerias e avalia captar recursos por meio de leis de incentivo à cultura. “A ideia é reunir músicas autorais com banda completa, montar um cenário bem legal. Temos esse projeto, mas precisamos viabilizar o incentivo”, afirmou.
25 anos de rap goiano
Segundo Arthur, o momento de maior crescimento da banda ocorreu cerca de três anos após sua formação, impulsionado pela circulação informal das músicas. “Através da pirataria também, o negócio explodiu de uma forma que a gente precisou se organizar. Tivemos que envolver outras pessoas, colocar alguém só para fechar shows”, relembra.
Na época, o grupo não se preocupava com cachês ou direitos autorais. O objetivo era difundir a música. “A gente queria cantar para o povo”, diz. Hoje, no entanto, a realidade é diferente. Arthur explica que o uso de samples impacta diretamente a monetização nas plataformas digitais. “Não é aquela dinheirada, até porque muitas músicas têm samples. Na época, a gente não se preocupava com isso, pegava beat gringo mesmo. Hoje, isso pesa nos direitos autorais.”
O DJ também destaca a transformação da cena do rap, especialmente com o aumento da participação feminina. “Antes, as mulheres eram mais fãs. Hoje, muitas são protagonistas, estão cantando, participando de batalhas de MC, atuando como DJs e MCs. Fazem parte da cena de verdade.”
Conselhos para novos artistas
Ao falar com jovens interessados em ingressar no rap, Arthur destacou a facilidade de produzir música atualmente. “Hoje não é tão difícil montar um home studio: um computador, um microfone e ideias. Você consegue produzir seu próprio som.”
Ele também ressalta a importância de apoiar novos talentos. “Nós mesmos temos vários grupos que começaram com a gente. Quando pedem ajuda, damos suporte. Tem gente de Aparecida, Goiânia e de outros lugares seguindo esse caminho.”
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